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08 de Junho de 2014 - 06:00

Estudante japonês, residente em Juiz de Fora há apenas três meses, guiará delegação de 300 conterrâneos pelo país afora

Por WALLACE MATTOS

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Daisuke Mishima torcerá pelo Japão (e pelo Brasil também)LARA TOLEDO
Daisuke Mishima torcerá pelo Japão (e pelo Brasil também)LARA TOLEDO

Um japonês residente em Juiz de Fora estará mergulhado na Copa do Mundo nas próximas semanas. Apaixonado por futebol, o jovem Daisuke Mishima, 22 anos, escolheu a cidade para estudar e fez de tudo para estar no Brasil no ano do Mundial. A partir de quarta-feira, será dele a missão de ser intérprete e guiar um grupo de 300 turistas que vem do Japão especialmente para ver as partidas da maior competição de futebol do planeta. Mais do que isso, o aluno da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vai tentar traduzir não só o país, mas toda sua relação com o mundo da bola para seus conterrâneos.

Nascido em Chiba, localizada a 40km de Tóquio, na região central do Japão, Mishima está há três meses no Brasil. Juiz de Fora foi escolhida por conta do programa para estudantes estrangeiros que abrange a área que o japonês quer se especializar: o jornalismo esportivo. "Para vir ao Brasil, tive de passar por provas no Japão: escrita e entrevista, além de apresentar toda a documentação. Tinha feito esse processo em 2012, o que significava fazer intercâmbio em 2013. Mas eu não consegui passar. Estava triste. Então, mudei de ideia, me esforcei mais no ano passado e finalmente estou aqui. Eu acredito que seja um presente dos deuses do futebol. Escolhi a cidade porque na Universidade a gente pode escolher aulas de meu interesse como um aluno brasileiro. Atualmente assisto português para estrangeiros, futebol, comunicação e expressão escrita e fundamentos do jornalismo. No futuro, quero me tornar jornalista especializado em futebol", deseja Daisuke.

A oportunidade de imergir com seus conterrâneos na Copa do Mundo do Brasil e, literalmente, traduzir o país para um grande grupo de japoneses surgiu através de uma rede social. "Há um grupo no Facebook de pessoas que irão para a Copa, do qual faço parte. Como respondi muitas perguntas sobre o Brasil e a língua portuguesa, um japonês me enviou um e-mail pedindo que trabalhasse como intérprete. Das 300 pessoas, quase ninguém fala português. Então, eu vou ajudar. Vamos até o fim da participação da seleção japonesa e, além dos jogos do Japão, vou para outros confrontos como Brasil x México, Itália x Costa Rica e Alemanha x Gana. Deixo Juiz de Fora no dia 11 de junho: primeiro vou para São Paulo para recebê-los no Aeroporto de Guarulhos e, de lá, a gente vai para Natal, onde o Japão estreia", explica Mishima.

 

Um pouco de medo

As manifestações durante a Copa das Confederações e as atuais greves no Brasil causaram apreensão no grupo que virá à Copa e será ciceroneado por Mishima. Mas o estudante fez questão de dizer que o país não é só isso e aposta que seus compatriotas vão gostar da experiência enquanto estiverem por aqui. "Eles têm medo do Brasil. Principalmente porque estão acontecendo greves, manifestações e a segurança não é como a do Japão. Mas já falei com todos que conheci muitas pessoas boas aqui e é um lugar muito bonito. Eu gosto muito do país e espero que eles gostem também. Pretendo ajudar nesse sentido, diminuindo a barreira da língua."

 

Confiança no Japão e no Brasil

Como apaixonado por futebol, Daisuke sabe que, em seu país, a cultura desse esporte não é tão forte como no Brasil, mas acredita que isso vai mudar com o tempo. No que depender dos esforços dele, a mudança para o grupo do qual estará junto começará logo. "Eu gosto muito da cultura do futebol aqui. Se ligar a televisão, sempre passa algo sobre o esporte. Ao conhecer brasileiros, sem falta, eles perguntam: para qual time você torce? No Japão não tem isso. Lá a coisa só vai intensificar quando tiver jogo da seleção. Muitos japoneses só gostam do time nacional e não assistem a J League, por exemplo."

Orgulhoso e querendo apresentar sua seleção a colegas brasileiros, Mishima organizou até mesmo uma aula sobre o time nacional japonês na classe do professor Marcelo Matta, na Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid), da UFJF. Segundo o docente, a experiência foi interessante. "Foi um barato. Ele organizou a apresentação, falou da história do Japão nas Copas, do time, como joga, os principais destaques e chamou os colegas para torcerem pelo Japão", conta Matta. Daisuke espera ter angariado alguns fãs e diz que vai torcer para os brasileiros também. "Eu pedi para o professor porque espero que muitos brasileiros torçam para a seleção japonesa. Acredito que alguns juiz-foranos vão torcer para o Japão ir longe. Eu também vou torcer pela Seleção Brasileira. Acredito que o Brasil vai ganhar a Copa", confia.

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