Publicidade

24 de Junho de 2014 - 06:00

Joãozinho da Percussão completa 75 anos nesta terça-feira, pensando no presente sem se esquecer do passado

Por JÚLIO BLACK

Compartilhar
 
Joãozinho da Percussão trabalhou com boa parte dos grandes nomes da MBP nos últimos 50 anos
Joãozinho da Percussão trabalhou com boa parte dos grandes nomes da MBP nos últimos 50 anos

"Chegar aos 75 anos de idade fazendo música é muito gratificante. A gente não espera chegar nessa idade ainda produzindo." Esse é o sentimento do ritmista juiz-forano Joãozinho da Percussão, que completa 75 anos de vida nesta terça-feira e relembra as décadas vividas graças à música, uma de suas grandes paixões - e que não planeja largar tão cedo. Além de participar dos shows de vários amigos pela cidade, ele estará nesta sexta-feira (27), às 19h30, no CCBM, com o seu espetáculo "Chega de saudade". No repertório, canções do período em que trabalhou com alguns dos mais conhecidos nomes da MPB, como Jorge Benjor, Chico Buarque, Tim Maia e Benito di Paula e que já pode ser conferido em outras ocasiões.

Se atualmente prefere não sair de Juiz de Fora ou assumir compromissos profissionais com muita antecedência, no passado o ritmista não pensava duas vezes antes de rodar o mundo para fazer o que mais gosta. Ele esteve em diversos países ao redor do globo, como Estados Unidos, Argentina, Bahrein, França, Portugal e Suíça, entre outros, mas sem esquecer de onde veio. "Foi muito bom tocar no exterior, adquiri ainda mais experiência. Mas tenho uma coisa comigo: não importa se é em Paris ou em um lugar simples, sempre me apresento com vontade, alegria", afirma Joãozinho, que costuma dizer ter "70 anos de música". "Aos 5 anos, já começava a brincar com instrumentos musicais em casa, pois meu tio era músico. Ele armava a bateria, eu começava a brincar com isso. Sempre tive essa atração pela percussão."

Joãozinho lembra que chegou a trabalhar no início da adolescência em uma loja de brinquedos como entregador, mas que pouco tempo depois vivia apenas da música, primeiramente em Juiz de Fora e, em seguida, em Belo Horizonte, quando trabalhou com o grupo de Célio Balona. Pouco tempo depois, estava em São Paulo participando do grupo de Benito di Paula, antes de ficar dez anos tocando com Jorge Benjor (na época ainda Jorge Ben). "O pessoal do Rio vinha tocar aqui em Juiz de Fora, e eu morria de vontade de ir para a então capital federal, até porque se não tocasse no Rio você não era conhecido. Mas acabou que fui me apresentar primeiro em São Paulo, no grupo do Benito di Paula, depois de o maestro Terra me levar de Belo Horizonte para lá. Isso foi no final dos anos 50, início dos anos 60. Entrei para a banda do Benito, e assim foram dois anos até encontrar com Jorge Ben, na França, e ele me convidar para tocar no grupo dele", conta o ritmista, que também foi um dos fundadores do grupo A Cor do Som e esteve na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, na banda de apoio de Pepeu Gomes e Baby Consuelo. No currículo do artista, contam ainda três CDs próprios, além de um DVD.

   

Pequeno aprendiz

Questionado sobre as coisas boas que obteve graças à música, Joãozinho da Percussão destaca o reconhecimento do seu trabalho, seja pelos convites que recebeu durante toda a carreira para acompanhar outros artistas em turnês e gravações de álbuns ou os elogios do público. Mas, como todo músico, ele também teve seus aborrecimentos pelo caminho com empresários que tentam dar o passo maior que a perna. "Fui tocar em Portugal com Pepeu Gomes e Baby Consuelo e, como a situação não transcorreu como o empresário esperava depois do primeiro show, ele sumiu, largou a gente no hotel. A produção nos mandou de volta depois disso, sem ver a cor do dinheiro. Um ano ou dois após o calote, quando fomos fazer um show em Volta Redonda (RJ), esse empresário mandou o dinheiro que devia para nós. Houve uma situação parecida em outra oportunidade: estava no antigo Hotel Intercontinental, no Rio, quando um outro empresário disse que queria conversar comigo. Ele também tinha me dado um cano e queria me pagar o dinheiro que devia de uma apresentação."

Outro motivo de orgulho para o ritmista é saber que muita gente que hoje vive de música está nessa vida por causa dele, seja pela admiração ou pelas aulas que ele ministrou durante a carreira. Até mesmo dentro de casa: seu neto de 2 anos, acredita, vai manter o nome da família ligado ao ritmo. "Ele adora samba, se vê o pandeiro já quer tocar, sabe o encaixe da mão e pega a baqueta. Esse vai encarar mesmo", elogia o admirador do samba nas vozes de gente como Wilson Simonal, Emílio Santiago e Leni Andrade, sempre presentes no seu aparelho de som. "Ouço muito samba em casa, tem muita coisa boa. O problema é que o pessoal associa o gênero apenas às escolas de samba; esse samba que eu falo é para dançar, com uma orquestra como a do Severino Araújo, a gafieira."

Ao final de entrevista, quando perguntado se a vida dá a ele mais que imaginava, Joãozinho da Percussão responde sem titubear. "A vida sempre me deu mais do que eu merecia. Não posso reclamar de nada, sempre fui muito bem-sucedido em tudo que fiz. Minha vida tem sido muito boa, só posso agradecer a Deus."

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que o subsídio do Governo vai alavancar a aviação regional?