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02 de Dezembro de 2013 - 22:30

Trinta e quatro pessoas tiveram que deixar suas casas; previsão é de mais chuva até esta quarta-feira

Por Eduardo Valente, Sandra Zanella e Nathália Carvalho

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Trinta e quatro pessoas precisaram deixar suas casas em virtude das fortes chuvas que atingem a cidade desde a tarde do último sábado. Entre a madrugada de domingo e 18h desta segunda-feira (2), período que as precipitações se intensificaram, a Defesa Civil realizou 126 atendimentos. Algumas famílias passaram a noite em claro e, mesmo assim, não conseguiram salvar seus pertences. Embora a maioria dos chamados tenha sido por ameaça de escorregamento de talude (45 no total), os pontos de alagamentos chamaram a atenção. Estes foram os casos dos bairros Santos Dumont, na Cidade Alta, Santa Luzia, na região Sul, e Industrial, na Zona Norte, onde os córregos transbordaram, e o da Avenida Deusdedit Salgado, em frente ao Parque da Lajinha. Segundo a Defesa Civil, a altura da água do Rio Paraibuna chegou a 3 metros no domingo, sendo que a média de ocupação do leito é de 1,2 metro. A situação deixa as autoridades em alerta, principalmente porque a previsão é de mais chuvas até esta quarta-feira. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre domingo e o início da noite de segunda já havia chovido 33% do esperado para dezembro (ver quadro).

No Bosque do Imperador, Cidade Alta, a cheia do Córrego São Pedro fez com que os fundos de várias casas da Avenida Manoel Vaz de Magalhães fossem tomados pela água. "Moro aqui há 14 anos, e isso nunca havia acontecido", disse a dona de casa Maria da Glória Janenick. "A última limpeza que fizeram nesse trecho do córrego foi há sete anos." Outra moradora, que preferiu não se identificar, contou que parte do interior de sua residência foi inundada. "Passei a noite vigiando." Ainda na Cidade Alta, moradores da Rua Jair Pereira, no Bairro Santos Dumont, ficaram sem dormir. O córrego que passa nos fundos da rua transbordou, inundando as residências. Algumas foram tomadas por meio metro de água. Luana Reis, 25, teve que sair às pressas do imóvel com os filhos de 8 meses e 3 anos. Ela se abrigou na casa de vizinhos e, ao retornar, havia perdido tudo.

Segundo as vítimas, o problema seria recorrente desde as obras da BR-440. "Molhou minha casa toda, fiquei até de madrugada tirando lama. Minha geladeira tombou com a força da água, e perdemos tudo. Também molhou o sofá, que estou pagando a quarta, de dez prestações. O antigo havia perdido em outra enchente", disse emocionada a copeira Lucimar Medeiros, 52.

De acordo com o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Deotti, não é possível avaliar se os alagamentos foram causados pelas obras da rodovia. Ele afirma que a hipótese mais provável é realmente a grande quantidade de chuvas. "Devemos salientar que esta foi a primeira grande chuva do período, quando as calhas ainda estão muito obstruídas por conta do lixo acumulado. Acreditamos que agora, com o decorrer do verão, situações como essas não voltem a ocorrer."

 

Zona Norte

O Bairro Industrial, na Zona Norte, também voltou a sofrer com inundações, apesar das intervenções feitas para evitar o transbordamento do Córrego Humaitá, que corta a Avenida Lúcio Bittencourt. Moradores da via ficaram ilhados, assim como os das ruas Tomaz Cameron e Henrique Simões. Moradora da Lúcio Bittencourt, Márcia Alves, 40, disse que a água não chegou a invadir as casas, mas ocupou a varanda da residência. "Se chover forte de novo, com certeza vai entrar." Ela contou que uma sobrinha de 19 anos precisou sair para trabalhar na manhã desta segunda e andou com água até a altura da coxa. Dono de uma loja de autopeças na Henrique Simões, José Eduardo de Abreu, 61, contou que um caminhão ficou agarrado em meio ao alagamento. "Todo ano acontece isso, porque a água do rio volta, não dá vazão", disse o comerciante, referindo-se ao nível do Paraibuna, que chegou praticamente na altura do asfalto, no trecho que corta o Industrial. Na avaliação de outro morador, o publicitário Erick Wagner Calzavara, 40, que mora no local há 38 anos, o nível do rio nunca esteve tão alto. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras, a situação do bairro é avaliada dentro do plano de drenagem de águas pluviais, que faz parte do Plano de Saneamento Básico, atualmente em estudo.

