Confirmada morte de macaco por febre amarela em Ewbank da Câmara


Por Tribuna

03/03/2017 às 14h57- Atualizada 03/03/2017 às 19h14

*Atualizada às 19h04

Com a confirmação da morte de um macaco por febre amarela em Ewbank da Câmara, a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora vai intensificar o trabalho de combate à doença. A partir de agora, o Exército vai atuar no trabalho de prevenção no município, principalmente na região dos bairros Chapéu D’Uvas, Barreira do Triunfo e Paula Lima, mais próximos de Ewbank. A intenção é intensificar o trabalho de campo, o controle do Aedes aegypti e dos outros mosquitos transmissores, além do trabalho de informação. Equipes volantes também participarão das atividades na região nos próximos dias.

Nesta sexta-feira (3), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou que um macaco encontrado morto em Ewbank no dia 4 de fevereiro tinha febre amarela. Com isso, a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora foi convocada a participar de uma reunião com representantes da Prefeitura daquele município e do Estado. “Apesar da confirmação, Juiz de Fora continua em uma situação epidemiologicamente segura. Quando recebemos a notícia de que havia uma suspeita de epizootia em Ewbank, intensificamos a vacinação na região mais próxima da cidade com equipes volantes, antecipando as ações de prevenção”, destaca o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida.

De acordo com ele, um trabalho de bloqueio e de aplicação de inseticida na região onde primatas mortos foram encontrados em Juiz de Fora também já tinham sido realizados, e o objetivo agora é fazer o controle vetorial, medida também utilizada na prevenção da dengue. “Os militares do Exército e as equipes volantes visitarão todas as casas na Zona Rural, trabalhando como agentes de endemia”. O subsecretário também ressalta que a Secretaria de Saúde está atuando de forma conjunta com todos os órgãos ligados ao meio ambiente, em um “trabalho intensificado de vigilância em saúde”.

A SES-MG informou que irá intensificar os trabalhos de controle sobre a doença. A medida é tomada em todos os municípios onde há registro de epizootia (rumor ou casos em investigação de macacos mortos) com objetivo de antecipar a ocorrência de eventos indesejáveis e a transmissão de doenças. A Regional de Saúde de Juiz de Fora já solicitou doses de vacina, que foram liberadas para Ewbank. Até hoje a Regional já havia recebido 170 mil doses de vacina disponíveis para os municípios sob sua responsabilidade. Em Juiz de Fora, a imunização será realizada conforme orientação da Regional de Saúde e de acordo com os resultados laboratoriais dos macacos encontrados mortos na cidade, cujos casos ainda estão em investigação. Se forem confirmadas as mortes em decorrência de febre amarela, a vacinação será intensificada na região onde os macacos foram encontrados. Até o momento, Juiz de Fora e Ewbank estão entre os municípios mineiros sem notificação da doença em humanos.

Mutirão de vacinação em Ewbank

O secretário de Educação de Ewbank da Câmara, Michel Chagas, informou à Tribuna que foi notificado sobre a confirmação da epizootia pelo prefeito da cidade, Zé Maria Novato (PPS). Na ocasião, o líder do Executivo solicitou que o secretário alertasse as instituições de ensino sobre um mutirão de vacinação que teve início nesta sexta-feira. Durante este fim de semana, as unidades de saúde do município vão atender a população que ainda precisa da imunização.

Equipes volantes também foram deslocadas para a área onde o macaco foi encontrado, na região central do município. Ainda segundo o secretário, o primata estava vivo quando foi encontrado, mas morreu no mesmo dia. Na ocasião, o material colhido do animal foi enviado para análise.

Conforme boletim epidemiológico divulgado hoje, na região, ainda há suspeitas de febre amarela em investigação em Barbacena, Belmiro Braga, Leopoldina e Ubá, além de um rumor em Rio Novo.

Medidas

Conforme pontua a SES, a vigilância de epizootias é uma ação de rotina da vigilância ambiental e, diante da confirmação de febre amarela em primata não humano (macaco), a intensificação vacinal é iniciada imediatamente. Outras medidas são colocadas em prática para reforçar esse controle, como manter a população e profissionais de saúde informados sobre a doença e acerca da importância da notificação de epizootias como evento preditor do risco de febre amarela em humanos.

A pasta também recomenda a notificação e investigação em até 24 horas de todos os casos humanos suspeitos, incluindo aqueles de doenças febris ictéricas e/ou hemorrágicas, óbitos por causa desconhecida e as epizootias de primatas não humano. Outra orientação é incluir a colheita de amostras para diagnóstico laboratorial, conforme preconiza o manual de vigilância epidemiológica de febre amarela e o manual de vigilância de epizootias em primatas não humanos, ambos do Ministério da Saúde. A pasta ainda adverte que é preciso aprimorar o fluxo de informações entre secretarias municipais, órgãos regionais e centrais das secretarias estaduais de saúde, visando à comunicação imediata ao Ministério da Saúde, garantindo oportunidade de decisão e melhor capacidade de resposta. Além disso, buscar parcerias para divulgação de informações junto à atenção básica, aos núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar, órgãos e instituições relacionadas ao turismo, meio ambiente, agricultura, vigilância sanitária e outros.