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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

Vítimas de tragédias revelam o espírito de esperança que se renova para o ano que se inicia

Por RENATA BRUM

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Em mais um início de ano, quando várias pessoas renovam suas esperanças em um novo tempo, a Tribuna encontrou exemplos de juiz-foranos que foram vítimas de tragédias ou estiveram expostos à criminalidade violenta, mas que tiveram fé e força, driblando a morte e as adversidades. Hoje elas são exemplos de superação e provam que o recomeço é possível.

"A mensagem que deixo para outras pessoas que passaram por situações tristes é de que não há conforto do lado de fora. O conforto vem de dentro. É preciso buscar dentro de si algo bom e ver a situação com outros olhos e perceber que, mesmo com as perdas, é possível visualizar coisas boas. Se perdeu, é porque teve. Sei que o mais fácil para quem passa por situações como essa é a entrega, pois o buraco já se abriu, é só se jogar. Olhar para dentro do coração, seja lá em nome do que, mas é preciso ter esperança." A mensagem é de Cláudia Repetto, que não tem apenas um motivo para comemorar, mas três: Flora, Valentina e Felipe. Os trigêmeos, que nasceram em 8 de novembro, chegaram para iluminar a família, que há quatro anos viveu dias de escuridão. A jornalista de 46 anos e o marido juiz-forano, Marcelo Repetto Filho, 49, foram soterrados depois que uma avalanche de lama e pedras atingiu a casa que haviam alugado para passar o Réveillon na Enseada do Bananal em Ilha Grande, Angra dos Reis (RJ). Além do casal, que passou um mês no hospital, outras quatro pessoas estavam na casa e não sobreviveram, entre elas as duas filhas, Geovana e Gabriela, com 12 e 9 anos, na época.

"A luz da vida naquele momento se apagou", resume Cláudia, ao relembrar o dia 1º de janeiro de 2010. Mas, no último Réveillon, a história misturou felicidade, fraldas e mamadas. Entre a rotina corrida de mãe, Cláudia encontrou um tempo para conversar com a Tribuna e relatar sua fortaleza diante da vida. "Achava que minha família estava completa, que havia completado este ciclo. Elas sempre pediam um irmão, e eu falava em adotar um menino. Minha família era linda e perfeita, até que, naquela passagem de ano, acordamos com uma perda terrível. Aos poucos, fui construindo a ideia de reconstruir a família, pois amor de filho é eterno, não acaba nunca, e o coração de mãe e pai é elástico, ama e vai sempre acrescentando amor. Comecei a pensar que, se eu tivesse outros filhos, poderia reacender essa luz para mim e para minha família." Hoje a casa está iluminada: com um menino e duas meninas. Valentina foi a última a chegar em casa, no dia 15 de dezembro, após alta da Maternidade Perinatal, no Rio.

Luz foi o que teve também Alair Gonçalves Nogueira, 57 anos, conhecido na cidade como o mestre de bateria Shel. Na tarde escura de 22 de novembro, durante um temporal, ele teve o rompante de abandonar o imóvel onde morava, no Progresso, região Leste, levando apenas os documentos. Segundos depois, ao pisar do outro lado da calçada, duas grandes árvores caíram sobre o imóvel, esmagando telhado, muros e paredes. Dos móveis às roupas, ele perdeu tudo, menos a vida. "Deus me iluminou para sair."

Antônio Armando Chelini Pereira, 56 anos, também agradece a vida, mesmo tendo que reaprender a andar e a falar após ficar 34 dias no CTI. Ele foi atropelado por um trem na passagem de nível da Rua Benjamin Constant, no Centro, no dia 1º de novembro. Diferentemente de outras cinco pessoas que morreram este ano na linha férrea, Toninho inexplicavelmente escapou.

Também vive um recomeço, a auxiliar operacional de 43 anos que foi vítima de 20 facadas, no mês de agosto deste ano. A violência foi praticada pelo ex-marido. Mesmo com marcas pelo corpo - foram atingidas áreas vitais - e feridas na alma, ela não quer abandonar a vida que leva na cidade e faz planos para voltar a trabalhar em fevereiro.

 

 

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