Publicidade

17 de Janeiro de 2014 - 17:31

Rajadas superaram os 70km/h, levando prejuízos principalmente à Zona Norte, onde a cobertura da quadra do Colégio Militar foi arrancada pelo vento

Por Tribuna

Compartilhar
 

Atualizada às 21h57

A forte tempestade que atingiu a cidade no fim da tarde desta sexta-feira (17) causou estragos em diversas regiões, provocando alagamentos e deixando vários bairros sem energia elétrica. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em apenas uma hora, entre 17h e 18h, choveu 24,2 milímetros, valor que corresponde a 8% do esperado para janeiro, conforme a média histórica. As precipitações vieram acompanhadas de fortes rajadas de ventos que, no Campus da UFJF, superaram os 70 km/h. Na Zona Norte, porém, moradores e comerciantes disseram que a sensação era de velocidade ainda maior. No ginásio poliesportivo do Colégio Militar, em frente ao Acesso Norte, a cobertura se desprendeu da estrutura e voou para o outro lado da rua, em uma distância de aproximadamente 50 metros. Não houve feridos, mas alguns postes foram derrubados com o impacto. Já nos conjuntos habitacionais Parque das Águas, no Monte Castelo, e Nova Germânia, no Borboleta, a água da chuva atingiu o interior dos imóveis, causando a ira de alguns moradores. Revoltados, eles atearam fogo no acesso entre os dois bairros, interrompendo o fluxo de automóveis. Equipes da Cemig trabalhavam, até o fim desta edição, para restabelecer a energia em ruas dos bairros Borboleta, São Pedro, Monte Castelo e São Dimas.

Esta foi a segunda grande chuva que atingiu o município em menos de 24 horas. Na noite de quinta-feira, por volta das 21h, os ventos chegaram a 46 km/h, com acumulado de 40,4 milímetros contabilizados até o início da manhã desta sexta. Além disso, em uma hora, a Cemig contabilizou a queda de 62 raios na cidade. Aliás, Juiz de Fora está em primeiro lugar no estado, e quinto do país, em incidência de descargas atmosféricas, conforme o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Zona Norte

A Zona Norte foi a região onde se concentrou a maioria dos problemas. Além do caso dos condomínios e do Colégio Militar, moradores de outros bairros contabilizaram prejuízos. O córrego que divide os bairros Nova Era II e Santa Cruz transbordou, invadindo os fundos de uma casa. O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender à ocorrência. Os militares também foram empenhados no Monte Castelo, onde uma árvore caiu sobre o muro de uma casa na Rua Itatiaia. Quatro militares trabalham na seção dos galhos. Ninguém se feriu. Também no Monte Castelo, uma árvore caiu na Rua Coronel Quintão, ocupando toda a via e impedindo o trânsito de veículos. O bairro está sem luz desde o início da chuva. Na mesma região, a Avenida JK apresentou diversos pontos de alagamento, causando retenções no trânsito. 

Na mesma via, a força do vento derrubou um banner de uma escola infantil sobre a fiação na esquina com a Rua Carolina Furtado Dutra. O impacto fez com que parte da rede elétrica se rompesse. A escola ficou sem luz por cerca de três horas. As atividades tiveram que ser suspensas. Um posto de combustível na região teve parte de sua cobertura arrancada pela força do vento.

 

Alagamentos

O Bairro Granbery voltou a sofrer nesta sexta com pontos de alagamentos. O acúmulo de água assustou motoristas e pedestres nas ruas Santos Dumont, Ambrósio Braga e Barão de Santa Helena. Já na Sampaio, interseção com a Avenida Rio Branco, as bocas de lobo não deram vazão, e as inundações prejudicaram o trânsito de automóveis. Casos semelhantes foram observados na Avenida Olegário Maciel, altura do Bairro Paineiras, e na Rua Paracatu, em frente ao Quintas da Avenida, Zona Nordeste, onde poucos veículos se arriscaram a passar. 

