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01 de Junho de 2014 - 06:00

MC Marechal se apresenta na Praça Antônio Carlos hoje

Por MAURO MORAIS

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MC Marechal distribui livros em seus shows
MC Marechal distribui livros em seus shows

A música transforma. As mãos também. Com as mesmas mãos que empunha o microfone, o rapper nascido em Niterói (RJ) MC Marechal faz de sua mensagem uma ação concreta. "Os verdadeiros sabem de onde eu vim/ reconhecem quando os versos são de coração./ Um só caminho/ Mais que música é uma missão/ não rendo pra gravadora/ quer me pôr sobre pressão/ não sei fazer o som do momento/ eu faço dos momentos, um som", canta em "Um só caminho", título que carrega no braço, em tatuagem, e na vida como discurso. "Minha experiência me levou a entender a importância de se voltar para as coisas mais originais da essência do ser humano, como prestar atenção e respirar; se alimentar da melhor forma; trocar ideia com pessoas com respeito, de igual para igual. Isso é parte da realidade. É preciso estar pronto para ela e ter muita disposição para enfrentá-la, enquanto tem muita gente querendo sair dela", argumenta ele, que criou a organização independente "Vamos voltar a realidade", cujo objetivo é promover músicas e ações socioeducativas em conformidade com a cultura hip-hop.

Encerrando a ocupação de praças da cidade no "Maio cultural", MC Marechal canta, neste domingo, às 20h, na Praça Antônio Carlos. Surgido nas rodas cariocas de freestyle, o rapper se apresenta no mesmo espaço onde os MCs juiz-foranos costumam realizar alguns encontros. "A nova geração tem um gás que me renova sempre. Aprendo muito com essa troca", diz Marechal, nascido Rodrigo Vieira. De uma geração anterior aos anos 2000, ele começou sua trajetória através do esporte. "Jogava basquete e, no meio disso tudo, sempre tocava um rap. Comecei a me identificar com o ritmo e logo depois ouvi uma música do Gabriel O Pensador, dos Racionais MC's, isso em 1993. Eu já tinha riscado alguma coisa antes, mas nem sabia que era um estilo de música. Só depois, em 1998, fui me aprofundar na cultura hip-hop", conta.

Do contato com a cultura de raízes africanas, jamaicanas, latinas e afro-americanas, MC Marechal percebeu que sua arma estava na voz e também na força bruta. Há mais de dez anos na produção de um disco solo - inicialmente, nos anos finais da década de 1990, o rapper pertenceu ao grupo Quinto Andar, com De Leve, Shawlin e outros -, ele ainda não conseguiu reunir seu trabalho em uma mídia física, mas já distribuiu mais de mil livros em seus shows, de diferentes autores e de forma gratuita. "O 'Projeto Livrar' é muito importante para mim. Sempre quis e faço questão de praticar o que eu acredito e digo nas letras. E essa ideia de espalhar a cultura também está na 'Batalha do Conhecimento', que ocupa o museu (o MAR - Museu de Arte do Rio) todo mês. No ano que vem, entraremos com um projeto de hip-hop nas escolas", expõe. "Eu tenho obrigação de fazer alguma coisa antes de fazer rap."

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