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22 de Junho de 2014 - 06:00

Por Nathália Carvalho

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Lidiane entre os colegas brasileiros com os quais assiste aos jogos em Nova York
Lidiane entre os colegas brasileiros com os quais assiste aos jogos em Nova York
Em um pub em Londres, brasileiros torcem ao lado de britânicos
Em um pub em Londres, brasileiros torcem ao lado de britânicos

Copa do Mundo rolando aqui no país, emoção à flor da pele e torcedores canarinhos tendo a oportunidade de curtir de perto cada detalhe de um Mundial. Enquanto isso, espalhados por todo o mundo, milhares de brasileiros estão longe do nosso calor natural, acompanhando os jogos apenas pela telinha ou pela internet. Muitos acharam que não faria diferença não estar no Brasil neste momento mas, a partir do instante em que a bola rolou em campo, a paixão falou mais alto. A principal diferença, para a maioria, é a falta de empolgação e os gritos contidos dos gringos. A verdade é que a saudade parece ter ficado ainda mais apertada.

"De início, eu pensei que não fosse sentir falta nenhuma de estar aí nesse período, mas agora que os jogos estão acontecendo, dá muita vontade de pegar um avião e voltar para o Brasil só para ver a Copa." A lamentação é do estudante Cleiton Ribeiro, que está fazendo estágio há oito meses em Leicester, na Inglaterra. O jovem de 23 anos, que cursa jornalismo em Juiz de Fora, está acompanhando a Copa ao lado de duas brasileiras estudantes de arquitetura. Natural de Salvador, Gabriela Camargo também está sentindo falta da histeria coletiva daqui. "É diferente, porque estamos misturados com a torcida adversária, mas a sensação de torcer pelo Brasil no Brasil, com outros tantos brasileiros fanáticos, é bem melhor! Tudo decorado, todo mundo animado, fogos de artifício a cada gol. Sem contar que assistir com a narração em inglês é estranho", comenta.

A outra amiga, Carolina Simões, de Brasília, disse estar surpresa com a experiência no exterior. "Pela primeira vez estou sentindo um espírito de nacionalidade mais forte gerado justamente pela distância, que está me fazendo torcer, vibrar e me preocupar mais. Daqui, fico pensando em como estão as coisas aí, como estão se organizando, se está dando certo e o que os estrangeiros estão sentindo. E o que eu posso fazer de longe é só torcer para tudo estar dando certo com ainda mais fervor, com uma espécie de orgulho." Apesar disso, ela garante estar contente por aproveitar toda a movimentação de outro ângulo, já que sabe bem "como é o clima de festa dos brasileiros".

Quase no Brasil

Gerente de uma escola de idiomas em Nova York, nos Estados Unidos, Lidiane Albuquerque vive pela terceira vez a experiência de assistir a uma Copa do Mundo fora do Brasil. Ela, que não perde um jogo da Seleção Canarinho, diz que gostaria de estar aqui neste momento, mas que o clima na cidade é bastante parecido. "Aqui está bem bacana, as pessoas estão mais otimistas. Existem muitos europeus que adoram futebol morando aqui, e é bem interessante estar em um lugar tão cosmopolita quanto Nova York. Podemos comemorar quase como se estivéssemos no Brasil", garante. Para deixar com um gostinho ainda mais verde e amarelo, ela assiste aos jogos acompanhada de um grupo de brasileiros que conheceu pela internet. "Sempre nos reunimos para assistir aos jogos em bares brasileiros."

De longe, ela critica as manifestações que estão acontecendo por aqui. "Acho que agora é o momento de aproveitar, apoiar nosso time e curtir. Deixemos os protestos e as grandes decisões políticas para outubro, nas eleições."

A Copa (e o Brasil) aos olhos dos gringos

Dependendo do país, a diferença com relação à emoção e a maneira de acompanhar o Mundial é ainda maior. Os ingleses, por exemplo, têm fama de serem sérios e contidos. O estudante Cleiton Ribeiro está vivenciando isso na pele e conta que está sendo muito diferente assistir aos jogos de lá, principalmente porque eles são torcedores mais quietos. "Até no estádio aqui é assim. Eu moro ao lado de um e só sei que é dia de jogo porque vejo as pessoas passando nas ruas. Não escuto nenhum barulho. No jogo de abertura, nós fomos a um pub e eles olhavam para a gente como se estivessem vivendo uma experiência antropológica de ver os brasileiros no 'habitat natural'. Alguns deles até se incomodaram com os nossos gritos, mas a maioria achou legal o quão feliz a gente fica quando o Brasil faz um gol."

Carolina Simões concorda e garante que não há nada igual à festa dos brasileiros. "Eles acompanham os jogos, conversam sobre isso mas não encaram com a mesma importância que nós. Isso é fácil de perceber principalmente aqui na Inglaterra, que não tem um bom histórico em Copas do Mundo, então a maioria dos nativos simplesmente não se importa."

Diretamente do Canadá, a professora Nilian Ferreira está impressionada com a cobertura jornalística do país. "Estamos vidrados na transmissão dos jogos daqui, em como os narradores e apresentadores estudaram a pauta sobre o Brasil. Sabem mais que nós! A questão política e as manifestações também são mostradas nos jornais." Há 15 dias com o marido em Quebec, para onde se mudou, ela conta que a cidade tem muitos brasileiros e é frequente ver pessoas andando com a camisa canarinho pelas ruas.

"O engraçado é que estamos longe daquela buzinação e barulhada. Tudo aqui é contido e silencioso. Até o grito de gol do narrador é tímido. Outra curiosidade é a felicidade e a ironia deles falando das temperaturas nas cidades onde estão acontecendo os jogos. O sol aqui é muito valorizado, pois no inverno ele some, chega a 35 graus negativos! Então, as altas temperaturas em pleno inverno brasileiro são motivo de brincadeira", conta.

'Uruca'

Vivendo na terra de nossos eternos rivais e "hermanos", a advogada Larissa Gomes conta que assistir ao Mundial de lá não está sendo fácil. Ela está realizando um mochilão pela América Latina durante todo o ano, e agora está em Bariloche, na Argentina. "Assisti à abertura e ao jogo do Brasil com meu anfitrião, que me deixou pendurar a bandeira do Brasil na sua sala de TV e respeitou minhas lágrimas durante a execução do nosso Hino Nacional. Contudo, ele ficou o tempo todo jogando 'uruca' na nossa Seleção e dizendo que somos vendidos", relata.

Segundo Larissa, todo mundo questiona o porquê de ela estar fora do Brasil logo durante a Copa, e a resposta é simples: "coincidência. Me formei ano passado e me dei um ano sabático antes de me dedicar à carreira profissional. Às vezes tenho vontade de estar vendo os jogos com meus amigos, tomando uma cervejinha. Mas minha viagem tem sido tão incrível que eu não a trocaria por estar no Brasil."

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