Publicidade

21 de Fevereiro de 2012 - 07:00

Acadêmicos do Manoel Honório, Rivais da Primavera e Turunas do Riachuelo completaram primeiro dia de desfiles

Por Tribuna

 

Acadêmicos do Manoel Honório

Encoberta no céu, mas brilhante no asfalto

A grande homenageada da noite não marcou presença na passarela do samba. A lua - tema do samba-enredo da Acadêmicos do Manoel Honório - não podia ser vista no céu, mas segundo o carnavalesco Aloísio Costa, o satélite natural estava em eclipse. Antes da escola entrar na avenida, o clima era de tensão. Após o início do tempo regulamentar, os organizadores ainda corriam para deixar pronto o último carro, que tinha o vereador José Tarcísio Furtado (PTC) como destaque. "Acompanho a Mocidade Alegre (de São Mateus) desde que ela lutava para conseguir o acesso, e ano passado foi a grande campeã do carnaval juiz-forano. Agora chegou a vez do Acadêmicos do Manoel Honório conquistar o campeonato e desfilar entre as grandes. Acho que sou pé quente", garantiu.

Apesar de não ter levantado o público, que agitou pouco no primeiro dia de desfiles em todas as apresentações, a escola de samba do Manoel Honório fez uma bonita participação, sendo aplaudida em alguns momentos. O carro abre-alas, intitulado "São Jorge Guerreiro" era representado por um grande cavalo branco sobre um dragão. Em seguida, no Carro das Lendas, a caracterização de uma bruxa, que arrastava um grande calabouço, foi considerado por muitos o diferencial do desfile. Para a manicure Regina Célia Gouvêa, 39, que há seis anos vai à avenida acompanhar as apresentações, os figurinos e a maquiagem foram os detalhes que mais chamaram sua atenção. "Percebo que as escolas estão cada vez mais preocupadas em deixar os desfiles mais atrativos."

A rainha do carnaval de Juiz de Fora, Marcela Almeida dos Santos, precisou colocar, literalmente, os pés no chão durante a apresentação. A sandália arrebentou durante a apresentação da Acadêmicos do Manoel Honório mas, segundo ela, isso não era motivo para parar de sambar. "Só paro na Quarta-feira de Cinzas, quando coloco os pés para cima e relaxo."

A agremiação do Manoel Honório desfilou no tempo regulamentar. Os cerca de 450 componentes, sendo 60 na bateria, foram divididos em oito alas, com 22 destaques. Segundo o presidente Marcos Ribeiro, tudo ocorreu como planejado. "Desfilamos com garra porque queremos chegar ao grupo A."

Carro das Lendas foi o 2º do desfile da Acadêmicos do Manoel Honório que levou a Lua para avenida

 

Rivais da Primavera

A saga do café, da Etiópia ao Brasil

A Rivais da Primavera, escola que tem o reduto em Benfica, na Zona Norte, entrou na avenida com o desafio de contar a história do café e sua importância para a cultura e economia do país. A pesquisa para transformar o tema em enredo demandou meses de pesquisa, conforme o carnavalesco Carlos Alberto Rachid, que também é autor do samba. "O trabalho começou alguns dias após o último carnaval. A comunidade comprou a ideia e se dedicou muito para deixar tudo pronto. Nossa apresentação mostra toda a trajetória da bebida, desde sua origem, na Etiópia, até sua chegada ao Brasil."

Sem qualquer imprevisto na concentração, a Rivais da Primavera cumpriu o desfile dentro do tempo regulamentar. Entre os cerca de 600 componentes estava a cozinheira Claudia Helena de Jesus, 38 anos. Ao contrário de outros colegas, que integram diversas agremiações, ela desfila apenas na escola de Benfica. "Não sei dizer quantas vezes participei, mas foram muitas." Sobre a sensação de entrar na Avenida Brasil representando a escola, Claudia Helena diz que é sempre um prazer. "Gosto muito, e ainda chego ao fim com vontade de começar tudo novamente."

O enredo "A saga do café em terras brasileiras" foi contado por meio de quatro carros alegóricos. O último, intitulado "Baluarte café", homenageava a velha guarda da escola. Os cerca de 600 componentes foram divididos em 13 alas, sendo 80 na bateria. Destaque para duas crianças, de 9 e 10 anos, responsáveis por tocar cavaquinho e acompanhar o intérprete Gê de Ogum, que também é um dos autores da música.

A diversidade de cores das alas foi um diferencial, observado inclusive pelos foliões presentes na passarela. "Esta mistura de cores deixou o desfile muito bonito", comentou o metalúrgico Ronaldo de Souza, 43, que estava acompanhado dos dois filhos, de 6 e 8 anos. Com melodia de fácil recordação, o samba foi cantado durante todo o desfile por grande parte dos integrantes, desde as crianças até os mais velhos.

Escola de Benfica levou enredo sobre a história do café à Passarela do Samba

 

Turunas do Riachuelo

Enredo campeão reeditado

Coube à Turunas do Riachuelo, primeira escola de samba a ser fundada em Minas Gerais, e a quarta no Brasil, encerrar o primeiro dia de desfiles em Juiz de Fora. Foi no samba enredo "A, E, I, O, Urca", uma reedição do carnaval de 1978, quando a agremiação foi campeã, que a comunidade depositou as esperanças para retornar ao grupo A, já no próximo ano. O desafio era contar na avenida a história da vida boêmia do Bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 30 e 40. Segundo o presidente da escola, Diomário de Deus, o tema deste ano foi escolhido pela qualidade e facilidade de montagem. "É um samba querido por muitos da velha guarda. Acreditamos muito nele porque já passou da hora de voltarmos à elite. Apesar das dificuldades, não poupamos esforços e investimos R$ 84 mil no desfile." A Turunas do Riachuelo não participou dos carnavais de 2009 e 2010, voltando no ano passado ao grupo de avaliação.

Os cerca de 400 componentes, entre eles 80 na bateria, entraram na avenida atrás de uma bonita e coreografada comissão de frente, que mesclava expressão corporal e interpretação a todo o momento para representar símbolos do bairro carioca. O público gostou e aplaudiu várias vezes.

No primeiro casal de mestre sala e porta-bandeira estava a telefonista Ana Beatriz da Costa, 20 anos de idade e oito de carnaval. "É minha primeira vez na Turunas do Riachuelo, mas também desfilo pela Real Grandeza (Grupo A)." Perguntada se sobra fôlego para o segundo dia de folia, ela afirma que sim, mas confessa que dores nos pés são inevitáveis. "O segredo é descansar todo o dia para estar pronta à noite", confessa.

Exaltando muito as cores da agremiação, azul e branco, a Turunas colocou quatro carros alegóricos na passarela. O último, que representava os programas e auditório da extinta TV Tupi, tinha como um dos destaques um sósia do comunicador Chacrinha. O desfile terminou por volta de 3h50, e foi concluído sem estourar o tempo regulamentar (de 40 a 60 minutos).

A telefonista Ana Beatriz da Costa carregou o estandarte da Turunas na avenida

Galeria de Imagens

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Edição impressa

Encontre um tema na

Pesquisa

Enquete

Você acha que a sociedade brasileira está preparada para aceitar um governante que apoie o casamento gay?