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23 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Seis agremiações desfilam hoje pelo Grupo B no carnaval antecipado

Por MARISA LOURES

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A expectativa da Acadêmicos do Manoel Honório é "levantar a arquibancada" e sacudir o público, unindo as duas maiores paixões do brasileiro: o carnaval e o futebol. A primeira escola a cruzar, hoje, às 20h, o tradicional percurso da Passarela do Samba, que vai da ponte do Manoel Honório à da Santa Terezinha, reúne 400 componentes para evocar os "talentos que viraram reis, nossa riqueza, nossa graça, nossa beleza, nossa taça", com o enredo concebido por Ludmila Abreu. "Vamos contar a história do Brasil e da Copa do Mundo, passando por todos os títulos recebidos pelo nosso país. Apesar de relembrarmos a tragédia do Maracanã, quando o Uruguai nos venceu em casa, levaremos uma mensagem mais positiva", afirma Marcos Pinto Ribeiro da Silva, o Coruja, presidente da escola. A comissão de frente lembra passos de jogadores. A ideia é sacudir a rede e garantir uma vaga, em 2015, na elite do carnaval juiz-forano. "Nos dois últimos anos, batemos na trave e ficamos em terceiro lugar. Acreditamos muito no conjunto da obra."

Ser a número um a passar pela pista de 390 metros de extensão não amedronta. "Pegaremos uma avenida cheia porque a passarela está muito próxima ao Manoel Honório, além do mais o pessoal vai corresponder porque o desfile do Grupo A vai fazer com que o público queira voltar hoje. Vamos deixar a responsabilidade de fazer melhor para os outros", ressalta Coruja. A agremiação investiu em 60 ritmistas, três alegorias e 15 baianas. O grupo Afoxé Niza Nganga Njungo dará as boas-vindas à plateia em desfile marcado para as 19h.

Na letra de "A origem da escrita", que será interpretada por Gê de Ogum, a Rivais da Primavera vai voltar ao tempo das cavernas com a finalidade de chamar atenção para perdas de velhos costumes ocasionadas pelas novas tecnologias. "As pessoas não estão sabendo se comunicar mais, estão deixando de lado a prática de escrever cartas. Precisamos retomar isso", defende o alegorista Edmar Augusto da Silva, destacando que a diferença da escola é manter viva o elo com a comunidade. "Não é uma escola que tem dono. A nossa bateria também faz a diferença. Se não for a melhor, é uma das melhores. Temos uma molecada jovem, que se aperfeiçoou fora daqui. As alegorias estão vindo bem luxuosas", garante Edmar. Dos 400 integrantes, 80 estarão sob o comando dos mestres de bateria Adão e Vitor.

A União das Cores, do Bairro Milho Branco, será a terceira a agitar os foliões. Se o tempo máximo de 50 minutos for respeitado, seus tons em preto e branco devem entrar na Passarela do Samba por volta das 22h. Os 250 componentes levantarão a bandeira do "Orixá Xangô, Senhor da Justiça". A cultura negra será exaltada com figuras ilustres, como Zumbi dos Palmares e Nelson Mandela.

Se a Feliz Lembrança surgiu em 1939 da necessidade de competição, a rivalidade de outros carnavais parece não ter se aflorado tanto durante o reinado de Momo deste ano. A agremiação, que tem como reduto a Avenida Sete e o Bairro Barbosa Lage, comemora os 75 anos de fundação, homenageando escolas de samba, personalidades e blocos tradicionais da cidade, como Turunas do Riachuelo, Mamão e o Domésticas de Luxo. Quinhentos componentes brindarão "a herança cultural dos povos" e a Festa de Momo. "Em noite de gala, bodas de brilhante vou comemorar. Com Pierrot, Colombina e Arlequim. A ordem do rei é sambar", determina a setentona.

De acordo com o presidente da Unidos da Vila do Retiro, José Adriano da Silva, não há como prever a vitória, mas dá para vislumbrar a subida para o Grupo A. Por isso, a escola, que tem as cores azul, verde, amarelo e branco, guarda algumas surpresas para o momento tão esperado. "Tivemos muita dificuldade para fazer um belo desfile por causa da pouca verba, já que o valor que nos foi repassado não aumentou de um ano para o outro, mas estamos tentando fazer o máximo. Queremos ser campeão ou vice, porque duas escolas subirão para o Grupo A. Temos um compromisso com a cidade, que está acreditando na antecipação do carnaval", destaca o presidente. José Adriano conta que 450 foliões, entre destaques e ritmistas, mostrarão garra ao cantarolar o samba que abre portas para o mundo das ilusões.

Quem terá que manter a energia acesa da plateia até a madrugada é a Partido Alto. Segundo a presidente, Regina Rabello, a escola de 1967 se renderá à vida de Cartola e à Mangueira. A apresentação contará com 400 integrantes, três alegorias, dois casais de mestre sala e porta bandeira. "Talvez em função de ter caído no ano passado para o Grupo B, nosso trabalho foi mais rápido do que o de outras escolas. Cair nos fez renascer das cinzas."

 

A Passarela do Samba vai contar com banheiros químicos, cerca de 50 ambulantes e dez barracas responsáveis pela venda de alimentos, bebidas e produtos de carnaval. Para garantir a segurança do público, a Funalfa fechou um esquema especial com a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. A interdição das ruas dos bairros Mariano Procópio e Santa Terezinha será mantida pela Settra até as 7h de segunda-feira. Após esse horário, o itinerário dos coletivos das empresas Norte, São Francisco e Santa Luzia devem voltar ao normal.

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