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04 de Julho de 2014 - 06:00

Por NATHANI PAIVA

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Salcio, Tarcila e Vera: entre o amor pela pátria mãe e as raízes germânicas
Salcio, Tarcila e Vera: entre o amor pela pátria mãe e as raízes germânicas

Os moradores do Bairro Borboleta - principal reduto da cultura alemã em Juiz de Fora - estão com os corações divididos nessa Copa do Mundo. As ruas da comunidade estão decoradas com bandeirinhas nas cores verde e amarelo, porém, no mesmo local, também é possível ver registros da torcida pela seleção europeia, como flâmulas da Alemanha estendidas nas janelas das casas. Na residência da família Kirchmaier, a situação não é diferente. Netos de alemães, Delayne Aparecida Hagen Kirchmaier, 45 anos, e Marcelo Kirchmaier, 47, apresentaram para os filhos suas origens. E quando o assunto é futebol, a torcida vai para as duas seleções.

"Somos brasileiros, mas carregamos conosco a tradição alemã, principalmente nos tipos de comida que estamos acostumados a fazer", disse Delayne. Há pouco mais de uma semana, eles abriram uma lanchonete, o Ponto do Alemão. Não demorou muito e o empreendimento virou local de encontro dos moradores para assistir às partidas do Mundial. "Ficamos divididos, mas felizes se qualquer uma das nossas equipes levarem o título. Assim como o Brasil, a Alemanha teve dificuldade em vencer os últimos jogos, por isso eu acho que as quartas de final serão muito difíceis para todos", opina.

Marcelo considera positivo o desempenho dos seus times nesse Mundial. Este ano ele viajou para a Europa, visitou a Alemanha e conseguiu descobrir um pouco mais sobre a cultura do futebol do país. "Os alemães gostam de futebol como a gente. Sempre fui ligado a esse tipo de esporte por causa do meu pai, que era filho de alemão e foi capitão do Sport Clube Borboleta. Apesar de sempre acompanhar campeonatos de futebol, não puxei as qualidades dele, pois sempre fui perneta", brincou. No caso dos filhos do casal, Maxwell e Matheus, a preferência ainda é pela Seleção Brasileira. "Visto com orgulho a camisa da Alemanha, mas meu coração bate mais forte pelo Brasil", revelou Maxwell. Já para a prima Vera Schafer Kirchmaier, 62, o importante é competir. "Fico feliz só com a participação das minhas seleções. Sempre torço e vibro muito com os gols."

Vingança

O desejo de Tarcila Belgo, 11, é ver o Brasil ganhar uma Copa do Mundo. No último Mundial da Fifa que a Seleção levou o caneco para casa, ela ainda não havia nascido. "Gosto de futebol, e meus pais me ensinaram a torcer pelas duas seleções. Mas não tem como, pois sou brasileira, moro aqui e gostaria de ver essa festa. Se o Brasil não for para a final, aí sim, minha preferência será pela Alemanha."

As características físicas do morador do Borboleta Salcio Del Duca, 35, não negam sua descendência alemã. "Trabalhamos com a preservação e resgate das nossas origens. Por isso, nessa Copa, estamos nos reunindo para torcer pelos países que amamos", relatou. A final do Mundial de 2002, entre Brasil e Alemanha - no qual a equipe europeia levou a pior - ainda está na lembrança de Salcio. Para a Copa deste ano, ele disse que está torcendo para que a Seleção Canarinho duele com os alemães na semifinal. "Acho que seria interessante ver essas equipes se encontrando em uma fase tão decisiva. A Alemanha iria jogar com sede de vingança, o que tornaria o confronto mais interessante ainda."

Além disso, Salcio mostrou que também está dividido na torcida. "Em 2002, estava vendo a final na casa da minha então namorada. Todos acharam que eu estava torcendo contra o Brasil. Mas a realidade não é essa. Fico feliz com a vitória das duas equipe. Além disso, qualquer um dos resultados é um bom motivo para beber uma boa cerveja."

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