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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

Tribuna flagra ultrapassagens nos sinais amarelo e vermelho em pontos onde equipamentos já estão em teste

Por RENATA BRUM

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Na Benjamin, equipamento não supriu imprudências
Na Benjamin, equipamento não supriu imprudências

Está previsto para este mês o início de operação dos radares que, além de velocidade, notificarão a parada irregular sobre faixas e o avanço de semáforo. O assunto traz à tona a necessidade de mudança de hábito entre os motoristas juiz-foranos, que insistem em avançar o sinal amarelo e travar os cruzamentos, mas também aponta para uma característica particular da cidade, que é questionada pelos condutores: no município, os semáforos ficam instalados após as interseções. Para muitos condutores, a distância entre a faixa de retenção e o sinal pode ser prejudicial diante do cenário de saturação de vias, como a Rio Branco, sobretudo nos horários de pico. Com retenções repentinas, eles podem não conseguir cruzar o semáforo antes do vermelho. Quem trabalha com serviço móvel de urgência também teme a implantação dos aparelhos de controle de infrações, por acreditar que os motoristas de carros de passeio deixarão de dar passagem para as viaturas temendo serem multados.

A Tribuna foi às ruas repercutir o assunto e verificar o comportamento dos condutores e constatou que sobra imprudência nos pontos no Centro onde os equipamentos já estão instalados - Rio Branco esquina com Benjamin Constant; Rio Branco altura do Mergulhão; e Brasil com Rio Branco. Somente no cruzamento da Brasil com Rio Branco, a reportagem flagrou, durante cinco aberturas semafóricas, pelo menos 21 veículos, entre motos, carros de passeio e até caminhões, avançando o sinal, colocando motoristas que trafegam pela Rio Branco em risco. Além destes pontos, também já está instalado um radar do mesmo tipo na Avenida Doutor Paulo Japiassu Coelho com Rua Tom Fagundes, no Cascatinha.

Especialista em engenharia de tráfego da Universidade Federal do Paraná, professor Pedro Akishino explica o dano desse tipo de atitude, sobretudo em cruzamentos extensos, como é o caso da Brasil com Rio Branco. "Quando se tem uma transversal muito larga, fica flagrante o perigo a que está exposto o veículo que passa no final do amarelo. Ele ainda vai se encontrar na área de conflito quando surgir o verde para a transversal", diz o professor que aponta providências mais cuidadosas para esses casos, por isso a implantação do radar seria justificada no ponto.

Na Brasil com a Rio Branco, motoristas ignoram sinal vermelho e radar em teste

Já na Rio Branco, na altura do Mergulhão, o desrespeito é em relação aos pedestres que são surpreendidos com avanços dos carros no vermelho e ainda com o abuso de velocidade. Quem trabalha próximo confirma os excessos, tanto dos automóveis de passeio, quanto de coletivos e de carros oficiais: "Os veículos aqui não respeitam os pedestres. Trabalho aqui há 18 anos e já vi muito acidente, gente morta, até mesmo desrespeito de ônibus. Os pedestres, às vezes, também abusam, mas muitos carros e ônibus ignoram o semáforo e o limite de velocidade. Como não há cruzamento com carros, acham que não há tanto risco de baterem em outro veículo, mas se esquecem dos pedestres", conta o gerente de posto de combustíveis Nelson Natalino da Silva, 48. No local, além dos radares para as pistas de carros, nos dois sentidos, há equipamentos direcionados para as pistas centrais, por onde circulam viaturas e coletivos, onde também são frequentes as infrações. "Os ônibus também costumam avançar, e as viaturas passam sem reduzir. Há pouco tempo, um senhor morreu, pois estava atravessando, e o ônibus deu sinal para a ambulância passar, e ele foi atingido por ela. Acredito que o radar nesse local é preciso", cobra o gerente.

