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08 de Junho de 2014 - 06:00

Por NATHANI PAIVA

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Diony e Eneida  viram fãs da Seleção  durante a Copa
Diony e Eneida viram fãs da Seleção durante a Copa

O futebol, esporte mais popular do mundo, paixão nacional, nunca atraiu os olhos da aposentada Eneida Junger, 64 anos. Nem mesmo a influência do marido, que é flamenguista fanático e não perde um jogo do seu time de coração, conseguiu fazer com que ela gostasse de assistir a uma pelada ou acompanhar as emoções de algum campeonato. Porém, em épocas de Copa do Mundo, o sentimento de Eneida muda, e o nacionalismo fala mais alto. Ela conta que não perde um jogo da Seleção Brasileira, e acredita que a conquista do título é importante para aumentar o ego dos brasileiros, além de trazer importantes divisas para o país. "Não consigo sentar e assistir uma partida de futebol. Mas quando se fala da nossa Seleção, o patriotismo bate forte no peito, me torno fã número um dos jogadores e vibro a cada momento."

Assim como ela, o administrador de empresas Saulo Bassi, 32, não possui um time definido, mas veste, com orgulho, a camisa verde-amarela. "Meu irmão mora nos Estados Unidos e assiste a todos os jogos do Flamengo. Diferente dele, eu não tenho essa paixão pelo futebol. Na minha concepção, esse tipo de esporte não requer tantas táticas e há muitas marcações indevidas, ou seja, erros humanos. Outra coisa que me desagrada é a rivalidade das torcidas, que prejudica a sua magia."

Na visão de Bassi, a Copa do Mundo é uma oportunidade para esse grupos de times rivais se unirem com um único objetivo: a vitória do Brasil no torneio da Fifa. "Acredito que durante o Mundial a sinergia entre essas torcidas mudam. Vibramos todos juntos pela nação, portanto, só enxergamos a beleza do esporte. As falhas e os conflitos são deixados de lado." Além de torcer e assistir aos jogos da Seleção ao longo deste mês, Bassi diz, ainda, que deseja que o Brasil saiba conduzir cada etapa do evento. "Temos que mostrar para o mundo que somos o país do futebol e capazes de sediar o Mundial."

Apesar de não entender muito bem os dribles, os passes dos jogadores e de não ter o hábito de assistir futebol, a emoção e o nervosismo tomam conta do jornalista Diony Silva, 26, durante as partidas da Seleção anarinho."Principalmente quando a bola chega perto do gol", brinca. Para ele, que torce pelo hexa, reunir os amigos para ver os jogos é o que mais lhe atrai. "Minha família não tem tradição com o esporte. Mas, em épocas de Mundial, sempre nos envolvemos com as festas e decorações que preparamos antes de as partidas começarem." Atualmente, a situação não é diferente. Este mês, Diony recebe em sua casa três amigos peruanos. "Vamos acompanhar o campeonato. Também já estamos marcando alguns eventos durante os jogos do Brasil", comenta. Além disso, o grupo irá ao Rio de Janeiro acompanhar partidas de outras seleções.

  

Nação unida em torno da bola

O antropólogo José Augusto da Silva explica que o Mundial possui uma grande força de reativar, entre as pessoas, o espírito de comunidade, ainda que simbolicamente, por uma fração de tempo. "A Copa é considerada um grande e único ato de todos os elementos constitutivos do futebol, nos quais se destacam as seleções e torcidas nacionais. Por causa do evento, faz ressurgir, entre os diferentes povos, uma nova ordem igualmente simbólica que restaura em nós a ideia primitiva da comunidade - reordenada em um universo simbólico, em que depositamos desejos, confiança e alimentamos esforços de solidariedade e cumplicidade."

Silva também destaca que o povo brasileiro enxerga a Seleção como uma referência identitária enquanto nação, na qual é possível colocar à prova as mais diferentes habilidades e qualidades, com a intenção de demonstrar superioridade sob a forma de vitória em campo. O momento de celebração proporcionado pela conquista do time faz com que os torcedores tenham sua identidade reafirmada. "Ter a Seleção vitoriosa nesse Mundial representa, neste ambiente de rotinas simbolicamente suspensas, a oportunidade consensualmente construída de que vence o melhor."

Jornalista e professor da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), o juiz-forano Chico Brinati ressalta que a Seleção Brasileira se torna um instrumento unificador da nação. "Essa ideia de brasilidade que temos hoje vem muito do futebol nacional e da Seleção. Uma construção da legitimidade de um modelo de representação nacional."

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