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08 de Junho de 2014 - 06:00

Localização não foi suficiente para incluir hotéis da cidade nos planos de estrangeiros; aeroporto, que poderia impulsionar movimento, segue sem voos

Por FABÍOLA COSTA

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Green Hill tem pré-reservas para clientes de grandes empresas
Green Hill tem pré-reservas para clientes de grandes empresas

Bola fora. Apesar da proximidade com o Rio de Janeiro e da expectativa do setor hoteleiro juiz-forano de absorver parte da demanda de turistas para a Copa do Mundo, a quatro dias para o início do Mundial, o clima no segmento é de frustração. Conforme estimativa do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Juiz de Fora (SHRBSJF), a taxa média de ocupação hoje gira em torno de 50%. O índice chega a ser 30% menor ante o verificado nos últimos três anos. A avaliação é que a cidade chegou a ser prospectada por turistas, mas as reservas não se efetivaram.

Entre diversos hotéis, o posicionamento é semelhante: embora esteja prevista a chegada de estrangeiros nos próximos dias - uma rotina no atendimento corporativo - não é possível associá-la à Copa. Isso porque o motivo da visita só costuma ser conhecido no check in. O mais próximo de uma reserva para o Mundial aconteceu no Green Hill, em que duas grandes empresas, sendo uma multinacional - uma com representação na cidade e outra em Três Rios -, solicitaram bloqueios (pré-reserva) para hospedar convidados durante o torneio. Os grupos são de, aproximadamente, dez pessoas cada, incluindo turistas de outros países.

Conforme o gerente comercial e de marketing do Green Hill, Gio Ahmad, estas empresas teriam convidado seus principais clientes para visitar o país e prestigiar a Copa. A escolha por Juiz de Fora teria acontecido em função dos altos preços praticados nas cidades-sede. Os nomes foram mantidos sob sigilo pelo hotel a pedido dos clientes e por motivos de segurança. No meio hoteleiro, também circulou a informação de que a Mercedes-Benz estaria hospedando na cidade um grupo de jornalistas do exterior para a Copa do Mundo. A montadora, por meio de sua assessoria, disse que os jornalistas não estão vindo ao país por conta do evento.

Para Ahmad, apesar de Juiz de Fora ser considerada uma alternativa viável tanto para o Rio de Janeiro, quanto para Belo Horizonte, não tem sido demandada pela clientela em potencial. "A procura ficou muito aquém. Isso não é culpa do hotel, nem do destino. A expectativa era muito grande, inclusive nos grandes centros, e está sendo frustrada." Ele exemplifica que os desbloqueios (desistência de reservas), pelo organizador da Copa, teriam chegado a 50% em Belo Horizonte e 30% no Rio de Janeiro. Com isso, os torcedores estariam encontrando leitos e preferindo se hospedar nas cidades-sede, mesmo pagando a mais por isso.

Nem as diárias mais acessíveis - que na cidade partem de R$ 99 conforme estimativa do Sindicato de Hotéis - foram suficientes para conquistar o turista. No setor de acomodação da Fifa, disponível no site da federação, o valor mínimo da diária disponível no Rio de Janeiro era de R$ 369 na quarta-feira, chegando a R$ 2.124 de acordo com o perfil e a localização do hotel. Em Belo Horizonte, as cifras variavam de R$ 290,35 a R$ 1.470, de acordo com a preferência do hóspede.

Em sites de busca nacional, há oferta de imóveis juiz-foranos para aluguel durante a Copa. Nos anúncios, são destacadas a distância de, aproximadamente, 180 quilômetros do Rio de Janeiro e a tranquilidade da cidade. Para conquistar o turista vale oferecer comida mineira no almoço e prometer "translado fácil" para capital fluminense, Belo Horizonte e São Paulo. Em um apartamento no Paineiras, por exemplo, o valor cobrado pela temporada chega a R$ 20 mil.

Um grupo de peruanos que vai marcar presença no Maracanã ficará em Juiz de Fora e conseguiu escapar das cifras superinflacionadas. Os turistas ficarão hospedados na casa do jornalista Diony Silva, 26 anos. Diony conheceu um deles durante intercâmbio nos Estados Unidos. A amiga trará outros dois conhecidos. A escolha pela cidade, segundo ele, deve-se a proximidade com o Rio de Janeiro. Durante os dois dias de estada na cidade, o jornalista pretende leva-los para conhecer o Calçadão e o Morro do Cristo, frequentar barzinhos no Alto dos Passos e caminhar pelo Campus da UFJF. "A Copa é uma oportunidade de mostrar que outras cidades, mesmo não conhecidas internacionalmente, têm muito a oferecer ao turista, como Juiz de Fora."

