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25 de Junho de 2014 - 06:00

Por NATHÁLIA CARVALHO

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Não era necessário olhar para a TV para poder sentir exatamente o que estava rolando em campo. A voz potente do narrador, acompanhada de seus atentos comentaristas, não deixava escapar nenhum detalhe. Do interior daquele estúdio de rádio, a tensão parecia ser semelhante à dos jornalistas credenciados que estavam na Arena das Dunas, em Natal. E talvez fosse até maior. A diferença é que a voz vinha de um jovem de apenas 21 anos, estudante de jornalismo da UFJF, que não deixou a desejar. Ao lado de sua equipe (pelo menos seis pessoas), ele narrava a partida entre Estados Unidos e Gana, sob os cuidados dos únicos profissionais presentes, dois professores. A transmissão faz parte de um projeto da Faculdade de Comunicação, que existe desde 1996, quando a rádio foi criada. "Desde então, estamos acompanhando todas as Copas, sempre fazemos a transmissão", explica o coordenador do projeto, Márcio Guerra.

E a movimentação para realizar a cobertura começou cedo, no início do ano. "Foram cinco meses de treinamento semanal, nos quais os alunos puderam estudar sobre a história da Copa e analisar quais funções com as quais mais se identificavam", comenta o professor. Todos os dias, durante o Mundial, a equipe - composta por quase 30 pessoas - se divide em grupos para poder realizar as transmissões, com direito a pré e pós-jogo. "Ao final de cada dia, fazemos a avaliação junto com os alunos e, após o término da Copa, faremos um balanço completo." Para Márcio, o reflexo de todo esse esforço são os jornalistas formados na faculdade que hoje estão entre os mais importantes do país. "Veremos o resultado dessa experiência em breve, quando essas pessoas estiverem cobrindo a Copa da Rússia, por exemplo. Minha única lamentação até agora é de nunca ter conseguido uma mulher para narrar", diz, ainda esperançoso.

O dono da voz, o aluno Gustavo Fonseca do sétimo período, garante que a cobertura tem sido muito proveitosa. "Nossa expectativa é fazer todos os jogos com a melhor qualidade possível, com alto nível de informação e técnica." O amigo Leandro Colares, 23, está no final da faculdade, e teve a oportunidade de participar da cobertura da Copa de 2010. "Hoje evoluímos, estamos mais técnicos e equilibrados", comenta. Para ouvir os gols desta e de outras partidas, e escutar as narrações em tempo real, basta acessar ufjf.br/radio.

 

Blog

Seguindo a mesma linha de preparar os futuros profissionais de comunicação, o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) está fazendo a cobertura da Copa por meio de um blog, pela segunda vez. Aliado a isso, nesta edição, os estudantes criaram um canal no YouTube, uma página no Facebook e um perfil no Instagram. "O trabalho está sendo realizado em uma parceria dos alunos de jornalismo, que escrevem e postam os textos, com os de publicidade, que ficam responsáveis por divulgar a cobertura. Rola uma interação e uma pressão interna entre eles, algo muito enriquecedor", explica um dos coordenadores do projeto, professor Gustavo Burla.

A iniciativa conta com a participação de cerca de 20 alunos, envolvidos desde maio no tema. "Dividimos as responsabilidades conforme os grupos da copa. A cada jogo, temos pelo menos cinco textos, sobre expectativa dos times, sobre o jogo e sobre o reflexo do resultado em cada seleção. Se o aluno atrasa para entregar a matéria, damos cartão amarelo. Dois atrasos, é vermelho e vamos conversar. Isso conscientiza sobre a responsabilidade que é fazer jornalismo." O estudante do quarto período Lucas Motta diz que está sendo tudo muito corrido, mas gratificante. "É válido, porque já estamos corrigindo erros que cometeríamos no futuro." O endereço do blog é copadomundocescom.wordpress.com.

 

Futebol dentro (e fora) da sala de aula

Além da formação profissional, a Copa do Mundo tem sido utilizada como gancho para incrementar o ensino das disciplinas dentro de sala de aula. No Colégio Meta, por exemplo, professores arranjaram um jeito de deixar as aulas mais atraentes. Segundo a coordenadora pedagógica Bernadette Heluey, o projeto teve início no final de maio e permanece até o mês que vem, contemplando ensino fundamental e médio. "Estamos trabalhando o 'futeboléxico', uma manobra dos professores de português para explorar as palavras que são usadas no mundo do futebol. Nas aulas de história, a professora trabalha a história das Copas, desde 1930. Os alunos estudam país-sede, vencedor, posição do Brasil naquele ano e uma curiosidade sobre o Mundial. Em geografia, os estudantes estão conhecendo a infraestrutura, melhorias e problemas das cidades-sede desta Copa."

Além disso, nas aulas de matemática, os jovens estão tendo a oportunidade de aprender sobre probabilidade de uma forma diferente. "O professor montou um grande painel com os jogos da Copa, e eles vão completando e analisando os resultados." Em filosofia, está sendo ensinado um pouco sobre a cultura dos países do grupo do Brasil: Croácia, México e Camarões. "Debatemos ainda sobre as vantagens e desvantagens de a Copa estar acontecendo aqui, e estamos desenvolvendo um senso crítico nos alunos." Além disso, houve uma excursão ao Rio de Janeiro realizada antes do Mundial, com o objetivo de conhecer as reformas do Maracanã.

Arte verde-amarela

Os pequeninos também não ficam de fora dessa influência. Com muita animação, no colégio de educação infantil Espaço Mágico as crianças tiveram a oportunidade de trabalhar criações artísticas, em tom de verde e amarelo. "Foram várias atividades. Uma artista pintou um quadro com as cores da bandeira, que foi reproduzido pelos meninos. Criamos um quebra-cabeças com o Fuleco, eles coloriram e depois montaram", explica a professora do primeiro período, Telma Valadão.

Além disso, os pequenos participaram de uma atividade juntamente com a editora da Tribuna, Isabel Pequeno, e do repórter Wallace Mattos. "Eles fizeram um jornalzinho lindo, o 'Jornal da Copa'. Pintaram e depois recortaram gravuras para confeccioná-lo." Para completar, os alunos também criaram móbiles e almofadas com referências do Brasil. "As ações foram muito enriquecedoras. Eles estão vibrando. E é uma boa oportunidade de praticar o raciocínio lógico", garante.

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