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06 de Fevereiro de 2013 - 16:45

Avalanche desceu por volta das 23h, destruindo parcialmente duas casas e atingindo outras duas

Por Sandra Zanella e Fernanda Sanglard

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Barranco deslizou por volta das 23h desta terça-feira
Barranco deslizou por volta das 23h desta terça-feira

 Atualizada às 21h19

As chuvas da noite de terça-feira (5) e da madrugada de quarta (6) acarretaram em uma série de problemas na cidade e em uma morte no município vizinho de Santos Dumont. Com este caso, Minas Gerais já soma 23 vítimas fatais desde que este período chuvoso começou, no fim de setembro do ano passado. Apenas este ano, foram seis mortes em decorrência de deslizamentos de terra, enxurradas e descarga atmosférica (ver quadro), conforme o último boletim da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). 

Somente entre a noite de terça-feira e o fim da tarde de quarta, foram 38 ocorrências atendidas pela Defesa Civil local em 20 bairros de Juiz de Fora, quando choveu o correspondente a 32 milímetros. Um dos casos mais graves foi o deslizamento de terra que destruiu parcialmente duas residências e deixou, pelo menos, outras duas casas sob risco de desabamento no Bairro Linhares, Zona Leste. Por volta das 23h de terça-feira, durante a forte chuva, residentes na Rua Diva Garcia foram surpreendidos por uma "avalanche" de lama, que desceu da encosta, com cerca de nove metros de altura, situada entre a via e a Rua do Boto. Os cerca de cem metros cúbicos de terra obstruíram a Diva Garcia e destruíram as paredes da residência localizada no número 3.293, danificando um quarto e uma sala. A terra ainda desceu por um beco de acesso ao imóvel ao lado, altura do número 3.295, e quebrou as janelas dos cômodos atingidos, que ficam abaixo do nível da rua.

Assustados, os moradores se protegeram nos fundos das residências, já que a escuridão e a via tomada pela lama dificultavam a saída. Na Rua do Boto, uma idosa acamada precisou ser resgatada pelo Samu, sendo levada para a casa de parentes, diante do risco iminente de desabamento. Apesar da gravidade da ocorrência, ninguém ficou ferido. Na manhã de quarta, uma equipe da Defesa Civil esteve no local para verificar a situação à luz do dia e fazer as interdições e remoções de moradores necessárias. A Secretaria de Obras deslocou máquinas e caminhões para a retirada da terra e liberação da pista, que ficou interditada próximo ao acesso do complexo penitenciário de Linhares. 

Na manhã de quarta, moradores do bairro afetados pelo desastre tentavam contabilizar prejuízos e resgatar objetos em meio aos escombros. O aposentado Gilson Mattos, 62 anos, lamentou os danos na casa de dois andares, onde mora há sete anos com a esposa, 52, e um casal de filhos. "Estava na sala e não entendi nada. Quando vi, já estava sendo empurrado pela terra. Foi Deus quem me salvou. Por sorte, meu filho está na escola de marinheiro, senão tinha morrido, porque o quarto dele foi destruído. Perdi cama, colchão, tudo novo." Segundo o aposentado, essa não foi a primeira vez que o barranco deslizou. "Na outra, só quebrou o muro, e foi essa estrutura que segurou um pouco a terra agora. Vamos ficar nos cômodos dos fundos, porque não temos para onde ir."

Os vizinhos de Gilson também ficaram apavorados com o deslizamento que afetou os cômodos abaixo do nível da rua. "Chovia muito. Por sorte, meu tio não estava no quarto quando a terra entrou. Eu estava na sala e ouvi um barulhão. Um vidro (da janela) bateu na minha nuca e, depois, nas minhas costas. Vi a terra e meu pai chorando", contou a jovem Monique Guedes Alves. "A Defesa Civil falou para a gente sair o mais rápido possível, mas ainda não sabemos o que vamos fazer. Perdemos móveis, roupas de cama e mantimentos. Estou acordada até agora", revelou pela manhã. 

Segundo a Defesa Civil, 23 das 38 ocorrências entre 19h de terça-feira e 18h30 de quarta foram registradas na região Leste, onde dez pessoas ficaram desalojadas, sendo sete no Linhares e três no Bairro Santa Rita, que teve registro de alagamento. Segundo a Defesa Civil, o problema no Santa Rita foi devido a obstrução na rede de águas pluviais. O órgão informou que o entupimento foi causado por galhos de árvores. Em todas as situações, as pessoas foram acomodadas em casas de parentes. As zonas Nordeste, Sudeste, Norte e Sul também entraram nas estatísticas, e os principais problemas englobam deslizamentos de terra, orientações técnicas, ameaças de escorregamento, inundações e alagamentos, como o que ocorreu na Escola Municipal Professora Edith Merhey, Bairro Santo Antônio, região Sudeste. A escola amanheceu com as salas tomadas pela água. Um mutirão de limpeza será feito na manhã desta quinta. Por conta disso, a unidade não funciona neste turno, conforme informações da assessoria de comunicação da Prefeitura. 

 

Retroescavadeira da PJF retirava terra acumulada nos fundos da casa na Diva Garcia

 

Queda de barreira obstrui acessos

Das 38 ocorrências registradas em Juiz de Fora, a maioria, 11, foi referente a deslizamento de terra. Mas os escorregamentos não ficaram restritos à região urbana, já que atingiram trechos da Zona Rural e das estradas. Além dos imóveis atingidos e ameaçados, os escorregamentos causaram problemas nas estradas. Enquanto a região de Sarandira e Caeté ficou praticamente isolada na manhã de ontem, por conta de uma barreira que  interditou o acesso da BR-267 a essa localidade, a MG-133 teve diversos pontos atingidos, precisando funcionar em meia-pista em alguns trechos entre Juiz de Fora e Rio Pomba. Conforme informações da Polícia Militar Rodoviária, houve queda de barreira entre o km 22 e o 34. No entanto, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), o órgão foi comunicado, na manhã de ontem, e providenciou reparo imediato, sendo que, no final da tarde, a estrada já havia sido liberada. Em relação aos trechos da BR-267 e da BR-040 que cortam a região, a Polícia Rodoviária Federal e a unidade do Dnit em Minas informam que o tráfego está normal.

 

Previsão do tempo

De acordo com o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta quinta é de temporais na região. Mas, de acordo com o meteorologista Claudemir de Azevedo, a partir de sexta-feira, e, durante o final de semana de carnaval, as chuvas devem diminuir. "A previsão é que ocorram apenas pancadas no fim da tarde." Hoje a temperatura deve variar entre 16 e 31 graus, e, na sexta-feira, entre 19 e 26 graus.

Já a precipitação ocorrida na noite de terça-feira e madrugada de quarta foi causada por intensificação das áreas de instabilidade, associada a uma frente fria. 

 

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