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28 de Março de 2014 - 07:00

Moradores enfrentam problemas como falta de capina e iluminação, estruturas irregulares e sem corrimãos

Por Cíntia Charlene

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No Borboleta, chama atenção a situação dos degraus gastos e desnivelados
No Borboleta, chama atenção a situação dos degraus gastos e desnivelados
Segundo moradores do Sao Bernardo, local é usado como esconderijo por usuários de drogas
Segundo moradores do Sao Bernardo, local é usado como esconderijo por usuários de drogas
Mato alto e iluminação precária em escadão no Santa Cruz
Mato alto e iluminação precária em escadão no Santa Cruz
Na Vila Ideal, mãe com um bebê de um mês no colo chegou a caiu ao tropeçar no mato
Na Vila Ideal, mãe com um bebê de um mês no colo chegou a caiu ao tropeçar no mato

Atualizada às 10h27

Moradores que utilizam escadões para ter acesso a suas residências ou para encurtarem trajetos convivem com uma realidade precária em Juiz de Fora. A Tribuna percorreu algumas destas travessias em várias regiões da cidade. Na maioria dos lugares visitados, o que se viu foi mato alto, lixo espalhado, degraus irregulares e danificados, estruturas com problemas, falta de galerias pluviais, além de iluminação precária e ausência de corrimãos.

Na Rua José Lourenço, Travessa A, no Bairro Borboleta, Cidade Alta, apesar de a capina ter sido feita esta semana, chama atenção a situação dos degraus gastos e desnivelados. Como não há lixeiras na entrada da travessia, é possível notar sacos espalhados devido à presença de cachorros na rua. Segundo a comunidade, o local nunca havia recebido manutenção do Poder Público. Em alguns lugares da travessia, ao invés de cimento, o chão é de terra batida. Outro problema enfrentado pelos moradores é a iluminação precária. Diante disso, em um determinado ponto, a travessia precisa ser feita no escuro. As árvores sem poda contribuem para aumentar a escuridão do espaço.

A aposentada Sonia Maria dos Santos, 63 anos, tem artrose nos joelhos e, para andar, precisa usar muletas. "É um sacrifício. Gasto no mínimo duas horas para chegar em casa. Quando chove, é pior ainda, levo ainda mais tempo." A doméstica Maria Aparecida Ferreira Maia, 49, explica que se sente lesada. "Quando tem eleição, fazemos questão de votar, acho que eles também deviam fazer questão de nos ajudar." A dona de casa Ana Matheus da Silva, 68, só sai em caso de necessidade. "Tenho dificuldades para subir, tem partes que preciso levantar mais o pé para alcançar os degraus, não tem segurança nenhuma. Acho que a escada precisa de um corrimão."

A Prefeitura informou, por meio da Secretaria de Obras, que "existe uma emenda parlamentar específica para este escadão. Com isso, o local será contemplado não apenas com a colocação de corrimão, mas também com melhorias em toda a sua estrutura.

Na Vila Ideal, Zona Sudeste, a situação não é diferente. O escadão localizado entre as ruas Alexandre Joaquim Siqueira e João Luiz Alves também precisa de reparo urgente. No último dia 11, uma mulher com a filha de 1 mês no colo caiu ao tropeçar no mato. Na queda, ela não conseguiu segurar a criança, que bateu a cabeça na escada. "Foi um desespero, ralei os braços e as pernas. Felizmente, ela (a filha) está bem. Usamos direto o escadão, principalmente para levar as crianças na escola", conta Lorrane Silva de Oliveira, 19.  A mãe da jovem, Cristina Teixeira da Silva, 45, que ajudou a socorrer o bebê conta que melhorias na travessia já foram solicitadas, mas nada foi feito. "Às vezes, desço com uma faca para ir cortando o mato. Tem uma parte da escada que precisa de um muro de proteção. Se não tiverem cuidado, as crianças passam direito, é muito perigoso."

Sobre a situação revelada pelos moradores, a Administração Municipal informou que "a Secretaria de Obras fez o cadastramento dos escadões de toda a cidade, com o objetivo de abrir licitação para contratação de uma empresa para instalação de corrimão. O processo licitatório está em fase de assinatura de contrato, e o local será contemplado." Sobre a possibilidade de instalar um muro de proteção, o órgão explicou que o problema pode ser resolvido com corrimão e guarda-corpo, que também devem ser instalados. 