Já no Bairro Novo Triunfo, também na Zona Norte, ruas ficaram alagadas e acumularam barro. Segundo o aposentado Mauro Bittar, 64, o motivo está relacionado com obras, que também provocaram erosões no asfalto. Os pontos críticos são nas ruas Jacy de Assis, Mozart Teixeira Filho e Maria Carlota Bastos. "As crianças do bairro estão precisando andar cerca de 600 metros a mais para poder ir pra escola, porque está intransitável no local. Um comerciante do bairro perdeu mercadoria porque o barro está obstruindo a entrada do mercado."

 

 

Pista da Itamar Franco tem trecho interditado

Uma das pistas de descida da Avenida Itamar Franco está interditada desde a noite de domingo, entre o entroncamento com a Avenida Doutor Paulo Japiassu Coelho, no Cascatinha, até a altura do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, Zona Sul. Segundo a Defesa Civil, a manilha da rede de drenagem estourou, causando a erosão. Na manhã desta segunda, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) esteve no local para avaliar a situação, e equipes trabalham para reparar os danos.

No Granjas Bethânia, região Nordeste, uma obra de substituição de rede de esgoto da Cesama acabou comprometendo o asfalto da Avenida Juiz de Fora. Próximo ao cruzamento com a Rua João Rosa Araújo, motoristas eram obrigados a reduzir a velocidade pela quantidade de crateras e areia na pista. No local, os buracos estavam cobertos d'água e comprometiam o fluxo de veículos. De acordo com a assessoria da Cesama, a forte chuva dos últimos dias ocasionou o problema e a obra ainda está sendo executada. Nesta segunda, técnicos da pasta trabalharam para recuperação da pista.

 

Prejuízos

Além dos alagamentos, um dos casos mais graves registrados nesta segunda pela Defesa Civil foi o de um imóvel na Rua Isabel Pierre Feital 590, no Grajaú, região Leste, que precisou ser interditado após vistoria. Trincas começaram a surgir no chão e na parede da residência, onde mora um casal, depois do rompimento de parte de um barranco no terreno ao lado. Conforme a moradora Norma Suely Silva Chaves, 55 anos, o problema teria se iniciado na madrugada, quando ela ouviu um forte barulho. No fim da tarde, a Defesa Civil esteve no local, com o Corpo de Bombeiros, e providenciou a colocação de lona para isolar o talude. Já a família foi orientada por assistentes sociais da Prefeitura.

Na Rua Irmã Hemerenciana, no Retiro, região Sudeste, parte da parede e da laje de uma residência desabou domingo. Segundo a moradora Ester Lourenço, 28, ninguém ficou ferido. Nesta segunda, técnicos da Defesa Civil trabalhavam no local. Na Rua Jesus Raimundo, próximo ao número 291, no Teixeiras, Zona Sul, houve um rompimento de rede, e a Cesama precisou realizar reparos.

No sábado, parte de uma casa desabou na Rua João Luiz Alves, na Vila Ideal, Zona Sudeste. O imóvel, número 41, deslizou e atingiu outra residência, localizada abaixo. Segundo a diarista Maria Efigênia Dacima, 47, com o acidente, ela e outras dez pessoas ficaram desalojadas. "Estávamos em casa e, quando ouvimos os barulhos, conseguimos escapar pelo escadão. Perdemos máquina de lavar, geladeira e outros objetos."

 

Sem energia

Um apagão também foi registrado no Alto dos Passos, na Zona Sul. Por volta das 18h desta segunda, um problema registrado em um transformador entre as ruas Barão de São Marcelino e Moraes e Castro deixou cerca de 260 consumidores sem energia elétrica, segundo a assessoria de comunicação da Cemig. Até o fechamento desta edição, por volta das 21h, uma equipe ainda seria enviada ao local para solucionar o defeito. Ainda de acordo com a companhia, as causas ainda não haviam sido identificadas, porém a suspensão pode estar atrelada à chuva.

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