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12 de Junho de 2014 - 07:00

Por Nathália Carvalho

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Garçom Benedito terá um olho na bandeja e outro na TV
Garçom Benedito terá um olho na bandeja e outro na TV
Cobrador Luismar de Assis e morotista Carlos Rezende estarão dentro do ônibus na hora da partida
Cobrador Luismar de Assis e morotista Carlos Rezende estarão dentro do ônibus na hora da partida
Síndico prometeu levar uma TV para o porteiro Antônio Carlos Valentim assistir ao jogo
Síndico prometeu levar uma TV para o porteiro Antônio Carlos Valentim assistir ao jogo
Vendedor Saulo Candido vai manter aberta a banca de jornais
Vendedor Saulo Candido vai manter aberta a banca de jornais

É como se voltássemos oito anos no tempo. Rumo ao hexa, o Brasil estreava na Copa do Mundo contra a Croácia. Naquela partida, realizada em terras alemãs, a Seleção Canarinho bateu a adversária por 1 a 0, com gol de Kaká. Neste ano, a situação se repete. A diferença é que estaremos em casa, com o apoio da torcida e com o peso de sermos os anfitriões. Nesta quinta-feira (12), às 17h, milhares de brasileiros estarão no estádio, ligados na telinha, no rádio ou na internet, torcendo para que o favoritismo se repita, momento aguardado há anos. Contudo, mesmo sendo considerado um feriado nacional para muitos, centenas de trabalhadores ficarão de fora do grande espetáculo. São porteiros, motoristas, médicos, policiais, garçons, seguranças. Profissões que precisam dar seus pulos para torcer. Mas, será que conseguem?

Segundo a Lei 12.663/2012 (Lei da Copa), durante a competição, os estados e municípios que irão sediar os eventos podem decretar feriado ou ponto facultativo no dia dos jogos. Já que Juiz de Fora não se encaixa no perfil, fica a critério dos empregadores definir se os funcionários terão folga, se poderão sair mais cedo, se haverá liberação para ver os jogos do Brasil na empresa ou se simplesmente não poderão assistir. Nesta última situação se encaixa a dupla Carlos Rezende e Luismar de Assis, motorista e cobrador, respectivamente, de ônibus urbano. No exato momento em que o juiz autorizar a partida desta quinta lá no Itaquerão, eles estarão saindo do ponto final no Bairro Linhares.

E será assim em todos os jogos do Brasil. Idas e vindas do bairro na maior curiosidade. "Somente depois de meia hora é que chegamos no Centro. Se nenhum passageiro nos avisar, ficaremos sem saber o placar. E o pior é que o movimento vai ser fraco", comenta o motorista. Eles explicam que a empresa não libera o uso de rádios e outros aparelhos para transmissão do jogo no coletivo. "O jeito vai ser assistir um pouquinho no bar onde fazemos o ponto final. Mas isso dura no máximo 5 minutos", comenta Luismar. Segundo Carlos, caso o Brasil avance no campeonato, há a possibilidade de a dupla assistir a algum jogo. "A partir do dia 28 de junho nossa escala é na parte da manhã. Aí fica mais fácil para ver."

 

Jeitinho

Com um pouquinho a mais de vantagem, o garçom Benedito Denilson Pereira poderá sanar sua curiosidade durante a rotina - que deve ficar ainda mais apertada - do restaurante onde trabalha. Com um olho na bandeja e outro no televisor, ele promete não descuidar do serviço. "A gente olha de leve, acompanha. Como tem muita televisão, fica mais fácil. Mas na hora do gol, não tem jeito, todo mundo vibra." O caso da cozinheira Daniela Rezende é semelhante. Ela conseguiu um freelance para esta quinta, a partir das 16h, em outro restaurante da cidade. "Não sei se vai dar para ver a partida, porque só devem colocar uma televisão no local. No corre-corre não dá para prestar tanta atenção, mas a gente dá um jeitinho", comenta.

 

 

Improviso pra não ficar de fora

Apesar da possível insatisfação de alguns por não estarem reunidos com amigos e familiares para assistir à estreia da Seleção Brasileira na Copa, alguns casos são mais confortáveis. Na hora do jogo, o porteiro Antônio Carlos Valentim e o ascensorista Messias Gonçalves estarão no prédio em que trabalham, no Centro da cidade. Mas, graças a uma mãozinha, eles não devem perder nenhum lance. "O síndico prometeu trazer uma televisão para nós. Vamos reunir os seguranças e funcionários que estiverem aqui no momento e assistir juntos", comenta o porteiro. Segundo Messias, ele não precisará ficar dentro do elevador a tarde toda. "Como a gente sabe que o movimento cai, vamos colocar os equipamentos no modo automático." E, caso haja qualquer probleminha, o "plano B" será ativado. "Meu radinho já está aqui posicionado", garante Antônio.

Ainda no Centro, o vendedor Saulo Candido permanecerá na dúvida sobre o local onde irá assistir ao jogo até minutos antes de a partida começar. Segundo ele, tudo depende do movimento da banca de jornais onde trabalha. "É praticamente certo que estaremos aqui no horário do jogo, porque temos a tradição de manter a banca sempre aberta. Além disso, é comum aparecerem clientes em dias que você não espera, como 1º de janeiro, por exemplo. Não acho que na Copa vai ser diferente, principalmente porque muita gente não gosta de futebol", comenta. Apesar de não acompanhar os campeonatos nacionais de futebol, ele garante que adora assistir à Seleção. E, para não perder os lances, alternativa é o que não falta. "Temos uma televisão escondidinha aqui, celular, rádio, internet. A gente dá um jeito, tecnologia é o que não falta!"

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