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21 de Junho de 2014 - 06:00

Assaltos levam comerciantes a atenderem clientes atrás de grades, mas medida reflete no faturamento que já apresentou queda

Por Marcos Araújo

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Marco Antônio atende cliente protegido atrás de grade para enfrentar onde de assaltos
Marco Antônio atende cliente protegido atrás de grade para enfrentar onde de assaltos

Tradicionais bairros da Zona Sul de Juiz de Fora, o São Mateus e o Alto dos Passos já começam a ter estabelecimentos comerciais, nos quais a freguesia é atendida por meio de grades ou a portas fechadas. Esse tipo de medida de segurança, muito comum nos bairros inseridos nas zonas quentes de criminalidade, tem sido o meio pelo qual proprietários e funcionários tentam continuar seu trabalho, sentindo mais segurança, apesar de terem, como consequência, queda no faturamento. Conforme os comerciantes, a presença de PMs no São Mateus e Alto dos Passos não tem sido constante, o que poderia favorecer a ocorrência de casos de assaltos. Eles também denunciam que, no período da noite, usuários de crack e flanelinhas tomam algumas vias, intimidando as pessoas ou cometendo roubos e furtos.

Também em abril, levantamento realizado pela Tribuna, considerando os Registros de Eventos de Defesa Social (Reds), apontou que nos 90 primeiros dias do ano, foram registrados mais de 30 casos de roubos entre as ruas do São Mateus e do Alto dos Passos. O saldo foi de um roubo com uso de violência ou ameaça a cada três dias, considerando somente esse trimestre. A maioria das ocorrências, como apontou o levantamento, aconteceram nas avenidas Rio Branco e Itamar Franco e nas ruas Morais e Castro, São Mateus e Oswaldo Aranha. O instinto de preservação fez o comerciante Marco Antônio de Souza Alvarenga instalar uma grade na porta da sua distribuidora de bebidas, na esquina da Rua Luiz Camões com Morais e Castro, bem em frente à sede da Delegacia de Polícia Civil.

Conforme o comerciante, como há dias da semana nos quais o estabelecimento fica aberto até as 22h30, ele passou a atender os fregueses, após as 20h, por meio da grade. "Depois desse horário, começam a circular pessoas estranhas na rua e muitas delas entravam aqui. A gente nunca sabe quem entra, por isso, adotamos a grade. É um jeito de ter mais segurança", afirmou o proprietário, acrescentando que nunca foi vítima de assalto e prefere se precaver. Ele contou que a loja em frente ao seu comércio teve a vitrine quebrada para a prática de roubo e que uma obra próxima teve diversos maquinários furtados. "Ficamos com medo, pois vejo apenas uma viatura rodando e poucas vezes durante o dia. O maior problema é que ela só passa e não aborda ninguém, quando há diversas pessoas em atitude suspeita na rua." Marco Antônio revela que, em função da grade, muitos consumidores acham que a distribuidora está fechada e por isso deixam de comprar. "Para nos sentir seguros, estamos tendo prejuízo, pois nosso movimento caiu cerca de 30%."

 

Assaltos planejados

"Foi há dois meses. A faxineira chegou e percebeu que a porta estava danificada e constatamos que o salão foi furtado. Foram levados diversos materiais, entre uma televisão ainda na caixa, um aparelho de som e produtos de uso do salão. Nosso prejuízo chegou a R$ 3 mil", contou Elizângela Silvano, uma das proprietárias do estabelecimento, na Rua Morais e Castro. Segundo ela, já havia intenção de instalar uma grade na entrada do salão, que foi precipitada pelo arrombamento. "O crime aconteceu durante o fim de semana e só foi constatado na segunda-feira, quando chamamos a PM até aqui. Nesse dia, os policiais nos disserem que outras duas lojas aqui na região também tinham sido arrombadas", afirmou Elizângela, que acrescentou que uma obra ao lado do seu estabelecimento também foi invadida e levaram diversos equipamentos. "Eles até colocaram um cão de guarda no local, para garantir a segurança no período da noite", contou.

Do outro lado da rua, uma pizzaria especializada em entregas também foi assaltada e agora só atende aos fregueses que vão até o local de porta fechada. Conforme o dono, Manoel Rodrigues, um homem armado entrou e apontou um revólver para a cabeça da filha dele. "Era um casal em uma motocicleta, enquanto o homem entrou na loja, a mulher ficou do lado de fora, esperando o comparsa", relatou Manoel, acrescentando que, depois do fato, a loja só permanece de portas fechadas e foram instaladas câmeras de segurança. "Esse tipo de assalto acontece com o ladrão que planeja sua ação. Com certeza eles ficaram de tocaia observando o nosso funcionamento e horários. Eles tomam conta de gente por 30, 60, 90 dias, esperando a melhor oportunidade de cometer o assalto", opinou o dono. "O que mais importa aqui não é nem a intensidade de patrulhamento, mas a atitude dos policiais. Não adianta a presença deles, se não fazem nenhuma abordagem, quando há pessoas suspeitas nas proximidades", diz Manoel, que também teve queda nas vendas depois que adotou o funcionamento de portas fechadas.

