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23 de Janeiro de 2014 - 07:00

Dispositivo foi escolhido para ser implantado em táxis na tentativa de inibir ações de criminosos

Por Cíntia Charlene

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A câmera de segurança foi o item obrigatório escolhido pelos taxistas para ser implantado como medida de segurança nos táxis em Juiz de Fora. Entre as outras opções do plebiscito, cujo resultado foi divulgado nesta quarta-feira (22), estava o rastreador ou GPS e uma cabine blindada. Apesar das reclamações frequentes da categoria sobre a insegurança para trabalhar, por causa dos assaltos violentos, apenas 164 profissionais participaram do processo, o que representa 7,5% do total, já que existem 548 permissionários e 1.617 auxiliares na cidade. Entre os primeiros, apenas 80 votaram. Já entre os ajudantes, foram 84 presentes na Escola de Governo, onde ocorreu a consulta. Do total de votos computados, a câmera recebeu 56,7% da preferência. Após a divulgação, a Tribuna foi às ruas e ouviu condutores que participaram ou não não do processo conduzido pela Settra. A maior parte ouvida pelo jornal defendeu o uso da cabine, apesar de compreender que ela não teria sido escolhida por ser o item mais caro, podendo chegar a R$ 6 mil com a instalação.

Agora, a Settra vai trabalhar na criação de uma lei específica para instaurar a obrigatoriedade da câmera nos táxis. A lei deverá passar ainda por avaliação na Câmara Municipal. Se aprovada, seguirá para sanção do prefeito Bruno Siqueira (PMDB). De acordo com o subsecretário de Mobilidade Urbana, Mauro Branco, o objetivo é viabilizar o quanto antes a

implantação do dispositivo. "Vamos tentar viabilizar isso legalmente, homologando cada equipamento, verificando especificações corretas, cuidados das configurações para que a câmera atenda de forma plena o que foi planejado e assim por diante", ressaltou. Em relações ao custo da implantação do equipamento, o assunto ainda não foi discutido, mas a categoria acredita que os permissionários é que irão custear o serviço.

Segundo Branco, o equipamento irá gravar as imagens em uma memória que vai funcionar como uma espécie de armazenador de dados. "Estas imagens só serão utilizadas se houver algum tipo de problema. Elas só poderão ser acionadas pela Settra ou pela Polícia Militar." Em relação ao campo de visão, o secretário afirma que é preciso escolher um equipamento com as especificações que atendam a necessidade. "Precisamos de uma câmera que tenha todo o campo de visão, desde a pessoa que está sentada na frente até as que estão no banco de trás."

 

 

Ideal é ter outras medidas articuladas

Apesar da participação reduzida no plebiscito desta semana, a iniciativa foi considerada positiva pelos representantes da categoria. "O fato de podermos escolher já é uma conquista. Acho que já foi um passo importante, e perdeu que não foi votar no seu interesse. A câmera vai inibir a ação das pessoas, porque elas vão saber quem está sendo filmado. Acredito que vamos conseguir aumentar a segurança em cerca de 80%", ressaltou o presidente da Associação dos Taxistas Luiz Gonzaga Nunes.

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes da Silva, a escolha deste dispositivo já era esperada pela classe em virtude do custo. A adoção da medida é considerada preventiva por ele. "A intenção não é pegar quem comete delito. Mas quem cometer, poderá ser identificado pela imagem. Por isso, vai pensar duas vezes antes, já que será mais fácil localizá-lo."

A Polícia Militar entende a adoção do equipamento como uma iniciativa que irá contribuir para melhoria da segurança da categoria. "Essa é mais uma ação que entra em um somatório de medidas. Estampando a imagem do infrator, você está dificultando a liberdade que, às vezes, ele encontra", destaca o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região da PM, major Paulo Alex Moreira Silveira.

Para o especialista em segurança, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio, só a adoção da tecnologia não resolve o problema da segurança. É preciso um conjunto de fatores. "A filmagem é um instrumento importante, principalmente quando se tem um crime, porque, com elas, os infratores podem ser identificados. No entanto, se não houver à disposição, por exemplo, uma investigação, as imagens não resolvem nada. Toda tecnologia é um suporte para ações de prevenção e, eventualmente, de combate ao crime." O especialista ainda completa: "Outras medidas de prevenção costumam ser muito eficientes e até com custo menor. O ideal é ter medidas articuladas, além das câmeras, ter ações desenvolvidas pelas blitze. Além disso, os taxistas podem colaborar com a própria polícia, denunciando tentativas de abordagem em locais difíceis, que, muitas vezes, a polícia não sabe."

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