Crise afeta carnaval 2016


Para Liga das Escolas de Samba, desfile na avenida seria inviável; agremiações do Grupo A receberiam 65% menos do que em 2015 (Gil Velloso/Divulgação/PJF)
A redução significativa da verba que a Prefeitura repassa às escolas de samba de Juiz de Fora pode inviabilizar o desfile das agremiações no carnaval de 2016. A proposta do Executivo é reduzir de R$ 63 mil para R$ 22 mil o valor repassado a cada escola do Grupo A, o que representa 65% menos. Para a maioria das agremiações, o repasse do dinheiro público representa a maior parte do montante usado para a confecção das fantasias e alegorias. Para o Grupo B, a redução seria de R$ 34 mil para R$ 14 mil. Já a única escola do Grupo C continuaria recebendo R$ 7 mil. A proposta foi apresentada na terça-feira (7), durante reunião entre secretários municipais e representantes da Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf) e das agremiações. A antecipação do desfile será mantida para uma semana antes do carnaval nacional.
Não só os desfiles seriam afetados pelo corte no orçamento, bem como todas as outras festividades carnavalescas apoiadas pela Prefeitura, incluindo apoio a blocos de rua, atividades tradicionais, bailes, carnavais de bairros, comunidades e zona rural, além do Corredor da Folia. A proposta designa R$ 900 mil para todas as atividades, 55% a menos que no último carnaval. Este ano, os recursos empreendidos foram em torno de R$ 2 milhões.
O vice-presidente da Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), Marcos Tadeu Soares, considera “absurda” a redução. “É impossível fazer o desfile com uma verba dessa. Oitenta por cento das escolas já decidiram que não vão desfilar”, disse. Na próxima segunda-feira, uma reunião entre os presidentes das agremiações vai discutir uma contraproposta. Caso não consigam aumentar o valor repassado pela Prefeitura, uma das propostas da Liga é que o dinheiro seja usado para eventos dentro de cada comunidade, cancelando o desfile na Passarela do Samba, montada na Avenida Brasil.
Em nota, a Prefeitura justifica a redução ao “cenário econômico nacional” e à “essencial economia de recursos e ajustes orçamentários”. Do valor total proposto para 2016, R$ 500 mil serão direcionados ao desfile das escolas de samba. A divisão proposta destina R$ 245 mil à Liesjuf e R$ 255 mil à estrutura e ao suporte necessários à montagem da Passarela do Samba. “A ideia é que o desfile seja totalmente remodelado, atendendo à atual realidade econômica do município”, diz a nota.
Conforme a PJF, a partir da apresentação da proposta, as escolas de samba têm até 15 de agosto para confirmar a participação e apresentar um plano para o desfile com os recursos indicados. “O desfile só será efetivado se houver adesão de pelo menos 60% das agremiações. Ficou proposto, ainda, que se a escola de samba confirmar participação e não efetivá-la, a agremiação ficará impedida de receber recursos da Prefeitura nos próximos dois anos.”
A Prefeitura vai apresentar ainda, por meio da Comissão de Carnaval, a configuração de uma nova estrutura para a Passarela do Samba, que permanecerá na Avenida Brasil, entre as pontes do Manoel Honório e Santa Terezinha, no Bairro Mariano Procópio.
Reações
“Não tem lógica fazer o carnaval com a redução dessa forma. Se essa for a proposta da Prefeitura, o Retiro já decidiu que não desfila”, decreta o presidente da Unidos das Vilas do Retiro, José Adriano da Silva. “É muito simples fazer o Corredor da Folia. Mas o desfile tem uma logística, tem um trabalho de preparo de um ano inteiro para chegar à avenida”.
O diretor de carnaval da Mocidade Alegre, Henrique Araújo, lembra que a verba não sofria reajuste há seis anos, enquanto que o custo dos materiais usados nos barracões aumentou. “Já fazíamos o carnaval com bastante dificuldade. Se reduzir para R$ 22 mil, será bem complicado, porque não paga nem 1/4 do custo. Temos que avaliar se vale a pena fazer. Não adianta fazer com verba reduzida e não apresentar bom carnaval, sem qualidade.”. Ele lembra ainda que diversas escolas estão com suas quadras interditadas, o que inviabiliza a realização de eventos para arrecadas fundos.
Blocos e carnaval de rua
Além do desfile das escolas de samba, outras festividades carnavalescas devem sofrer redução de repasse de verbas municipais. Dentro do valor total proposto pela PJF, R$ 400 mil serão destinados a esses eventos. Conforme a Funalfa, todos os pedidos de apoio serão avaliados por uma comissão mista, envolvendo diversos setores da Prefeitura e demais órgãos de segurança que atuam no município, assim como foi feito em 2015. “Os apoios serão reajustados, de acordo com a nova realidade econômica.” A proposta indica, também, que não serão concedidos apoios financeiros a novas iniciativas. No entanto, atividades estreantes poderão ser autorizadas de acordo com a análise da comissão.