 

Para alguns hotéis, falta de procura não surpreende

"As coisas não andam lá muito boas para o nosso lado em Juiz de Fora. Não é lamentação. É um fato real", comenta o presidente do Sindicato dos Hotéis, João José Ferreira Alves. Segundo ele, até há cerca de um mês, os hotéis estavam recebendo consultas para o período da Copa. A procura, no entanto, não se transformou em reservas. Esta semana, o sindicato reuniu-se com 28 representantes de estabelecimentos na cidade, que constataram queda no movimento nos cinco primeiros meses do ano. João José acha difícil reverter o quadro nos poucos dias que faltam para o evento, apesar da ampla oferta de leitos, estimada em cerca de 3.200 no município. "Seria confortável para o turista vir para cá e partir para São Paulo, Belo Horizonte ou Rio, mas, infelizmente, essa demanda não recaiu para Juiz de Fora. Eu lamento."

Para a diretora de Marketing do Premier Parc Hotel, Paula Granato Falci, a falta de procura específica para o Mundial não surpreendeu. Paula comenta que, pesquisando o mercado carioca, percebeu que nem na cidade foi registrada ocupação de 100%."Já imaginava que não fosse sobrar para cá mesmo." No Premier, está prevista a chegada de turistas, mas não especificamente para a Copa do Mundo. O posicionamento é semelhante no Constantino Hotel e Eventos. Na opinião da gerente de reservas, Márcia Marques, a distância de Juiz de Fora em relação às cidades-sede teria desestimulado o turista a optar pela hospedagem local.

 

Otimismo

Apostando que a tradição do brasileiro de deixar tudo para a última hora também possa valer para o estrangeiro, a gerente de contas do Victory Business Hotel, Izabella Campos, ainda acha possível a chegada de torcedores aos hotéis da cidade. O Victory criou até uma campanha "Você se hospeda com todo conforto durante o mundial. Fica pertinho do Rio de Janeiro, mas longe de qualquer tumulto." A expectativa deve-se ao fato de que, durante a realização da Jornada da Juventude, ano passado no Rio de Janeiro, o hotel recebeu grupos participantes. A expectativa é que a ocupação no hotel, em função dos clientes corporativos, varie entre 65% e 70% nos próximos dias. Se houver solicitação para a Copa, pode chegar a 100%, aposta.

 

 

Presente na lista da Copa,

 

Serrinha segue inoperante

Apesar de ser um dos 25 aeroportos coordenados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a Copa do Mundo, o Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha, que poderia ser usado pelos turistas, permanece sem operação comercial há dois meses. Os voos foram interrompidos no dia 3 de abril, com a transferência das atividades da Azul Linhas Aéreas para o Aeroporto Presidente Itamar Franco. De lá, os passageiros contam com conexão direta para Belo Horizonte (Confins) e Campinas (Viracopos).

Como aeroporto coordenado, o Serrinha teria a função de dar suporte aos principais terminais, evitando sobrecarga nas cidades-sede durante o torneio. Segundo a Anac, mesmo sem operação de uma companhia aérea, o aeroporto continua coordenado para o evento. "O que importa é que ele está aberto ao tráfego." A sua efetiva utilização, no entanto, dependerá da demanda apresentada no Mundial e do interesse de companhias aéreas pelo aeroporto. A assessoria da Anac informa que as solicitações para alteração da malha estão em curso. Por isso não é possível afirmar se o Serrinha tem sido demandado para esta finalidade.

O subsecretário de Mobilidade Urbana da Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra), Mauro Branco, destacou que o Serrinha está apto a receber empresas áreas interessadas em operar comercialmente na cidade. "Estamos trabalhando para captar empresas, para ter uma opção mais próxima que atenda a demanda, que é numerosa." Ele destaca que apenas outros dois aeroportos no estado estão coordenados, Pampulha e Confins, ambos em Belo Horizonte. As expectativas são que o Serrinha seja, de fato, utilizado durante o Mundial, e que a Copa aumente o movimento de voos executivos no terminal. O subsecretário não acredita que a falta de operações comerciais tenha desestimulado a escolha de turistas pela cidade. "Temos um aeroporto logo ao lado. Se as pessoas quisessem vir para Juiz de Foram poderiam utilizar o Aeroporto Itamar Franco", avaliou.

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