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07 de Junho de 2014 - 06:00

'Málkian - a lenda de Florine', do jornalista Hélio Rocha, será lançado hoje

Por JÚLIO BLACK

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Saga dos personagens criados pelo repórter da Tribuna deve se estender por seis livros
Saga dos personagens criados pelo repórter da Tribuna deve se estender por seis livros

Criar um novo universo, com toda a mitologia que o envolve, não é tarefa fácil. De Stan Lee e Jack Kirby (o Universo Marvel de Homem-Aranha, X-Men, etc.), passando por Gene Roddenberry ("Jornada nas estrelas") e J. R. R. Tolkien ("O Senhor dos anéis" ), vários escritores e roteiristas transportaram suas ideias para o imaginário da cultura pop. Fã da literatura fantástica infantojuvenil desde a adolescência , o jornalista da Tribuna Hélio de Mendonça Rocha resolveu colocar no papel não apenas o mundo que começou a criar ainda aos 14 anos, mas também alguns dos valores humanitários que lhe são mais caros. O resultado pode ser conferido neste sábado, às 16h, na livraria Planet Music, quando será lançado "Málkian - a lenda de Florine", primeiro dos seis volumes planejados pelo novo autor juiz-forano - três deles já concluídos.

"Duas grandes inquietações me motivaram a escrever. Uma delas é você ter diversos exemplares da cultura britânica, nórdica, como 'O senhor dos anéis', mas o romance de fantasia baseado na cultura latina, com a qual interagimos primeiramente, na base da nossa formação, ter se perdido. A outra é uma inquietação adolescente: 'por que não existe magia?'. Assim, comecei a criar o cenário", explica Hélio.

Com o tempo, ele foi lapidando a história, contada em retrospectiva no ano 1.334 da Era de Unny, quando a magia já havia dado lugar à tecnologia. Baseada no cristianismo latino, a aventura é situada em um continente dividido por uma cadeia de montanhas. Málkian é a metade ocidental dessa grande porção de terra, onde vivem os humanos e outras raças, com as Terras Místicas sendo praticamente inalcançáveis. Nos territórios habitados, há as ilhas de Bergrant e Tessan (morada dos magos necromantes); mais abaixo, fica o Reino de Kelsean, onde vivem a maioria dos humanos, os áquilas, os reptilianos gárgulas, os wazumis, os gigantes e os sub-humanos, entre outros. Sentindo-se só, a deusa-mãe Messa criou seus dois filhos, Unny e Skimord, permitindo a eles que criassem um mundo além das Terras Místicas, cujos habitantes deveriam ser orientados com sabedoria. Skimord, porém, queria tomar tudo para si e, com os mensás (anjos negros) criados por ele, passou a corromper os humanos. Ao tomar a alma do rei Yakaroff, ele promoveu a Era das Trevas, que durou mais de mil anos e só foi derrotado quando a encarnação da deusa Unny, junto aos áquilas (anjos brancos), aliou-se a um grupo de quatro cavaleiros - responsáveis pela mítica espada Florine, artefato decisivo para a vitória das forças do bem.

A introdução serve para localizar o leitor para a história que Hélio planeja contar neste primeiro volume: após mais de oito séculos de paz, um rei invejoso e ávido por ter o poder absoluto, Alzen I, proíbe o uso da magia e manda prender os quatro cavaleiros que compõem atualmente a ordem dos Guerreiros Sagrados de Unny. Com o auxílio do único mensá ainda vivo, Markus Lian, os cavaleiros e a maioria dos áquilas são assassinados, além de outros elementos que poderiam contestar sua autoridade. Os poucos insurgentes que sobreviveram precisam se esconder do tirano, enquanto tentam proteger Lorey, a áquila filha de um dos cavaleiros assassinados e futura responsável pelo ressurgimento dos Guerreiros de Unny. E este é só o início da saga, que deve ter como ápice a nova guerra entre as duas forças, culminando com a erradicação da magia.

Mesmo se tratando de uma aventura de fantasia, Hélio deixa claro que muitas questões importantes permeiam toda a trama. "Esse diálogo com a latinidade foi surgindo ao mesmo tempo que a alegoria sobre o fim da magia, assim como em 'O senhor dos anéis' existe a alegoria do poder, 'um anel para todos governar'. Em 'Málkian', ela é o fim da magia, que se perdeu, em um cenário renascentista em que há esse ponto de distensão, quando se abandona o aspecto medieval e começa a se entrar no cientificismo. Os personagens vivem exatamente este momento: fala-se muito no livro de humanismo, absolutismo, que vão conduzir para que Málkian, ao fim da narrativa, seja aquele mundo em que a personagem, no início da história, lamenta ser um mundo de fumaça, onde as pessoas são escravas do poder das máquinas no sentido social. Busquei condensar tudo de forma coerente, para que essa transição ocorresse num período equivalente ao de uma saga épica infantojuvenil", esclarece Hélio.

