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22 de Junho de 2014 - 06:00

Por HÉLIO ROCHA

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A cada quatro anos, os meses de junho e julho tornam coadjuvantes quaisquer modalidades esportivas que não o futebol, pois neste período, historicamente, é realizada a Copa do Mundo. Entretanto, o principal evento esportivo do mundo em uma só modalidade - cuja repercussão é comparável apenas aos Jogos Olímpicos, que reúne dezenas de esportes, inclusive o futebol - não impede a realização de diversas competições regionais, com atletas profissionais e amadores focados em competir, vencer seus jogos, mas cujo coração fica divido entre o torneio do qual participam e as partidas do Mundial. Em Juiz de Fora, este é o caso dos atletas que disputam a fase regional dos Jogos de Minas.

Ontem, a cidade recebeu partidas de futsal, vôlei, basquete e handebol. Na UFJF, atletas de handebol de diversos municípios da região estavam presentes, em jogos marcados por muito entusiasmo, nervos à flor da pele, gritos de jogadores e treinadores por mais precisão no ataque e marcação na defesa. Todo este entusiasmo, no entanto, é dividido com as partidas da Copa do Mundo assim que os jogadores deixam a quadra. Para os competidores que estavam na UFJF, o futebol serve de incentivo, mas ao mesmo tempo é um rival de peso na divulgação do esporte que eles escolheram para praticar.

O time masculino de Manhuaçu é exemplo de como o futebol, nesta época, divide as atenções dos atletas. Segundo João Antônio Pereira, 25, o fato de estar competindo torna difícil o acompanhamento integral das partidas da Copa, mas ninguém deixa de estar antenado nelas. "Não há competição em dias de jogo do Brasil, mas nos outros dias estamos treinando ou jogando. Ficamos de olho na internet, para saber o que está acontecendo na Copa."

João critica o fato de a fase regional do torneio ter sido marcada para o período de Copa do Mundo, mas pondera que a coincidência das datas faz com que o futebol seja exemplo para os atletas. "O que acontece é levado para dentro da quadra. Ontem (sexta-feira), enfrentando Juiz de Fora, nós soubemos que a Costa Rica vencia a Itália, o que nos deu forças para enfrentar uma equipe mais forte. O esporte de quadra não permite tantas 'zebras'. Perdemos o jogo, mas a Costa Rica nos ajudou a lutar pela vitória."

Outro atleta de Manhuaçu, Júnior Torres, 31, lembra que as histórias do esporte também servem de inspiração indivudual. "A gente vive uma série de dificuldades para competir. Uma história como a do Suárez, que jogou muito contra a Inglaterra, dá força para que a gente faça o mesmo aqui em quadra", exemplifica Júnior, em referência ao atacante uruguaio Luis Suárez, que chegou recém-recuperado de lesão à Copa do Mundo, mas foi decisivo na vitória do Uruguai sobre a Inglaterra, na última quinta-feira.

Concorrência dura

Atleta da equipe de Ipatinga, Daniela de Freitas, 26, diz que o campeonato de futebol não divide suas atenções. Ela passa o tempo todo focada na competição e pensa na Copa apenas em dias dos jogos do Brasil, para logo voltar à concentração e aos treinos. "A nossa competição tem tido um nível muito bom, a organização aperfeiçoou a logística das equipes, que jogam mais perto de casa agora. Isso é o mais importante. Quanto à Copa, pouco me lembro dela. Luto pelo reconhecimento do esporte que pratico."

Daniela, no entanto, faz a ressalva de que o futebol não é responsável pelas dificuldades em repercutir o handebol. "É sempre difícil, mesmo em ano que não tem Copa." A jovem jogadora de Juiz de Fora Tamiris Aniele, 16, segue a mesma linha de raciocínio. "Não sigo 100% o futebol. Sou ligada no handebol e todas as minhas companheiras também são. Nosso time está completamente focado."

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