Publicidade

19 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Médicos protestam contra portaria que determina que exame seja feito apenas em mulheres entre 50 e 69 anos

Por Kelly Diniz

Compartilhar
 

Profissionais da classe médica de Juiz de Fora estão mobilizados contra a portaria publicada pelo Ministério da Saúde que diminui o repasse de verba da União aos municípios para a realização de mamografias pelo SUS, restringindo o rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos. De acordo com o presidente da Associação Médica de Juiz de Fora, o ginecologista e mastologista Elídio Lana, cerca de 20% dos casos de câncer de mama atingem mulheres abaixo dessa faixa etária. "Vamos deixar de fazer diagnóstico precoce em mulheres jovens, quando o câncer é menos agressivo." Lana informou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com uma ação cível pública contra a União, no último dia 14, para reverter a medida.

A portaria nº 1.253, de novembro do ano passado, também estabelece que os municípios têm a opção de arcar sozinhos com o custeio de mamografias para mulheres com até 49 anos. Lana acredita, no entanto, que isso não será possível por falta de recursos das prefeituras. "As mulheres vão ter que esperar uma lesão mínima virar um tumor para ter um diagnóstico." Segundo ele, o Ministério da Saúde alega que o custo benefício não justifica a liberação do exame para mulheres abaixo dos 50 anos.

Membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, a radiologista Flávia Nehme explica que as mulheres de 40 a 49 anos que desejarem realizar mamografia de rastreamento, como é recomendado pela Sociedade de Mastologia, terão que pagar pelo procedimento. "Essa portaria não especifica se mulheres pertencentes ao grupo de risco elevado para o câncer de mama, que não estejam na faixa etária estabelecida, terão direito ao exame gratuito."

O CFM, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Sociedade Brasileira de Mastologia elaboraram uma carta de repúdio à normativa.

Retirada da mama

Vítima do câncer de mama em 2008, a professora universitária Iluska Coutinho conta que a mamografia foi decisiva para o diagnóstico do câncer e o início do tratamento. Na época, Iluska estava com 35 anos e tinha acabado de ter uma filha. "Mesmo depois que parei de amamentar, eu percebi que o meu sutiã continuava úmido. Fiz ultrassom e exame do líquido e não foi encontrado nada. Meses depois, também percebi sangue no sutiã. Foi a mamografia bilateral que detectou o câncer."

A professora ressalta a importância do diagnóstico precoce para o seu tratamento. "A mamografia foi essencial. Eu não conseguiria esperar anos para o diagnóstico, pois o meu tumor era agressivo." Ela explicou que, quando fez a biópsia, o resultado determinava apenas a retirada do tumor. No dia da cirurgia, 15 dias depois, o câncer já havia se espalhado e ela precisou retirar a mama.

Câncer de mama

Segundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. De acordo com o parecer da Comissão Nacional de Mamografia, estudo internacional aponta redução de 26% a 29% na mortalidade em mulheres entre 40 e 49 anos comparadas a pacientes não submetidas a mamografias preventivas.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 57.120 novos casos sejam diagnosticados em 2014 no Brasil. Em 2011, 13.345 pessoas morreram em decorrência da doença, sendo 120 homens e 13.225 mulheres.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que os resultados do programa "Olho vivo" vão inibir crimes nos locais onde estão as câmeras?