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12 de Junho de 2014 - 20:24

Por Nathália Carvalho, Nathani Paiva e Wallace Mattos

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Torcedores comemoram gol do Brasil
Torcedores comemoram gol do Brasil
Torcedor observa com atenção a partida desta quinta
Torcedor observa com atenção a partida desta quinta
Telão foi montado no Alto dos Passos, que recebeu milhares de pessoas
Telão foi montado no Alto dos Passos, que recebeu milhares de pessoas
Bares de São Mateus também ficaram cheios
Bares de São Mateus também ficaram cheios

O Alto dos Passos foi palco da maior festa de Juiz de Fora na tarde desta quinta-feira (12). Centenas de torcedores, que se reuniram nas ruas Dom Viçoso, Barão de Aquino, Severiano Sarmento e adjacências, vibraram com a atuação da Seleção Brasileira em campo. Um telão montado em cima de um palco foi colocado na Dom Viçoso, e havia policiais militares cercando e fazendo a segurança das principais saídas. Os amigos Cléber, João Paulo e Rômulo resolveram ir curtir o jogo com o mesmo figurino. Eles usavam um chapéu igual. "Somos os guerreiros gladiadores", brincou Cléber.

Já o motorista Claudio de Paula levou a família para assistir à partida no local. Ao lado da filhinha Isadora, de apenas 3 anos, ele ficou enfurecido quando a Croácia abriu o placar. "Que absurdo! Não tenho palavras para expressar meus sentimentos ao ver um gol contra na abertura da Copa", reclamou. O casal Alessandro e Elaine trocou a comemoração do dia dos namorados, celebrado também nesta quinta, pelo futebol. "Optamos por ver o jogo, dedicamos o dia ao Brasil", comentou Alessandro.

Quem chamou a atenção no meio do galerão foi o casal Leila Jobim, 73, e Janio Jobim, de 78. Completamente apaixonados por futebol, eles trocaram a tranquilidade de casa pela muvuca. "Aqui é mais emocionante, a gente vibra mais e sente o calor brasileiro", afirmou a esposa. "Acompanho as Copas desde 1950, quando eu tinha 13 anos. Não perco nenhum jogo", emendou Janio.

Vestida em massa de verde-amarelo, a torcida gritava a cada gol e ficava enfurecida com lances de perigo do adversário. O nome de Neymar, "orgulho do Brasil", era o mais ouvido. Para deixar a festa ainda mais colorida, os estudantes e amigos João Vitor, Victor, Gustavo, Rodrigo e Arthur resolveram pintar o cabelo de verde. "Pintei e os convenci a fazerem o mesmo", explicou João, que usou um spray de cabelo.

 

Sufoco no primeiro tempo

Em um dos pontos de maior concentração de torcedores do Bairro São Mateus, no cruzamento entre as ruas Doutor Romualdo e São Mateus, não havia mais lugares dentro dos bares, mas, do lado de fora, poucos fãs se animaram a ver da calçada a partida entre Brasil e Croácia. Antes mesmo de a bola rolar, uma cena inusitada. Assustado com a vibração da galera logo após a execução do hino nacional, o balconista Jefferson Mariano, 26, atravessava a via correndo e perguntando: "gol do Brasil? Gol do Brasil?". Diante da explicação, partiu com pressa para pegar uma carona até em casa.

Depois do começo do jogo, a tensão tomou conta do ambiente e podia ser verificada no rosto de cada torcedor e torcedora. Quando Marcelo marcou o gol contra, houve gritos de desespero e lamentação. Retrato do momento vivido pelo time brasileiro, o militar Marcos Vinícius Almeida, de 39 anos, levava a todo instante as mãos à cabeça e procurava se animar junto com sua filha, a pequena Bruna, de 3 anos.

Apesar do placar adverso, Almeida acreditava na virada do Brasil. "É só colocar amor, coração na ponta da chuteira e jogar o que o time sabe", analisou o militar antes de correr com Bruna para casa, onde Gustavo, de 7 anos, aguardava a dupla para acompanha o restante da estreia brasileira no Mundial. Mesmo com a Seleção atrás no placar, os gritos de incentivo da turma reunida em São Mateus não paravam. Mas o brado de gol só saiu aos 28 minutos, quando Neymar empatou. No intervalo, o estudante Luiz Rocha, 21, cornetou: "Certamente o Brasil vai virar. Falta ficar mais com a bola e manter a calma. Só o Hulk não está bem".

 

Do jeito que dá

E o Brasil de fato virou no segundo tempo. Enquanto a torcida vibrava na São Mateus, há alguns metros dali, em um posto de gasolina da Romualdo, o time de frentistas não tinha muito serviço. "Aparece um carro de vez em quando, vão dois, e ficamos aqui de prontidão", contou Carlos Eduardo Oliveira, 23. E para acompanhar a partida, como faz? Reginaldo Eleitério, 27, explica a manha: "Tem um telão ali, ó (mostrando a lanchonete Habib's, do outro lado da rua). Tentamos acompanhar alguma coisa. Quando ouvimos gritos de gol, corremos em uma pequena televisão que tem ali no escritório do posto", contou.

 

 

Corre-corre para acompanhar o jogo

Por volta das 15h desta quinta (12), horário em que aconteceu a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, os pontos de ônibus do Centro da cidade estavam lotados de pessoas vestidas de verde-amarelo, dirigindo-se para seus destinos para assistir ao evento. Em um supermercado da região, alguns torcedores deixaram para fazer suas compras de confraternização para o Mundial de última hora. Maria Amélia Ramos, 80 anos, apesar de portuguesa, estava preparando uma grande festa para acompanhar o jogo entre Brasil x Croácia. "São 12 pessoas me esperando lá em casa. Estou levando carvão, carne e cerveja. Tenho que ir embora logo para colocar a bebida para gelar."

O casal de namorados Bruno Vieira Ferreira, 23, e Mariana Galdino, 21, saíram do trabalho mais cedo e estavam se preparando para receber mais de dez convidados em um churrasco. Já o servidor público Sérgio Lima, 42, estava com dificuldade para comprar cervejas de 550ml. "Acabou tudo. Devia ter vindo mais cedo. Pelo menos a carne não vai faltar", brincou, enquanto se remediava com latas de tamanhos menores.

Antes de a bola rolar, as ruas da região central começaram a esvaziar e era possível escutar apenas o barulho de cornetas e buzinas. "Estou ansioso para começar a partida. O resultado vai ser 4 a 1 para o Brasil", estimou o taxista Sandro Alves Vitalino, 42. Em um bar, localizado na Rua São João, um grupo de amigos fazia a sua própria pré-hora."É só o começo da festa. Daqui, vamos para outro evento. Vai ser comemoração o dia inteiro. Afinal, não é sempre que temos um Mundial em nosso país", comentou o comerciante Rafael Martins, 29.

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