"Começa com o herói sem saber que é herói, descobrindo isso aos poucos. No tempo equivalente a essa 'jornada do herói', Málkian vai viver em seus diferentes lugares os diversos momentos da humanidade, mas o dilema que está presente nos personagens, tanto os bons quanto os maus, é o vivido no barroco: 'agora o ser humano está no centro do universo, somos livres para ser cientistas, para pesquisar; o que a gente faz com isso? Abandonamos aquele alicerce?'. A posição da religiosidade latina diante do cientificismo é muito ligada ao barroco."

Com três dos seis volumes já escritos (o quarto encontra-se nos estágios iniciais), o autor adianta que já tem na cabeça a linha principal de toda a trama. "Quem ler os três primeiros volumes já vai ter noção (da história). Até o terceiro é uma luta contra o mal, contra Tessan, os necromantes. A partir daí, o leitor começa a perceber que existe algo maior que um simples embate entre as duas forças no aspecto da magia. A própria personagem do início comenta sobre como as coisas mudaram, e para pior, devido ao abandono da magia pelas máquinas", diz Hélio, para quem a série de livros "As crônicas de Artur", de Bernard Cornwell, foi sua principal influência no que diz respeito à narrativa.

  

O desafio de publicar

Para os personagens, as fontes são diversas. "Minhas referências para construir os personagens foram, por exemplo, Dom Quixote, personagens de Shakespeare, que podem se dar mal, morrer, mas com um motivo, de forma dramática, o que é coerente com a narrativa", conta Hélio. O período em que passou em Portugal, participando de intercâmbio na Universidade de Coimbra, também foi fundamental para cimentar o mundo de Málkian. "Busquei referências para a construção de personagens e a própria filosofia e cosmologia de 'Málkian' a fim de embasar tudo que acontece. Por exemplo: por que os mensás foram extintos? Fui buscar isso na literatura mais profunda, em filosofia, me tornei leitor disso para sustentar minha narrativa. Tive contato com a literatura grega, latina, quando fui para Portugal, fui desenvolvendo os alicerces deste cenário."

Com isso, há uma diversidade de personagens baseados em figuras históricas. Um deles, que deve aparecer no futuro, é inspirado no Infante Dom Henrique, fundador da Ordem de Cristo e considerado o grande incentivador das navegações de Portugal entre os séculos XV e XVI. Para ele, visitas a locais históricos da Península Ibérica, como o Convento de Cristo, ajudaram-no a desenvolver o sentimento que se encontra presente no livro, da decadência de um mundo antigo que luta para se manter.

Com o livro pronto, foi hora de encarar um desafio tão árduo quanto enfrentar Markus Lian: buscar um lugar ao sol nas editoras. O resultado, para Hélio, pode ser considerado "um fiasco total". "Você manda o livro, e a editora não responde, ou dá como desculpa que 'o mercado está difícil, nossos investimentos estão canalizados para outro setor', uma coisa genérica. Conversei com pessoas que têm livros publicados ou que trabalham no setor, e você fica sabendo que é uma questão comercial. Eles pagam a peso de ouro por um livro de autoajuda que fez sucesso nos Estados Unidos, pois sabem que é sucesso garantido", relatou, acrescentando que não queria fazer a opção pela publicação por financiamento público.

"Não concordo em gastar dinheiro público com algo que não é ligado à cidade. Eu desenvolvo um projeto por meio da Lei Murilo Mendes que é um livro sobre um ex-combatente da II Guerra Mundial, de Juiz de Fora, que vai valorizar a cultura local, mas 'Málkian' é uma questão diferente, pessoal. Então preferi ser autor independente, coisa que muita gente faz hoje. É um recurso que utilizei porque o mercado não te absorve se você já não tem um nome. Publicando, você já é um autor, mesmo que com repercussão local. Mas já começa a circular. Um calhamaço que chega a uma editora é tratado como nada."

Além do próprio esforço para realizar o sonho de ver suas ideias impressas no papel, Hélio destaca o auxílio de dois amigos, o agente literário Marcelo Teles e o ilustrador Paulo Victor Moraes. O próximo passo é passar de um a dois anos promovendo "Málkian" antes de pensar na publicação do segundo volume, além de trabalhar no livro sobre a II Guerra Mundial. Sem medo de abraçar o mundo, ele ainda vai aproveitar julho para realizar um trabalho humanitário na Namíbia, país localizado no sudoeste da África. "O que mais gosto nessa vida é fazer dela uma narrativa tal e qual as que eu gosto. Escolhi a profissão de jornalista ao invés da de professor porque gosto de estar nos lugares, ver a História acontecer. Uma coisa que move minha vida é poder ajudar os outros, viver de forma que ela valha a pena, ser nesse mundo de hoje alguém que transmite os valores que aprendi e que coloquei no livro. Eu sou um cara que tenta viver aquilo que escreve."

"MÁLKIAN - A LENDA DE FLORINE"

Lançamento de livro

Hoje, às 16h

Planet Music (Avenida Itamar Franco 1.522)

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