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11 de Dezembro de 2013 - 07:00

Em uma hora, choveu 50 milímetros, o equivalente a 15% do esperado para todo o mês; houve alagamentos em vários pontos e o trânsito se transformou em caos

Por Tribuna

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Árvore caiu na Rua Paraná, no Poço Rico
Árvore caiu na Rua Paraná, no Poço Rico
Rua Barão de Santa Helena, no Granbery, ficou quase intransitável
Rua Barão de Santa Helena, no Granbery, ficou quase intransitável

A forte chuva que caiu na cidade no final da tarde desta terça-feira (10) deixou a região central alagada, comprometeu o funcionamento do comércio, com shoppings e agências bancárias inundados, impediu o trânsito de veículos em várias ruas, espalhou lixo por toda a parte e provocou interrupção da energia. Rajadas de ventos de até 91km/h derrubaram árvores em várias regiões. Em uma hora, choveu 50 milímetros, o equivalente a 15% do esperado para todo o mês de dezembro. Neste período, a Defesa Civil atendeu a nove ocorrências, como quedas de árvores, escorregamento de talude e destelhamento. Duas horas após o fim da chuva, o trânsito na região central ainda estava o caos. Segundo a assessoria da Settra, pontos de alagamento em diversas ruas e a interrupção de alguns sinais provocaram congestionamentos. (Veja aqui mais imagens desta terça-feira)

Com poucos minutos de chuva, a Avenida Presidente Itamar Franco, em frente ao colégio Stella Matutina, já estava alagada. Sacos de lixo que aguardavam a coleta noturna foram levados pela enxurrada. Latões dos prédios vizinhos foram empurrados para o meio da pista, atrapalhando o trânsito. Próximo dali, no cruzamento da Rua Sampaio com a Avenida Rio Branco, a água chegou a entrar na agência do Banco do Brasil e em uma padaria. A faixa à direita no sentido Bom Pastor/Centro ficou intransitável, deixando o fluxo de veículos em meia pista.

No Brás Shopping, de acordo com relato de clientes, a água entrava pela Rua Espírito Santo e saía pela Brás Bernardino, tomando todo o primeiro piso. A aposentada Sônia Oliveira disse que ela e outros clientes precisaram subir para o segundo andar para se proteger. Proprietária de uma loja no shopping há 14 anos, Maria Cristina Ayub conta que foi um momento desesperador. "Estava sozinha, e a água que descia pela Espírito Santo foi entrando. Tinha muita lama, e eu não dava conta de arrastar as coisas. Daí algumas pessoas foram surgindo na loja para me ajudar. Algo precisa ser feito. E, se isso voltar a acontecer no Natal, irá prejudicar demais as vendas, estou desesperada." Entre o prejuízo ainda não contabilizado pela proprietária, está parte dos produtos que estavam na geladeira, além de caixas e outros artigos da loja. Um mutirão foi formado pelos funcionários do shopping para ajudar na limpeza das lojas.

O problema se repetiu no Santa Cruz Shopping. A proprietária de uma das lojas, Fernanda Medeiros, comentou que a água subiu cerca de 40 centímetros. "Tive prejuízos. Perdemos dois fardos de roupas que molharam completamente. Outros lojistas próximos também perderam mercadorias", declarou a comerciante. Já no Mister Shopping, na Rua Mister Moore, foi a falta de energia que obrigou os lojistas a fecharem as portas.

No Poço Rico, Zona Sudeste, a enxurrada que desceu da Rua Viscondessa Cavalcanti, ao lado do Cemitério Municipal, alagou a Rua Osório de Almeida, prejudicando o trânsito de veículos no sentido Vila Ideal. Já na Rua Paraná, próximo ao número 199, uma árvore de grande porte se desprendeu do solo e ficou atravessada no asfalto. O Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar o corte e, até o fechamento desta edição, aguardava a chegada de uma equipe da Cemig para interromper a energia naquela área.

Na Vila Ozanan, foi registrado um destelhamento parcial de um imóvel na Rua Tupynambás. E na Rua Pedro Trogo, no Bairro Santo Antônio, a Defesa Civil atendeu ocorrência de alagamento.

