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03 de Julho de 2014 - 08:07

Por Wallace Mattos

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Após as emocionantes oitavas de final da Copa do Mundo, restam oito seleções na disputa pelo título e a expectativa de grandes confrontos também nas quartas de final da maior competição do planeta bola. Os confrontos entre Brasil e Colômbia, França e Alemanha, Costa Rica e Holanda, e Argentina e Bélgica começam a partir desta sexta-feira (4) e vão apontar os semifinalistas de um Mundial que, segundo especialistas juiz-foranos no esporte, pode ser destacado como o melhor dos últimos anos. Se a projeção dos analistas locais se confirmar nesta terceira fase, mais jogos emocionantes acontecerão, e a tendência é que as vagas na grande final sejam decididas entre as grandes potências.

Doutor em ciência do desporto e professor de futebol da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo Matta acredita que essa Copa mostrou que a difusão das informações no mundo da bola tornou mais equilibrada a competição. "O futebol hoje é universal. Através da internet, por exemplo, é muito fácil ter acesso a jogos e por vezes treinos, além de métodos de treinamento e outras informações dos grandes times e seleções. O conhecimento está democratizado, então é mais fácil estudar e fazer como as principais escolas. Nesse Mundial, houve uma valorização da parte defensiva, apesar da quantidade de gols. Parece um paradoxo, mas não é. Só se consegue sair para o ataque confiante se houver uma defesa sólida, e com um sistema defensivo seguro, o time arrisca mais as saídas em velocidade, chegando com mais gente na frente, e isso gera mais gols e muitas emoções a cada partida", explica. "De um modo geral, todos os times que avançaram às oitavas demonstraram esse equilíbrio. Até mesmo quem foi eliminado nessa fase, como a Argélia, por exemplo", completa.

Para o técnico do Tupi, Leonardo Condé, essa é a melhor competição dos últimos 12 anos por conta da disposição das equipes em se resguardar e agredir os adversários. "A grande surpresa foi o nível das escolas sem muita tradição. Mas a maioria dos times tem jogado um futebol solidário, com foco no coletivo. Todos atacam e todos defendem. Isso é uma grande lição e, para mim, torna essa Copa no Brasil muito melhor do que as de 2006, na Alemanha, e 2010, na África do Sul. Quem tem baseado suas alternativas no jogo individual, como o Brasil e a Argentina, por exemplo, está passando aperto", analisa o treinador.

Segundo o professor da UFJF e doutor em educação física e psicologia do esporte, também especializado em treinamento esportivo, Renato Miranda, as seleções chegaram prontas para essas batalhas ao Brasil. "Tenho obsevado que os times estão bem preparados fisicamente e tecnicamente para a exigência desse Mundial, vide por exemplo a virada da Holanda para cima do México e a vitória da Alemanha, exigida ao extremo pela Argélia, que correu o tempo todo também. Quando o atleta está em forma e tem alternativas táticas e técnicas para as diversas situações de um confronto, fica mais confiante e calmo para tomar as decisões necessárias, aumentando seu nível de acerto. Outro destaque para mim são os goleiros, que têm feito uma Copa fantástica em quase todas as seleções", destaca.

 

Cachorros grandes

 

Apesar de apontarem que o equilíbrio deve permanecer nas quartas de final, os especialistas locais preveem que as seleções mais tradicionais do futebol mundial que chegaram à terceira fase avançarão às semifinais, embora acreditem que os hermanos devem passar o maior aperto desta etapa da Copa. "Vão ser confrontos equilibrados, mas acho que avançam Brasil, Alemanha e Holanda. Já a Argentina tem uma parada complicada contra a Bélgica. Mas não dá para tirar da análise a diferença que o Messi faz nos jogos", avalia Matta. "Será mais uma vez equilibrado, e eu gostaria até que Costa Rica e Bélgica continuassem a surpreender. A Colômbia não, né? Mas acho que ficam mesmo só os grandes", diz Condé. "Não me surpreenderia se o Brasil, até com certa facilidade, avançasse sobre a Colômbia. E acho que a Costa Rica pode ser influenciada por um sentimento de missão cumprida, embora se possa trabalhá-lo para relaxar os atletas e fazer com que joguem mais soltos. A Alemanha está muito bem, e talvez a Bélgica, que tem um time de qualidade, possa aprontar para cima da Argentina, que se complicou em jogos mais fáceis nesse Mundial", analisa Miranda.

 

Futebol em debate no Campus

 

A revista "A3", da UFJF, promove nesta quinta-feira (3), na sala de Multimeios da Faculdade de Educação Física (Faefid), às 10h, um debate com o tema "Futebol no Campus: pesquisas realizadas na UFJF e análises sobre a Copa". Para discutir o tema foram escalados os professores da instituição e pesquisadores do assunto Marcelo Matta, Márcio Guerra (professor da Faculdade de Comunicação e doutor em comunicação e cultura e autor de pesquisas sobre identidade brasileira e narração esportiva) e Ricardo Bedendo(mestre em ciências sociais).

O encontro é aberto ao público e será mediado pelo jornalista da Secretaria de Comunicação da UFJF e mestre em comunicação Raul Mourão. Segundo a assessoria de comunicação da instituição, o debate será dividido em duas etapas. Na ocasião, os docentes também apresentarão suas pesquisas sobre o futebol e discutirão a realização do Mundial no Brasil.

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