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04 de Julho de 2014 - 07:00

Por Nathália Carvalho

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Esta reportagem é escrita por dedos de quem sofreu (e ainda está sofrendo fisicamente) com os lances dramáticos e intermináveis do último jogo do Brasil. Um puxão rápido após ter o anel agarrado em uma viga - durante uma comemoração - ocasionou um ferimento que não está nem perto de cicatrizar. Mas talvez esse prejuízo seja menor perto do que alguns torcedores estão aprontando por aí. Um empresário paranaense, por exemplo, deu um tapa e destruiu a televisão em que assistia à partida Brasil x Chile com a família. Ele não se conteve ao ver Julio Cesar defendendo o gol de Alexis Sánchez, e teve que correr na vizinha para terminar de assistir ao jogo. O vídeo foi publicado no YouTube e virou hit na internet, com milhares de acessos.

Os estragos vão desde perdas materiais a problemas físicos e, se a pessoa já tiver uma pré-disposição a sentir-se mal, a preocupação é redobrada. Manter a calma e não se exaltar com erros de arbitragem, lances perigosos e gols fica quase impossível neste período de Copa, com jogos tão disputados e intensos. O problema pode chegar a ser trágico, como o homem de 69 anos que morreu após dar entrada em um hospital de Belo Horizonte durante Brasil x Chile. Ele assistia ao jogo no Mineirão, teve um infarto e não resistiu. Ainda no estádio, outros 60 atendimentos foram feitos no posto médico.

 

Fanáticos

Os amigos Paulo de Tarso e Gerson Gomes são fanáticos por futebol, e o fato de serem hipertensos não muda a vontade de assistir a todas as partidas. Ambos cuidam da doença e tentam manter o coração tranquilo para acompanhar o futebol. "Quebro vidro, chuto porta, fico muito nervoso, mas nunca cheguei a passar mal", comenta o engenheiro Paulo. Gerson também não esconde a paixão e diz ter passado aperto no último jogo do Brasil. "Minha Nossa Senhora, foi difícil! A ansiedade antes do jogo já era brava, mas aí na hora que começa, o nervosismo bate, e a gente não consegue segurar. Mas eu gosto de ver do início ao fim", comenta o funcionário público, que é também diabético. E ele ainda acrescenta, com esperança: "vamos ganhar o próximo, sou otimista, acredito no time e no título."

Outro fã de carteirinha do esporte é o locutor esportivo da Rádio Solar, Marcos Moreno. Seja jogo do Tupi ou da Seleção, ele enlouquece e vibra. "Quando eu estou transmitindo, tento me conter, mas em determinados momentos chego a extrapolar nos comentários, principalmente com a arbitragem. O lado torcedor muitas vezes fala mais alto, infelizmente. Acho que quem vive o dia a dia do futebol, como nós, sempre entra no clima e não consegue esconder o nervosismo." Nessa Copa, nos jogos do Brasil, a sensação tem sido a mesma. "Nesse último sábado, pelo amor de Deus, viu? Entrou a decepção de uma possível eliminação precoce e fiquei bastante alterado. No próximo (nesta sexta, 4), espero que seja mais tranquilo, menos sufoco, estou com uma boa expectativa", diz.

 

 

Para acalmar os nervos

É claro que não ficar nervoso na hora do jogo é pedir demais. Mas a situação inspira cuidados, principalmente para quem já possui algum problema cardíaco. O estresse emocional, conforme explica o cardiologista José Marcos Girardi, pode ser perigoso para quem já teve doenças cardiovasculares ou está no grupo de risco: obesos, hipertensos descontrolados e diabéticos. "Essa tensão provoca uma descarga de adrenalina no corpo, aumenta a frequência cardíaca e pode chegar a ocasionar um infarto."

Para prevenir um possível susto, o médico recomenda que os pacientes não deixem de tomar os medicamentos, principalmente nos dias de jogo, mas salienta que não é necessário tomar o remédio na véspera da partida, porque isso não evita o evento cardíaco. "Caso a pessoa sinta algum sintoma, como dor no peito e desconforto no tórax, deve ficar alerta, porque pode ser manifestação da doença coronária. Nesse caso, deve-se procurar o serviço de urgência imediatamente. Em muitos casos, as complicações ocorrem na primeira hora", explica.

Emergencista e clínico geral, o médico Clorivaldo Rocha está habituado a socorrer casos de ataques cardíacos e mal súbito. Ele lembra que deve-se evitar o consumo exagerado de bebida alcoólica e cigarro - principalmente para quem toma remédios -, visto que isso pode agravar o problema. Ele acredita que deixar de assistir ao jogo não deve adiantar, porque a tensão continua a mesma. "Ver uma disputa de pênaltis é muita emoção mesmo, ainda mais para quem gosta de futebol. Na condição de ser Copa do Mundo e aqui no Brasil, a carga de emoção é muito maior, claro. Mas as pessoas devem tentar manter a tranquilidade."

O psicólogo Leonardo Aguiar reforça o time de profissionais que orientam que se deve ter calma na hora do jogo, mesmo sabendo que essa tarefa não é nem um pouco fácil. "Quem fica muito ansioso provavelmente já é assim na vida. A tendência é que essa tensão aumente na hora das partidas e o estado se agrave, alimentando esse estresse. A dica é manter a tranquilidade, sem se deixar levar pela emoção. Vamos lembrar que é só um jogo", diz.

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