 

Percurso intransitável em dias de chuva

No São Judas Tadeu, na Zona Norte, o escadão entre as ruas Sinval Ladeira Neves e Luiz Vilani precisou cair para que uma providência fosse tomada. De acordo com a vizinhança, a travessia apresentava buracos, que aumentaram com a chuva. Por conta disso, o acesso foi fechado. A Prefeitura foi acionada, e o local passa por reparos. A comunidade utiliza outro escadão, entre as ruas Sinval Ladeira Neves e Paulo Lutterback Abreu. No entanto, a travessia também enfrenta problemas, o maior deles é a falta de galerias de águas pluviais. Usuários contam que, quando chove, o percurso fica intransitável. "Em época de chuva, a água desce direto pela escada. Fica difícil até de as crianças irem à escola", conta a doméstica Regina da Silva, 45.

A moradora Sueli Vital de Paula e Silva, 46, diz que foi a comunidade quem construiu o acesso. "Quando cheguei aqui, tinha só um trilho. Meu marido e alguns vizinhos fizeram mutirão para levantar o escadão. A iluminação só foi implantada depois de um abaixo-assinado. Antes descíamos no escuro. Se pudessem colocar mais um poste de luz, iria ajudar." A aposentada Ednéia Mendes do Nascimento, 56, reclama da falta de capina. "O mato está alto, tem muito inseto, cobra e rato."  Segundo a Prefeitura, um engenheiro da Secretaria de Obras vai ao local hoje para avaliar a situação.

Na Zona Leste, o problema é vivido por moradores da Travessa Nativa Gripp Pereira, que liga as ruas Cesário Alvim e São Bernardo. Entre as travessias visitadas, este é o único escadão que não tem moradias em suas laterais. Ele serve apenas como passagem. O maior agravante para quem utiliza a área é um recuo que dá acesso a um terreno coberto por mato. Segundo pedestres, o local é usado como esconderijo por usuários de drogas. Muitas pessoas evitam a área. "Passo pelo escadão para levar minha filha à escola. O local é usado como banheiro e por pessoas que consomem drogas. Isso a qualquer hora do dia ou da noite", conta uma assistente social, 36, que preferiu não se identificar. Uma cabeleireira, 27, mora no Santos Anjos e utiliza a travessia para trabalhar no São Bernardo. "É muito prático usar o escadão, já que não preciso dar a volta e gastar mais tempo. Mas, a iluminação à noite, e os postes nem sempre acendem. Acho que o escadão devia ser murado." Um morador, 35, que também não quer ser identificado reclama da falta de manutenção da rua. " Outro problema é o chão de terra da travessa. Pedimos à Prefeitura para asfaltar, e eles nos disseram que o ponto não estava no plano de asfaltamento."

Em nota a assessoria do órgão informou que o pedido de asfalto será analisado. Em relação à estrutura do escadão, a PJF deve reavaliar a situação, pois alguns moradores solicitavam a demolição da travessia e outros, a reforma da mesma. 

Sobre a iluminação precária em quase todos os escadões visitados, a informação é de que  foi liberada verba para melhorias. Os serviços estão sendo executados conforme as demandas existentes no sistema, e o escadão entre as ruas Sinval Ladeira Neves e Luiz Vilani foi um dos contemplados. Uma equipe técnica da Empav fará vistoria nos locais citados pela Tribuna para que as providências necessárias sejam tomadas.

Em relação aos terrenos baldios com lixo ou mato alto, a informação é de que a Secretaria de Atividades Urbanas abriu ordem de serviço para que fiscais possam fazer uma série de levantamentos, como: responsável pelo terreno, que será acionado para tomar as medidas necessárias, se há necessidade somente de limpeza, se precisa de cercamento, entre outras informações. Ainda conforme a Prefeitura, o Demlurb designou uma equipe para reforçar o trabalho de manutenção dos escadões. O acesso da Rua Miguel Marinho, no Santa Cruz, por exemplo, já passou por roçada e deve receber capina. Além disso, hoje será iniciada uma frente de trabalho no escadão que liga as ruas Joaquim Apolinário e José Cerqueira, no Bela Aurora. 

 
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