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21 de Dezembro de 2013 - 07:00

Maior circulação de pessoas na área comercial neste período aumenta o risco na avenida

Por Eduardo Valente

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Flagrantes de desrespeito, tanto de motoristas como de pedestres, são comuns na via
Flagrantes de desrespeito, tanto de motoristas como de pedestres, são comuns na via

O maior movimento no comércio no Centro de Juiz de Fora neste fim de ano tem deixado em evidência problemas crônicos no trânsito e na mobilidade de pedestres. Na Avenida Getúlio Vargas, onde obras de revitalização chegaram a ser anunciadas em 2010, a situação tem se mostrado intolerável, principalmente quando ocorrem fatos atípicos. Na última terça-feira, por exemplo, bastou um ônibus urbano quebrar na via para que as retenções pudessem ser sentidas em toda a área central. Além disso, os flagrantes de desrespeito, tanto de motoristas como de pedestres, são observados a qualquer instante. Pessoas atravessando fora da faixa e veículos circulando em área destinada ao transporte público são fatos corriqueiros, assim como os transtornos causados pelos pontos de ônibus inadequados e instalados em espaços de circulação de pessoas, que já são limitados devido ao forte comércio ambulante existente na avenida.

Um reflexo desta saturação está no aumento do número de pedestres flagrados circulando sobre o asfalto. O problema ocorre, principalmente, na área de maior concentração de pessoas, entre as ruas São Sebastião e Halfeld, onde também estão instaladas 27 barracas de camelôs, que diminuem o espaço disponível para o trânsito de pedestres. Neste segmento, andar sobre as calçadas exige paciência. "É muita gente que para na frente das lojas e das barracas ou fecha a calçada para conversar com alguém. O melhor mesmo é andar na rua", disse o aposentado José Nivaldo Pereira, 67 anos. Perguntado sobre os riscos desta prática, ele afirma estar ciente, mas não vê outra solução. "Tenho mais medo dos motoqueiros, que passam bem perto de nós." Flagrada pela reportagem atravessando fora da faixa de pedestre com uma criança de colo, uma mulher, que não quis se identificar, disse que as faixas estão muito distantes umas das outras, e por isso não há o respeito.

O projeto de remodelação da Avenida Getúlio Vargas, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana, do Governo federal, e anunciado em março de 2010, atualmente passa por readequações na Settra, com previsão de ser concluído até o fim deste ano. De acordo com o secretário Rodrigo Tortoriello, a ideia é aumentar a área de embarque e desembarque nos pontos de ônibus para melhorar o conforto dos usuários e garantir aumento da velocidade dos coletivos, reduzindo assim o tempo das viagens. Outra proposta é a de ampliar o espaço das calçadas. O projeto original também cita a instalação de canteiros centrais para direcionar os passageiros para as faixas de travessia. Na época, o custo da obra estava estimado em R$ 6,1 milhões.

Testada em setembro, a terceira faixa exclusiva para ônibus urbano não deve ser concretizada inicialmente. Segundo Tortoriello, as obras de readequação dos pontos deverão resolver os gargalos gerados por estes veículos na via, evitando que esta possibilidade seja colocada em prática.

 

Prazo indefinido

Mesmo com projeto pronto, ainda não há uma definição de quando as intervenções serão iniciadas na avenida. De acordo com o secretário de Obras, Amaury Couri, embora o projeto esteja no cronograma do próximo ano, existe a preocupação em não realizar este trabalho paralelo à construção da trincheira da Avenida Francisco Bernardino, prevista para começar em março. O motivo seria evitar transtornos no tráfego de veículos na área central.

 

 

Situação dos camelôs volta ao debate

O aquecido comércio ambulante na Avenida Getúlio Vargas também é obstáculo para pedestres, já que as barracas dos camelôs, não padronizadas, ocupam espaços nas calçadas que poderiam ser utilizados para aumentar o conforto das pessoas. Além destas estruturas, vendedores não autorizados usam a área para vender seus produtos, montando pequenas bancadas ao longo da via. Segundo o secretário de Atividades Urbanas (SAU), Basileu Tavares, ainda não há uma definição sobre a retirada destes profissionais do local, pois o caso ainda é estudado pela Prefeitura. Uma possibilidade é construir uma espécie de camelódromo, onde os ambulantes estariam concentrados. No entanto, esta proposta não avançou. "O trabalho precisa ser feito ainda nesta gestão, e esta discussão será intensificada no próximo ano. Além de atrapalhar a mobilidade, existe a poluição visual, porque as barracas não estão padronizadas e são feias. Nossa proposta é colocá-los em um shopping popular, como é em Belo Horizonte, São Paulo e Volta Redonda (RJ)", argumentou.

Sobre o comércio não autorizado, o secretário garantiu que as operações de fim de ano estão intensificadas para coibir esta prática. "Orientamos a todos a evitar obstáculos nas calçadas e impedir que as mercadorias atrapalhem a circulação das pessoas. São diversos fiscais trabalhando, inclusive aos sábados e domingos, com apoio de servidores do setor administrativo, além da Polícia Militar e Guarda Municipal."

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