Publicidade

11 de Junho de 2014 - 07:00

Por Eduardo Valente

Compartilhar
 

Sou de uma geração habituada com boas participações do Brasil na Copa do Mundo. Nascido em 1987, obviamente não me recordo da atuação em 1990, mas tenho boas lembranças a partir de 94. Aprendi desde pequeno que a Copa é muito mais que um evento esportivo. Ela aproxima amigos, familiares e enaltece a paixão de todo um povo pelo seu país. Claro que em outras partes do mundo o campeonato não é levado tão a sério. Mas aqui é! Ou pelo menos já se propôs a ser.

Acredito que aquele gigante despertado por alguns dias em 2013 vai continuar adormecido durante a Copa, embora reconheça que ele tenha deixado o seu legado. Quando fomos escolhidos o país-sede, achava que ondas de emoções e positividade tomariam conta de todo um povo nos dias que antecedem o início da Copa, assim como presenciei em outras épocas. Ruas e casas pintadas, bandeirinhas sobre o asfalto e comércio abraçando a causa. Lamentavelmente o clima não é esse. Sei de poucos moradores mobilizados a enfeitar suas comunidades. No Centro, os camelôs fazem a sua parte, mais por razões econômicas do que por amor à nação. Lá em 94, quando aprendi que Copa é muito mais que um evento esportivo, meus antigos vizinhos viravam noites para deixar nosso bairro no clima digno de Copa do Mundo. Tempo bom!

Ano passado, quando mostrou seu patriotismo de outra maneira (embora também pautado pela agenda futebolística), o brasileiro descobriu que seu país é maior que carnaval, samba, praia e bola. E talvez isso explique porque nossas ruas não estão tão enfeitadas como antes. Independente do desempenho da Seleção na Copa teremos, mais uma vez, em um futuro breve, a oportunidade de despertar o velho gigante que cisma em ficar adormecido. A diferença é que, ao invés de irmos às ruas, poderemos responder no voto.

E coisas assim só podem acontecer em um país apaixonado pelo futebol como o nosso. Podemos até não viver tanto mais em função do jogo, mas ainda somos movidos pela bola, direta ou indiretamente. Nas eleições desse ano, o Mundial será assunto recorrente. Menos pelo desempenho dos comandados por Felipão, e mais pelos bilhões investidos em estádios e pelas promessas de obras de mobilidade urbana que não saíram do papel. Mudamos a forma de torcer. Será que mudaremos a forma de votar?

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você leva em consideração a escolaridade do candidato na hora de votar?