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05 de Junho de 2014 - 15:13

Ação da Polícia Civil, na tarde desta quinta, chamou a atenção na Avenida Getúlio Vargas

Por Michele Meireles

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Produtos apreendidos foram levados para a delegacia
Produtos apreendidos foram levados para a delegacia

Atualizada às 21h30

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a venda de insumos para refino de drogas em dois estabelecimentos comerciais, uma farmácia e uma loja de produtos de agropecuária, no Centro de Juiz de Fora. Nos dois pontos, a equipe da Delegacia Especializada de Repressão a Grandes Roubos, Latrocínio e Antidrogas encontrou éter, lidocaína, sal amargo e ácido bórico, produtos comumente misturados à pasta base para que a mesma seja transformada em cocaína. De acordo com a delegada Patrícia Ribeiro, a suspeita é de que traficantes a cidade estavam comprando os materiais nos estabelecimentos. Conforme a Polícia Civil, cada quilo de pasta base, quando misturado aos materiais, rende cerca de cinco vezes mais. As ações no Centro chamaram atenção da população, que acompanhou o recolhimento dos produtos na Avenida Getúlio Vargas e na Rua Floriano Peixoto.

Segundo ela, a polícia chegou aos locais depois de cinco meses de investigação. "Além dos nossos levantamentos, na noite de ontem (quarta-feira), prendemos um homem, 32 anos, com cocaína e vasto material para refino, e ele afirmou que teria adquirido estes insumos nos dois estabelecimentos", comentou. Patrícia pontuou que ainda será investigado se os proprietários dessas lojas sabiam que os produtos vendidos iam para as mãos de traficantes.

Nesta quinta, investigadores da Especializada estiveram nos comércios e comprovaram a facilidade para a compra dos produtos. A ação policial foi filmada com uma câmera escondida por um agente que se passou por cliente (ver imagens abaixo). Na farmácia, que fica na Avenida Getúlio Vargas, o policial pediu seis tubos de lidocaína, que só pode ser vendido com receita médica, e quatro litros de éter. Sem solicitar receita, o vendedor entrega os produtos, e o investigador ainda pede que os coloque em uma caixa para não chamar a atenção. Na agropecuária, a cena é a mesma: o policial solicita 3kg de ácido bórico, que precisa de autorização para ser comprado, e, novamente, consegue fazer a compra. "Com esta facilidade para adquirir os insumos, os traficantes conseguem produzir muito mais entorpecente", destacou Patrícia Ribeiro.

Após as compras, policiais retornaram aos locais, junto com integrantes da Vigilância Sanitária Municipal, e apreenderam diversos itens. Na farmácia, foram encontrados 18 litros de éter comercial, 38 tubos do anestésico lidocaína e 140 caixas de sal amargo, cuja base é o sulfato de magnésio. Já na agropecuária, a quantidade de ácido bórico encontrada não foi divulgada. "Precisamos que o órgão responsável pela fiscalização da venda vá ao local fazer uma vistoria. Até que isto aconteça, o ácido bórico está retido no estabelecimento, ficando a venda proibida." O dono da farmácia, a farmacêutica responsável e o proprietária da loja de produtos agropecuários foram levados para a delegacia para prestar depoimento. Eles foram ouvidos e liberados em seguida. 

Conforme o chefe da Vigilância Sanitária Municipal, Lucas França, a farmácia foi interditada por motivo sanitário. "O fechamento não aconteceu por conta da investigação da Polícia Civil, mas sim porque o estoque estava mal acondicionado." Ele esclareceu que todo medicamento precisa de receita médica para ser comercializado, e que a farmácia não cumpriu esta determinação no caso flagrado pelos policiais. Sobre o éter encontrado, ele esclareceu que o produto vendido no local é do tipo comercial, utilizado para fazer remoção de adesivos. "Neste caso, a venda não é proibida e nem necessita de receituário. Já o éter na sua forma pura não pode ser comercializado." O dono da farmácia irá receber um auto de infração. Após fazer as adequações, o local poderá ser reaberto. 

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