 

Ladrão rouba duas vezes mesmo lugar

Na esquina da ruas Morais e Castro e Luiz de Camões, uma loja de roupas e acessórios femininos também foi alvo de criminosos. O estabelecimento fica em frente à distribuidora que instalou grades e à Delegacia de Polícia Civil. Como aponta a proprietária, Lilian Peixoto, a vitrine da loja foi forçada, fazendo uma abertura, por onde foi furtada uma jaqueta avaliada em R$ 2.800. Na outra extremidade, que fica na rua Morais e Castro, também jogaram pedras na vitrine e subtraíram diversos produtos. Segundo Lilian, seu estabelecimento fica aberto de 10h às 20h e, por isso, suas funcionárias estão se sentindo inseguras, já que só trabalham mulheres no local. Ela relata que, além dos casos de arrombamento e vandalismo, pessoas suspeitas entram na loja, intimidam as vendedoras e furtam peças.

Ela também aponta que usuários de crack utilizam a porta da loja, durante a madrugada, para o consumo de droga. "Já encontramos cachimbo para fumar crack e garrafas de bebidas aqui na nossa porta", afirma Lilian. Ela também reclama que a iluminação na via é fraca e necessita de patrulhamento policial na região. "A gente vê apenas patrulhas da PM de trânsito, que vem aqui reclamar que cliente está parado de forma errada", relata a proprietária. Ela instalou uma barra de ferro na base da vitrine, a fim de evitar que ela seja forçada novamente.

Já na Avenida Itamar Franco, perto da esquina com a Oswaldo Aranha, uma loja de artigos para presente foi assaltada duas vezes na mesma semana pelo mesmo ladrão. De acordo com um das vendedoras, de 26 anos, que preferiu o sigilo do nome, o primeiro assalto aconteceu numa terça-feira. "O bandido chegou e anunciou o assalto, mas não mostrou arma. Ele levou o dinheiro do caixa e o meu celular", contou a vítima. Na quinta-feira seguinte, o mesmo criminoso voltou ao estabelecimento, perto do mesmo horário, anunciou o assalto, abriu o caixa e levou o dinheiro. "Ele já devia estar olhando como era o movimento aqui, que é mais fraco por volta das 16 horas e aproveitou para cometer o roubo", disse a vítima. "É uma sensação de impotência, que não dá para explicar. Por ser uma rua muito movimentada, ele foi bastante ousado. A gente sente falta de policiamento sim, pois somos duas mulheres trabalhando". Ela adiantou que o proprietário da loja já estuda a possibilidade de contratar um vigia.

Os crimes contra transeuntes também vem acontecendo na região. No último dia 12, uma estudante, 24, foi agredida e roubada por duas mulheres, na Rua São Mateus, por volta das 16h30. A vítima caminhava pela via e foi abordada pelas duas criminosas. De acordo com o relato da estudante à PM, uma das mulheres a acertou com um soco no peito. Como reação, a vítima tentou segurar o seu celular, que era o alvo das ladras. Contudo, as mulheres começaram a agredir ainda mais a estudante. A dupla subtraiu o celular e R$ 40, fugindo em seguida em direção à Avenida Itamar Franco.

 

Aposta no monitoramento por câmeras

Autoridades municipais, da Polícia Militar e os próprios comerciantes e moradores estão apostando na implantação do programa "Olho vivo", nos bairros, como instrumento de redução dos crimes contra o patrimônio. Ruas do São Mateus estão recebendo a rede de fibra ótica responsável por interligar as câmeras do projeto, que vai servir para vigilância. Os cabos já foram instalados na Rua Oswaldo Aranha e devem seguir pela Rua São Mateus. Na última sexta-feira, conforme a assessoria de comunicação organizacional da PM, foi realizada uma reunião entre a corporação e demais órgãos, para tratar sobre a instalação do programa. Os trabalhos estão em fase de implantação, sob a responsabilidade da empresa Petcom. A previsão inicial para o funcionamento do "Olho vivo" é ainda para o primeiro semestre de 2014, de forma parcial. Os bairros que já receberam a fibra ótica a ser empregada na operacionalização são: Centro, São Mateus, Alto dos Passos, Manoel Honório e Santa Terezinha.

Várias modalidades

A respeito do policiamento, a PM informou que realiza o patrulhamento na região do São Mateus, empregando para tanto varias modalidades de policiamento, seja lançando os militares a pé, em bicicletas ou motorizados. "É acompanhada a evolução criminal na Zona Sul da cidade e direcionado para os locais de maior incidência o policiamento que melhor se aplica para a situação. Semanalmente são lançadas intervenções policiais que tem também como objetivo a prevenção e combate ao crime de roubo", informou a PM, em nota encaminhada à Tribuna.

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