Duas quadras à frente, no cruzamento da Rio Branco com a Rua Benjamin Constant, os flagrantes confirmam que os juiz-foranos acabam encarando o amarelo como um prolongamento do verde. No local, além dos avanços, houve vários casos de parada sobre a faixa de travessia. "Isso acontece sempre. Acho que o radar vai nos educar. Vai melhorar para o pedestre, que terá mais segurança na travessia. Hoje não dá para confiar no fechamento do semáforo, eu sempre espero os carros pararem totalmente para atravessar. Acho também que será positivo para o trânsito porque nós, motoristas, vamos ser obrigados a parar no amarelo. Hoje, dependendo da distância, eu mesmo passo, mas se tiver o radar, os condutores serão mais cautelosos e irão parar ao ver o amarelo", opina o motorista Luciano Thomaz, 38.

 

'Advertência'

Subsecretária operacional de Transporte e Trânsito, Iza Machado diz que é notório o hábito do condutor juiz-forano de aproveitar o amarelo para seguir, mas explica que a prática é errada. "O amarelo é uma advertência para parar, porém, em Juiz de Fora, o condutor tem o hábito de avançar, mas a regra de trânsito é clara. Amarelou não pode avançar, é preciso frear e parar antes da faixa de retenção e não acelerar para passar no vermelho ou encostar no carro da frente, fechando o cruzamento."

 

Settra diz que irá avaliar casos antes de notificar

Entre os condutores ouvidos pela Tribuna, o questionamento é em relação às retenções e aos sinais depois dos cruzamentos. "A questão é que os semáforos ficam após as interseções. Sempre achamos que vai dar para atravessar e, muitas vezes, o tráfego fica lento de repente, e paramos sobre a faixa ou debaixo do vermelho. Nessa situação, seremos multados", diz o taxista Luiz Fernando Mendes. Outro motorista, Darci Soares, 56, também teme as notificações. "Acredito que vá melhorar para a segurança, mas será complicado, porque muitas vezes o trânsito trava nos cruzamentos por conta de congestionamentos." O taxista Rafael Paiva também indaga. "E se o condutor tiver passado da faixa, e o semáforo fechar? Não tem como prever, pois não há contador de tempo dos semáforos para motoristas. Acho que o trânsito vai ficar mais lento, pois vai todo mundo ficar com medo de andar e, de repente, travar."

Quem trabalha com serviço móvel de urgência teme a dificuldade de liberação das pistas. "Lidamos com vida, e cada segundo é precioso. Nosso temor é que, por causa do medo da multa, os motoristas não deem passagem. Ainda tem a questão de sermos uma empresa particular e, em alguns casos, vamos acabar sendo autuados em atividade. Podemos contestar, mas estamos sujeitos à penalidade. Concordo com o controle de avanço de semáforos e velocidade na cidade, mas deveria ser pensada outra alternativa para os serviços de urgência, como a liberação das pistas exclusivas para táxi e coletivo urbano", sugere o gerente de operações da Guardiões Resgate, Raphael de Almeida Liquer.

A subsecretária operacional de Transporte e Trânsito, Iza Machado, explica que a forma de operação dos aparelhos será detalhada para a imprensa e a população antes de começarem a notificar, o que está previsto para os próximos dias. "Antes vamos fazer uma coletiva explicando como vai funcionar e como serão tratadas essas questões. O que podemos adiantar é que serão três câmeras, uma delas panorâmica que vai nos mostrar os vários carros de frente e será possível verificar o que aconteceu, se havia congestionamento, o que houve. Nos casos em que os carros avançarem ou pararem sobre a faixa para dar passagem aos veículos de socorro, eles serão isentados, pois será possível visualizar a infração e a viatura passando pelo ponto posteriormente. O que a população precisa entender é que não é o radar que processa a multa. Ele funciona como um agente na rua, vai fotografar as infrações, mas a validação será feita por um agente interno. As pessoas falam em super-radar, termo não adequado, pois acaba sendo pejorativo, pois motoristas acham que é um radar que vai multar mais, mas não é isso. Serão três instâncias de verificação na Settra para averiguar algumas situações, como prioridade para ambulâncias e congestionamentos", ressaltou Iza, que completa: "Os Bombeiros também nos procuraram com dúvidas, mas não é preciso temer. Avançar o semáforo é infração grave, mas deixar de dar prioridade a veículo de socorro é gravíssima."

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