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11 de Março de 2013 - 20:30

Por Flávia Crizanto

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Familiares de pacientes se reuniram para discutir a situação
Familiares de pacientes se reuniram para discutir a situação

Depois de 40 anos de funcionamento da Clínica São Domingos, esta segunda-feira (11) marcou oficialmente o encerramento das atividades da instituição. Na história ficarão as denúncias de precariedade e de desrespeito aos direitos humanos, muitas delas trazidas à tona pela Tribuna. O fim desse ciclo foi comunicado em um ambiente agora vazio - ainda com o mau cheiro das más condições do local - sem os funcionários e os109 pacientes que ainda permaneciam internados até a última semana. A página final culminou com a intervenção do Município na gestão da unidade, feita há 11 dias, que optou por fechar as portas. O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Siqueira, pelo secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, e pelos promotores de Saúde Rodrigo Barros e Carolina Andrade, em uma última visita.

Outros estabelecimentos podem seguir o mesmo destino. É a situação da Casa de Saúde Aragão Villar. "Há o indicativo de fechamento pelo Ministério da Saúde, lá existem cerca de 160 pacientes, e esse hospital será o nosso primeiro ponto de preocupação e, assim que montarmos as residências terapêuticas, sofrerá intervenção, com a retirada dos assistidos", declarou José Laerte. Apesar das restrições, aproximadamente 20 pacientes do São Domingos passarão a receber tratamento no Aragão, outros 18 foram transferidos para o Hospital Ana Nery e 25 acolhidos na Casa de Saúde Esperança. Quase metade dos atendidos recebeu alta, o que, segundo o secretário, mostra que muitos estavam internados sem necessidade.

 

Assistência

Durante o processo de fechamento, também foi comunicada a intenção da Secretaria de construir uma rede substitutiva aos hospitais. O sistema será composto por novas residências terapêuticas, mais unidades de Centro de Apoio Psicossocial (Caps), das quais algumas funcionarão por 24 horas e outras serão destinadas a usuários de álcool e drogas. Também haverá credenciamento de novos leitos para psiquiatria em hospitais clínicos, entre eles o Ana Nery, o Hospital João Penido e o futuro Hospital Regional. "Estamos trabalhando para que a gente possa modificar os trabalhos que são realizados em Juiz de Fora no contexto dos tratamentos psiquiátricos", ressaltou Bruno Siqueira.

Enquanto o Poder Público oficializava o fechamento do São Domingos, dezenas de familiares de pacientes psiquiátricos se reuniram na Catedral Metropolitana para discutir os principais desafios da intervenção e as dificuldades que estão sendo enfrentadas durante esse período de adaptação. A situação afeta os assistidos que foram transferidos e aqueles que receberam alta e agora voltam ao convívio familiar. "Muitas famílias não possuem as condições necessárias para cuidar dessas pessoas e estão perdidas", alertou a representante dos familiares dos doentes psiquiátricos Irene Aparecida Vitorino.

De acordo com o advogado do São Domingos, João Cláudio Franzoni Barbosa, a destinação do prédio da extinta clínica ainda não foi definida, e o pagamento dos salários atrasados dos funcionários será acertado quando tiverem uma definição da Prefeitura e da Justiça.

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