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27 de Março de 2014 - 06:00

Circuito de eventos debate memória, história, cultura e resistência em menção aos 50 anos do golpe militar

Por JÚLIA PESSÔA

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Em seu célebre livro "1968: o ano que não terminou", Zuenir Ventura fala do conturbado ano de 1968 no Brasil e no mundo, fazendo menção a eventos como a entrada em vigor do AI-5, que enrijeceu ainda mais o vigor da ditadura militar no Brasil, e mencionando também artistas perseguidos pelo regime, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Geraldo Vandré. Quatro anos antes, quando o golpe militar instituiu o regime ditatorial em solo brasileiro, iniciava-se um ano que, como o 1968 de Zuenir, também não terminou: 1964, cujas consequências e heranças culturais e políticas permanecem até a data de hoje.

Em menção aos 50 anos, Juiz de Fora receberá, a partir de amanhã, o circuito "1964: memória, história, cultura e resistência - 50 anos do golpe", que traz, sob abordagem política, cultural e acadêmica, eventos de naturezas diversas que discutem o tema. Nesta sexta, abrindo a agenda, Anita Leocádia Benário Prestes - filha dos militantes Olga Benário e Luiz Carlos Prestes - ministra a palestra "Lutas sociais do povo brasileiro", às 19h, na Câmara Municipal, abordando importantes momentos de movimentos populares de resistência político-cultural. No mesmo evento, haverá o lançamento do livro "Luiz Carlos Prestes- O combate por um partido revolucionário (1958-1990)", o décimo primeiro de Anita, que integra uma série de publicações da filha de Prestes sobre a atividade política de seu pai, que viveu 92 anos, dos quais 72 foram de intensa atividade política.

No sábado, o CCBM é palco do Protesto Cultural, que recebe atividades artísticas diversas. Às 16h, Tiago Rattes, Kadu Mauad, Julio Satyro, Fábio Machado e outros poetas participam, por meio do rap e da poesia, do "Poesia em estado bruto". Às 18h, o grupo Verbo em Descontrole dá prosseguimento à agenda, com leituras poéticas e intervenções em vinil. Às 19h, o projeto Teatro Lido apresenta o texto "Fábrica de chocolate", de Plínio Marcos, sob direção de Marcus Amaral, e com Giane Elisa, Gil Alves, Leonardo Cunha, Marcelo Costa Carvalho, Marcelo Jardim, Marcus Amaral e Vinícius Cristóvão no elenco. A partir das 21h, as bandas Barembar e Seu Nadir animam a noite ao som de rock.

Ainda no sábado, duas exposições serão abertas no CCBM, sendo uma a mostra documental "Cacos de uma memória oculta", que ficará em cartaz até o dia 4 de abril, com pesquisa e organização de Luciano Mendes, Fábio Machado, Bárbara Vital e Hussan Fadel. A outra é a exposição fotográfica "O olhar capturado como linguagem", que expõe trabalhos de Gopala Deva e Tom Rodrigues, também até o dia 4 de abril.

A programação de domingo é aberta com a oficina de lambe-lambe "Impacto", ministrada por Fernanda Toledo e, mais tarde, às 17h, o Teatro Lido apresenta o texto "Otelo Xeque Mate", do chileno Alberto Kurapel, dirigido por Marcos Marinho e com Gabriela Machado, Hussan Fadel, Marcos Bavuso e Tairone Vale em cena. Passeando por música e poesia, o poeta Júlio Satyro e o músico Léo Choco unem forças no evento "Palavra e som - performance poética", seguidos, às 19h, pela "Resistência musicada" com a banda FBI e o samba de Roger Resende.

Na terça-feira, dia 01, o "Sarau Cálice: Como beber dessa bebida amarga" aborda música, literatura e resistência na Livraria Liberdade (Rua Benjamin Constant 801, Centro). Também na Livraria Liberdade, na quinta-feira, dia 3, haverá a discussão "Liberdade ideias - 50 anos do golpe", às 19h, e na sexta, 4, às 20h, a mesa "Memórias da resistência em Juiz de Fora", com depoimentos de militantes de movimentos do período. Também lá, na sexta-feira, haverá o encerramento do circuito com a discotecagem em vinil "Americalibre", às 19h.

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