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19 de maio de 2017 - 07:00

Como será o amanhã?

Presidente diz que não renuncia, mas este é um velho mantra do poder quando acuado; ele terá que provar sua inocência com fatos, algo difícil quando há gravações
Por Tribuna

O grampo que pegou o presidente Michel Temer e o senador – agora afastado – Aécio Neves lançou o país num cenário de incertezas. A bolsa de valores passou por paralisações pontuais, para evitar quedas abruptas, e as moedas estrangeiras subiram de cotação em função do seguro feito por alguns setores, temendo danos à economia nacional. O futuro, agora, é uma dúvida, uma vez que as denúncias do executivo da JBS vieram à tona num momento em que se respirava a expectativa de aquecimento da economia e de retomada do crescimento. A indagação recorrente é como será o amanhã ante tantas denúncias. As reformas ora na pauta do Congresso entraram em compasso de espera. O presidente da República segue o manual da negação, embora admita ter conversado com Joesley Batista sobre vários assuntos, mas diz que as denúncias estão fora de contexto. Mesmo assim, sua situação é crítica, quase insustentável ante a falta de base política no Congresso. No momento, há um salve-se quem puder e até aliados admitem tirar apoio do chefe do Governo.

A extensão das denúncias ainda é uma incógnita, mas já se sabe que elas não se esgotam no presidente e no senador, em razão, principalmente, do envolvimento do grupo com a instância política. Uma empresa do porte da JBS tem interesses em várias áreas e os políticos, por sua vez, gostam de vender facilidades em troca de financiamento. Se o afastamento do presidente chegar ao Congresso, e não houver mudanças na Constituição, a eleição do novo presidente será pela via indireta e feita por um parlamento sob suspeita, ou boa parte dele.
Os próximos dias serão emblemáticos e, é certo, não serão nada fáceis, já que as ruas, certamente, também entrarão em cena cobrando soluções por entender ser o afastamento do presidente o caminho mais plausível. O presidente joga suas fichas dizendo não ver motivos para renúncia ou afastamento, mas o tempo dirá, sobretudo se sua base, como não é raro, retirar seu apoio. A questão a saber, porém, não é só política, mas também econômica. E talvez seja esse o ponto a ser considerado ante a falta de perspectiva para todos os projetos em curso e incerteza sobre as ações do próprio Governo. O tempo dirá.

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