No Bairro Granbery, região central, a força da água arrancou parte do asfalto da Rua Barão de Santa Helena, em frente ao Pelotão de Trânsito da PM. Pontos de alagamento também foram registrados nas ruas Princesa Isabel e Santos Dumont.

 

Zona Sul

A Rua Doutor José Cesário, no Alto dos Passos, Zona Sul, próximo à Unipac, transformou-se em um rio. Carros estacionados ficaram praticamente submersos. O problema foi ainda mais intenso no cruzamento com a Rua Severino Meireles. De acordo com os moradores da região, a situação é antiga e se repete sempre que chove muito.

A água na Severino Meireles também atingiu parte da lavanderia do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, não houve interrupção nos atendimentos e nenhum material foi danificado. A pasta informou que vai entrar em contato com a Secretaria de Obras para que seja feita uma avaliação no local e levantar se é possível fazer alguma intervenção para que problema não volte a ocorrer.

Pelo Facebook, internautas relatavam a situação da Rua Moraes e Castro, em frente à Tavares Bastos, em São Mateus.

Segundo as postagens, o problema teria sido causado pelo entupimento da rede de captação de águas. Comerciantes teriam tido prejuízos.

Na Rua Guaçuí, em São Mateus, foi registrada uma queda de muro em frente ao número 278. Já na Rua José Barbosa, uma árvore foi derrubada, o que teria impedido a passagem de veículos na via, segundo a Defesa Civil. Na Rua Ana Moreira, em frente ao 132, no Ipiranga, outra árvore caiu.

 

Cidade Alta

A falta de energia atingiu boa parte do moradores da Cidade Alta. Pontos de alagamentos foram registrados na Rua José Kirchmaier e na Avenida Senhor dos Passos, no São Pedro. Na Rua José Lourenço, no Borboleta, houve um escorregamento de talude em frente ao número 80.

No Dom Bosco, a dona de casa Ana Paula da Silva Motta, 20 anos, e o filho de 1 precisaram deixar às pressas a residência na Rua João Beghelli 118. Segundo a família, a caixa de água pluvial que fica dentro do terreno entupiu, e a água entrou dentro da casa.

 

Trânsito

Pontos de alagamentos em várias ruas da região central, além de sinais apagados, provocaram o caos no trânsito em horário de pico, com congestionamentos em vias importantes. Motoristas precisaram ter paciência na volta para a casa. O funcionário público Gustavo Toledo levou 40 minutos para cruzar o Viaduto Augusto Franco, sentido Carlos Otto/Praça Antônio Carlos. Para chegar até a Itamar Franco, na altura da Rua Carlos Chagas, ele gastou mais 20 minutos. "Depois que passou a Rio Branco, o trânsito fluiu melhor."

A Settra precisou interditar o fluxo no trecho da Avenida dos Andradas esquina com Rua Benjamin Guimarães, no Mariano Procópio, por causa do alagamento. Equipes da secretaria também controlaram o trânsito de veículos no Mergulhão, que ficou inundado, e atuaram nos cruzamentos onde os sinais ficaram intermitentes.

A assessoria da Cemig informou que os problemas na rede de energia começaram por volta das 17h30, devido aos ventos fortes e descargas atmosféricas. Na região central, o abastecimento foi comprometido devido a uma falha na rede subterrânea. Até o fechamento desta edição, vários bairros e parte da região central permaneciam sem luz.

 

Previsão

De acordo com o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a instabilidade é causada pela aproximação de uma frente fria sobre o litoral Sudeste do país, que causa reflexos em parte de Minas Gerais. Para esta quarta, a previsão é de fortes pancadas de chuvas para Juiz de Fora e toda a Zona da Mata. Conforme o MG Tempo, da Cemig, o volume de precipitações pode chegar a 37,9 milímetros nesta quarta. Já a temperatura máxima deve sofrer declínio. Na cidade, os termômetros devem oscilar entre 20 e 27 graus, sendo que nesta terça a mínima registrada foi de 20, com máxima de 31,1 graus.

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