 

Ruas danificadas e risco de desabamento após temporal de 5ª

 

Antes do temporal que atingiu Juiz de Fora na tarde desta sexta, uma tempestade já havia colocado fim à estiagem de 14 dias na noite de quinta-feira. Após esta chuva, a Defesa Civil registrou oito ocorrências. As chamadas foram atendidas nos bairros Bonfim, na Zona Leste; Ipiranga, São Mateus, Jardim Olímpia e Teixeiras, na região Sul; Nova Era, na região Norte; Nova Germânia, na Cidade Alta; e Parque Burnier, na Zona Sudeste. Entre as ocorrências estão uma ameaça de desabamento de edificação, duas ruas danificadas, três ameaças de escorregamento de talude, uma orientação e uma avaliação. Ainda de acordo com a pasta, engenheiros visitaram todos os locais para fazer o acompanhamento da situação. O Corpo de Bombeiros também não registrou nenhum fato grave.  

 Entre os resultados deixados estão um rompimento de cabo de energia na região do Salvaterra. Os ventos e raios provocaram o incidente e fizeram com que os moradores ficassem sem luz por duas horas e 13 minutos. A queda de uma árvore também deixou o trânsito impedido nesta sexta pela manhã na Rua Oscar Vidal, no Centro. A Settra recebeu o chamado por volta das 8h e interrompeu o tráfego na via para a retirada das partes que obstruíam a passagem de veículos. 

  Algumas regiões tiveram problemas agravados. É o caso de uma cratera na Rua Fausto Machado, no São Sebastião, região Leste. Moradores reclamam que um serviço já havia sido realizado na quarta-feira, mas, após a tempestade, o asfalto se abriu novamente. A situação dificulta o tráfego e impede a passagem dos coletivos das linhas 430, 431, 432, 433 e 434. A assessoria de comunicação da Settra informa que, quando o reparo for feito, tudo será normalizado. 

  No final da Rua C, no Alto do Bela Aurora, Zona Sul, problemas antigos, não resolvidos, estão se tornando piores. Segundo o morador Renato Rodrigues, 76 anos, o esgoto das casas do entorno é jogado em um buraco em frente a sua residência. A situação acaba provocando alagamentos. 

 

JF é a 5º do país em incidência de raios

Na tempestade de quinta-feira, a quantidade e a intensidade dos raios impressionaram. De acordo com a Cemig, foram contabilizadas 62 descargas elétricas na cidade em apenas uma hora. O número chama atenção, principalmente porque Juiz de Fora é um dos municípios onde o fenômeno ocorre com mais frequência no país, ficando na quinta colocação. No estado, é o primeiro. Estes dados são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e aponta que, em média, a cidade recebe 17,03 raios por quilômetro quadrado. Conforme a Cemig, esta realidade é explicada pela topografia da região e também por características climáticas, como temperaturas elevadas, alta umidade e influências constantes de passagens de frentes frias. No caso de quinta, segundo o meteorologista da companhia elétrica Geraldo Moreira da Paixão, o fenômeno ocorreu pelo encontro das massas de ar frio com a de ar quente, que até então causava altas temperaturas em toda a região.

Segundo o Elat, a força típica de um raio é equivalente a 30 mil ampere, correspondendo a mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico. Por isso, ser atingido por um raio é, muitas vezes, fatal. No país, morrem cerca de 130 pessoas vítimas das descargas por ano, mas em Juiz de Fora, o último óbito foi registrado em 2001. Neste período chuvoso, um homem de 22 anos perdeu a vida em Astolfo Dutra, na Zona da Mata, após sofrer uma descarga durante uma tempestade. O caso ocorreu no dia 4 de outubro do ano passado.

Além de Juiz de Fora, outros municípios da região aparecem nas primeiras colocações no ranking nacional. É o caso de Belmiro Braga (6º), Matias Barbosa (7º), Rio Preto (8º), Piau (9º) Coronel Pacheco (11º), Chácara (17º), Santa Bárbara do Monte Verde (22º), Ewbank da Câmara (23º) e Santos Dumont (24º). No ranking nacional, aparecem nos primeiros lugares quatro municípios do Estado do Rio de Janeiro. São eles Porto Real, Barra do Piraí, Valença e Rio das Flores.

Galeria de Imagens

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que os resultados do programa "Olho vivo" vão inibir crimes nos locais onde estão as câmeras?