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13 de Junho de 2014 - 07:00

Sessão extraordinária do Tribunal de Justiça de Minas vai definir nesta sexta se magistrado Amaury de Lima e Souza será mantido preso

Por Daniela Arbex e Michele Meireles

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O juiz Amaury de Lima e Souza está detido na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele teve o flagrante por porte de armamento de uso restrito ratificado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que autorizou a investigação de condutas em tese delituosas atribuídas ao magistrado. Afastado das suas funções na Vara de Execuções Criminais de Juiz de Fora, o magistrado foi levado para Belo Horizonte na madrugada de quinta-feira (12), depois de a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão em dois imóveis de Juiz de Fora localizados nos bairros Alto dos Passos e Graminha, na Zona Sul. Nesta sexta, o TJMG decidirá, em sessão extraordinária, se ele será mantido preso. Já foi feita consulta de vaga na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, para onde o juiz poderá ser conduzido, mas ainda cabe recurso da defesa.

No Sítio Santa Rosa, em Juiz de Fora, os policiais federais encontraram um cômodo "forte" com arma de uso restrito, silenciadores e farto equipamento para recarga de munição 9 milímetros, além de outras armas sem registro. Também apreenderam um Chevrolet Camaro avaliado em cerca de R$ 200 mil, além de outros veículos de luxo. A operação foi iniciada ainda no fim da tarde de quarta-feira, em edifício localizado na Rua Morais e Castro, no Alto dos Passos, e acompanhada pelo juiz auxiliar da Corregedoria de Belo Horizonte, Sérgio André da Fonseca Xavier. O trabalho se estendeu pela madrugada, quando o juiz foi conduzido do sítio onde estava, no Graminha, em carro da Polícia Federal para a capital mineira, permanecendo na Superintendência do órgão até o início da manhã desta quinta-feira.

 

Operação "Luiz XVI"

Amaury já estava sendo investigado pela Polícia Federal há quase um ano na operação batizada de "Luis XVI", que apura a ligação do juiz com a advogada Andrea Elizabeth de Leão Rodrigues, defensora de membros do crime organizado. A Tribuna teve acesso, com exclusividade, a imagens do encontro. Os dois foram filmados juntos em um hotel da cidade, há cerca de dois meses, logo após Andrea se encontrar no mesmo hotel com Álvaro Daniel Roberto, sentenciado por tráfico de drogas no Ceará, onde ele cumpria pena na Casa de Privação Provisória de Liberdade Luciano Andrade. Andrea também esteve, no mesmo dia e local, com Peterson Pereira Moreira, o "Zói", um dos irmãos Metralha, envolvido com o tráfico de drogas no município.

Álvaro Daniel foi transferido no início do ano para Juiz de Fora, após liminar ser deferida pelo juiz Amaury, que solicitou uma vaga à Superintendência de Articulação Institucional e Gestão de Vagas do Estado de Minas. Mesmo o órgão negando a existência de vagas disponíveis, a defesa do sentenciado impetrou mandado de segurança contra a Superintendência, órgão da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Mesmo com o Estado sustentando a impossibilidade de receber o preso, cuja transferência foi considerada de risco para a segurança pública, a liminar determinou imediata vinda de Álvaro Daniel para a Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, no município, sob alegação de razões familiares.

Álvaro foi flagrado se hospedando no hotel onde manteve contato com sua advogada Andrea, horas antes de ela se encontrar no local com o magistrado. Três das cinco pessoas que aparecem nas filmagens, feitas em março deste ano, foram presas na operação 'Athos', deflagrada na última terça-feira em seis estados brasileiros. Dos 22 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, 12 foram cumpridos na cidade, considerada a base de organização criminosa responsável por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Esse encontro está entre os investigados pela Polícia Federal na operação "Luiz XVI", cujo nome é uma alusão ao rei da França executado na guilhotina durante a Revolução Francesa.

 

 

Futuro da Vara de Execuções

Ainda na quinta-feira, o diretor do Foro de Juiz de Fora, Edir Guerson de Medeiros, manteve um encontro a portas fechadas com o juiz auxiliar da Corregedoria de Belo Horizonte, Sérgio André da Fonseca Xavier. No gabinete de Edir, eles conversaram sobre o futuro da Vara de Execuções Criminais. O diretor anunciou o nome dos quatro juízes que irão substituir o juiz afastado Amaury de Lima e Souza. No lugar dele ficarão os juízes Paulo Tristão Júnior, Cristina Thurler, Sônia Jordano e José Clemente. Todos tem atividades em outras varas, mas responderão pela Execuções Criminais com plena jurisdição. Edir Guerson vai fornecer suporte administrativo para reestruturar a vara que poderá sofrer transferência de funcionários ou receber novos servidores. Na próxima semana, o diretor do Foro se reunirá com os juízes que foram designados para o cargo, a fim de definir as novas metas a serem cumpridas.

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