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26 de Junho de 2014 - 06:00

Por NATHANI PAIVA*

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Ansiedade, nervosismo, euforia e alegria: esses foram os sentimentos que tomaram conta da família Van Gasse durante as partidas da Copa do Mundo entre França e Honduras, em Porto Alegre, e o duelo Alemanha x Gana, em Fortaleza, realizados nas últimas semanas. Mas essas emoções não se manifestaram devido à preferência do clã por alguma dessas equipes, e sim porque esses jogos tiveram a atuação do patriarca da família, o árbitro auxiliar Marcelo Van Gasse - que mora em Juiz de Fora há 15 anos e faz parte da equipe brasileira de arbitragem do Mundial, juntamente com o árbitro Sandro Moreira Ricci e o assistente Emerson Augusto de Carvalho.

Van Gasse tem muitos motivos para comemorar, pois as duas partidas comandadas pelo trio brasileiro receberam críticas positivas. A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF) considerou a atuação do conjunto, no jogo entre França e Honduras, como "impecável e histórica". Além disso, neste mesmo duelo e pela primeira vez em Copas do Mundo, um árbitro contou com o auxílio tecnológico para decidir um lance (o sistema que informa se a bola cruzou ou não a linha do gol confirmou o segundo tento da França, gol contra marcado pelo goleiro Valadares, de Honduras, aos 2 minutos da etapa final).

A esposa de Marcelo, Eliane Moreira Van Gasse, 45, relatou os momentos vividos antes de começar as partidas do Mundial bandeiradas por ele. " É uma mistura de sentimentos. Sinto preocupação, nervosismo, depois vem a sensação de euforia e alegria. Nos 45 minutos das duas etapas eu não presto atenção nos jogadores. Vou anotando todos os lances e depois encaminho tudo para ele através de mensagens no celular."

 

Juntos

A onda de críticas quanto à arbitragem da Copa do Mundo, principalmente no início do torneio, foi motivo de preocupação para Van Gasse, segundo Eliane. "Todos nós ficamos preocupados, pois sabemos que os torcedores não perdoam erros. E, mesmo se o lance for marcado corretamente pelo árbitro, as pessoas levam em conta o que foi dito na televisão." Ela também comentou que Van Gasse estava nervoso em sua estreia no Mundial. "O primeiro jogo assisti pela televisão com meu filho mais novo, João Pedro, 5, e era visível sua tensão. No segundo fomos para Fortaleza e acho que ele ficou um pouco mais calmo com a presença da família. Lá nós não tivemos muito contato, pois a Fifa não autoriza. Porém, no pouco tempo que ficamos juntos, Marcelo disse que deu para renovar as energias."

O trio de arbitragem brasileiro ainda não tem previsão para apitar outros jogos da Copa do Mundo, mas Eliane já sabe em qual partida quer ver o marido atuando. "Sem dúvidas quero vê-lo na final. Sou muito patriota e amo o meu país, mas meu sentimento de esposa fala mais forte e, além de tudo, ele merece vivenciar esse momento." O enteado de Van Gasse, Pedro Henrique, 13, deseja boa sorte ao padrasto."Queria dizer para ele que estamos muito bem e que não precisa ficar preocupado com a gente. Estamos torcendo para que ele consiga apitar a final da Copa."

 

Com a ajuda da tecnologia

A torcida de Marcelo Van Gasse é grande. Sua irmã Tatiane, 34, que também mora em Juiz de Fora, disse que não conseguiu reunir toda a família para assistir aos jogos que ele bandeirou, mas que contaram com a ajuda da tecnologia e criaram um grupo no aplicativo Whatsapp para comentar sua atuação. "Ficamos no celular o tempo todo com os parentes relatando o que cada um estava achando. Meu irmão merece tudo de positivo que está acontecendo em sua vida." Assim como Eliane, ela acrescentou que a torcida familiar fala mais alto. "Não sabemos se ele poderá apitar outras Copa, por isso gostaríamos que ele estivesse presente na final do torneio."

O professor de educação física da UFJF Marcelo Matta, 51, não poupou elogios ao auxiliar de arbitragem. "Van Gasse foi meu aluno durante sua graduação e nos tornamos grandes amigos. Sem dúvidas esse trio de árbitros é o melhor. O último jogo comandado pelo conjunto foi irretocável. Tenho certeza que serão convocados por outros jogos do Mundial devido à grande atuação que tiveram."

 

Preparo físico

Preparador físico de Van Gasse, Anderson Occhi, 44, é só elogios ao amigo. "Acompanhei os dois jogos em que ele trabalhou, mas é impossível prestar atenção na partida, porque fico averiguando como Marcelo está correndo e o estado do seu corpo." Perguntado se deseja ver a Seleção Brasileira ou Van Gasse na final da Copa, Anderson disse que está com o coração dividido, mas suas palavras entregam:"Sei o quanto ele merece estar nessa final de Copa do Mundo."

*Colaborou Wallace Mattos

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