Cresce envolvimento de mulheres com o crime
É cada vez maior o número de mulheres que se envolvem no mundo do crime. Muitas são levadas por parceiros que oferecem conforto e status para as companheiras. Essa realidade, que vem se tornando mais perceptível no Brasil, também não é diferente em Juiz de Fora. Somente na última semana, foram pelo menos quatro registros que contaram com a participação do sexo feminino. Entre os casos está o de um homicídio ocorrido na noite da última segunda-feira, no qual uma mulher é apontada como suspeita de participação na morte de outra de 35 anos com seis tiros, no Bairro São Bernardo, Zona Leste. Segundo o último levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações Penitenciárias, em 2011, eram mais de 34 mil encarceradas, o que representa mais de 7% do total da população penitenciária brasileira. Em Minas, elas já sobrecarregam e superlotam as unidades prisionais. São quase três mil detentas para cerca de 1.700 vagas. Em Juiz de Fora, são 103 detentas na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires (ver quadro).
Na última semana, uma jovem, 21, também foi presa em flagrante pela Polícia Militar numa ação que resultou na apreensão de 15kg de drogas, no Santa Rita. Ela estava acompanhada de mais dois homens e, apesar de dizer que desconhecia o fato, a PM apreendeu 15 munições de calibre 38 dentro do aspirador de pó na casa dela. A mulher foi levada para delegacia e teve o crime ratificado, mas foi liberada mediante o pagamento de fiança. No último dia 11, uma mulher, 40, que estava na companhia de um rapaz, 27, foi presa, na Estrada União e Indústria, no Graminha, em um Fiat Uno, onde foram encontradas 400 pedras de crack. No estado, o tráfico de drogas aparece em primeiro lugar no ranking dos delitos praticados por mulheres (23,88%). Depois estão os crimes contra o patrimônio (18,94%), seguidos pelos crimes contra a pessoa (4,49%).
A pesquisadora Elizabeth Misciasci, autora do artigo “Aumento da criminalidade feminina”, acredita que o tráfico é o crime mais “viável de (a mulher) se fazer infiltrada”. Para ela, além de não requerer experiências, este tipo de delito se oferece como promessa de ganhos rápidos. “A mulher se vê apenas diante das ‘vantajosas ofertas’, que não são encontradas facilmente em outras modalidades de crime. Assim, resolvem se sujeitar a sorte, passando a traficar.”
A ação destas mulheres no tráfico, inclusive, tem sido flagrada pelo programa “Olho vivo”, em Juiz de Fora. No mês passado, uma jovem de 22 anos e uma mulher de 38 acabaram presas na Rua José Calil Ahouagi, no Centro, por suspeita de comércio de entorpecentes ao serem vistas por uma câmera do programa.
Outros crimes
Também na semana passada, um caso pouco comum envolvendo mulheres foi registrado em Juiz de Fora. Duas jovens praticaram um assalto contra um taxista. Uma delas tinha 14 anos e a outra 19. Elas acabaram detidas por suspeita do crime ocorrido no Bairro Novo Horizonte, na Cidade Alta. Este caso chama atenção diante da pouca idade da adolescente.
Em setembro, alguns registros também podem ser destacados, como o da mulher, 29, que teria jogado óleo quente no corpo do marido, durante uma briga, na Vila Olavo Costa, e o de outra que atacou a golpes de faca uma mulher, 31, ao confundi-la com outra pessoa, no Jardim Natal. Após ser surpreendida por outra mulher, a qual afirmava que ela teria matado uma criança de 3 anos, a vítima sofreu dois cortes no rosto, um no pescoço e também teve ferimentos na mão e no braço direitos ao tentar se defender.
Outros especialistas confirmam um novo perfil da criminalidade feminina. Se antes os crimes praticados eram basicamente o aborto, infanticídio e o homicídio passional, além dos pequenos furtos, atualmente as mulheres estão envolvidas em práticas mais violentas, como as relacionadas ao tráfico de drogas e aos roubos.
Para a coordenadora de Políticas Públicas para Mulher, Rose França, esse novo perfil deve ser visto de forma preocupante. “É triste ver que a mulher quer competir de igual para igual com o homem até no crime. Nós que trabalhamos com as políticas para as mulheres, defendemos a igualdade de condições e de oportunidades, mas muitas pessoas entendem que ser igual é cometer os mesmos atos que os homens. Elas querem demonstrar coragem, força e disposição e buscam poder e status. Como no mundo atual, as drogas estão inseridas, é cada dia mais comum ver uma mulher envolvida com o tráfico ou até ocupando o lugar dos homens.”
Já em relação à violência doméstica, Rose acredita que, quando as mulheres chegam a ser autoras, é porque geralmente foram vítimas anteriormente. “Este ano, fizemos o atendimento a 2.500 mulheres vítimas de violência e a três homens. E em 90% dos casos, tornaram-se autoras em virtude de terem sido vítimas. Geralmente sofrem agressões constantes até chegarem ao ponto de estourarem e praticarem o crime.”
Para o titular da 1ª Delegacia Regional de Juiz de Fora, Rodolfo Rolli, a participação do sexo feminino no crime tem se tornado evidente não apenas entre as mulheres adultas, mas também entre as adolescentes. “Cada vez mais, vemos a disposição dessas meninas para o ato infracional e, muitas vezes, mesclado com atos de violência, como os últimos casos de brigas na saída das escolas, envolvendo garotas. Elas agridem por inveja e ciúmes”, ressalta o delegado, lembrando que seis casos desse tipo de agressão chegaram à Polícia Civil em um mês. Para ele, os principais fatores que induzem as mulheres ao crime, tanto as adultas quanto as adolescentes, são a falta de estrutura familiar e a ligação com parceiros envolvidos na criminalidade. “Noventa por cento delas viraram criminosas porque foram levadas pelos companheiros e 10% escolhem esse caminho pelas próprias mãos”, avalia Rolli, enfatizando que a situação é alarmante. “No caso das adolescentes, a família precisa redobrar os cuidados, orientá-las, evitar as más companhias, com o intuito de não deixá-las se iludirem com as facilidades do mundo do crime.”









