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27 de Junho de 2014 - 06:00

Três dos indiciados já foram recapturados; procedimento administrativo interno vai verificar como se deu a liberação

Por MARCOS ARAÚJO E MICHELE MEIRELES

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O Ceresp instaurou procedimento administrativo interno para apurar a liberação de quatros presos, indiciados por homicídio qualificado e apontados pela Polícia Civil por formarem um grupo de matadores de aluguel. A soltura aconteceu entre o último domingo (22) e a segunda-feira (23). O bando, formado por jovens, de 19, 20, 22 e 24 anos, havia sido capturado em abril pela Delegacia de Homicídios e pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar, sob suspeita de cometer, pelo menos, sete assassinatos, seis somente este ano. Eles cobravam de R$ 2 mil a R$ 2.500 pelas mortes e agiam na Zona Norte da cidade. Três dos rapazes já foram capturados, e o quarto, de 20 anos, tido como um dos mais violentos, ainda está foragido.

Segundo informações da polícia, nos dias em que estiveram soltos, eles teriam procurado testemunhas dos crimes e feito ameaças de morte. A nova prisão dos três jovens foi realizada na última quarta-feira (25), numa operação conjunta entre a equipe da Delegacia de Homicídios e a Polícia Militar, após o cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz presidente do Tribunal do Júri, José Armando Pinheiro da Silveira. Os jovens de 19 e 24 anos foram recapturados no Bairro São Judas Tadeu, e o de 19 no Jardim Natal, ambos na Zona Norte. Agora, as polícias Civil e Militar trabalham para descobrir o paradeiro do foragido.

Em entrevista à Tribuna, o juiz José Armando explicou que o grupo estava cumprindo prisão temporária no Ceresp, cujo prazo iria expirar no primeiro minuto do último domingo (22). Contudo, antes disso, na manhã de sábado (21), foram expedidos novos mandados para que o grupo continuasse preso. Os documentos seguiram do Fórum Benjamin Colucci para o Ceresp por meio da Polícia Civil, entretanto não teriam chegado em tempo hábil à unidade prisional, uma vez que a secretaria do Ceresp estava fechada, ocasionando, assim, a liberação dos quatro presos. "Na última segunda-feira (23), quando tive a notícia da liberação indevida desses presos, eu expedi novos mandados de prisão preventiva, que resultaram na prisão de três deles", afirmou o magistrado.

Para o juiz José Armando, o episódio foi um equívoco lamentável. "Não pode haver equívoco em cadeia, delegacia de polícia e no Fórum. Imagina se prendemos alguém no domingo e chega lá não tem funcionário. Isso não existe. Deve haver um plantão permanente, para que não haja esse tipo de problema, que é muito sério", ressaltou José Armando.

 

 

Agentes serão ouvidos para prestar esclarecimentos

Em nota, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), responsável pelo Ceresp, informou que, no momento da liberação dos detentos, foi feita a conferência de possíveis impedimentos no Setor de Arquivo e Informações Policiais da Polícia Civil (Setarin) e não havia impedimento. A Seds esclareceu que a soltura foi feita devido ao vencimento do prazo da prisão temporária, que foi de 30 dias, prorrogada por mais 30. Porém, a informação da expedição de uma renovação no pedido de prisão pode ter ocorrido momentos depois da liberação. A Seds informou que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, a direção geral da unidade prisional pediu a recaptura do grupo, além de instaurar um procedimento interno para apurar se houve negligência na liberação dos presos. Todos os agentes envolvidos serão ouvidos, e, se comprovado algum erro, podem ser punidos.

 

'Quebra-coco'

Conforme investigações da Polícia Civil e do serviço reservado da PM, na maioria das vezes, a "encomenda" ao grupo, do qual participavam os presos recapturados, era feita por traficantes, que pagavam para verem executadas pessoas que tinham dívidas. A suspeita é de que o bando, conhecido como "Quebra-coco", agia há cerca de um ano, mas começou a ganhar força em 2014. Os levantamentos das duas polícias apontam que eles sempre agiam da mesma maneira: utilizavam uma motocicleta, com dois homens a bordo. O carona efetuava os disparos, e, nas imediações, havia sempre um terceiro integrante para dar cobertura. Este último, em alguns casos, estava de carro, para ajudar em uma possível fuga.

 

Outras prisões

No início da tarde desta quinta-feira (26), a PM prendeu outros dois homens, de 20 e 23 anos, suspeitos de serem mandantes do homicídio de Samuel Marques da Silva, 24, morto na Vila Esperança II, Zona Norte, possivelmente assassinado pelo grupo de matadores de aluguel. O detido mais jovem foi abordado na Rua Aurora Pereira de Miranda, também na Vila Esperança II, e foi verificado que havia mandado de prisão em aberto contra ele. Durante a ação policial, o segundo preso passou pelo local em um veículo e também foi abordado. No interior do carro, os policiais encontraram um revólver calibre 38 e duas munições do mesmo calibre. Além disso, havia um mandado de prisão contra ele. A dupla foi presa e levada para a delegacia.

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