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02 de Abril de 2014 - 06:00

Funalfa e CCBM homenageiam 30 anos da campanha 'Mascarenhas meu amor' com projeto voltado à música local

Por JÚLIA PESSÔA

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Lá pelos idos dos anos 1980, intelectuais, jornalistas e artistas da cidade estufavam o peito e diziam "Mascarenhas meu amor". A campanha marcou a história de Juiz de Fora e contribuiu, de forma decisiva, para que a antiga fábrica de tecidos Bernardo Mascarenhas se tornasse o atual Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Empunhando cartazes e engrossando o coro da declaração de amor à cidade estavam Dnar Rocha, a família Bracher (Nívea, Carlos, Décio e Fani), os escritores Marina Colassanti, Affonso Romano de Sant'anna e Rachel Jardim, o artista plástico Jorge Arbach, o ator Gueminho Bernardes e os jornalistas Jorge Sanglard e Walter Sebastião, entre muitos outros.

Em menção ao movimento, que completa três décadas, o projeto "Mascarenhas minha música" será lançado hoje, pela Funalfa, com o intuito de valorizar a música juiz-forana e os artistas locais. Os shows serão realizados todas as quartas-feiras, até novembro, a preços populares.

"É uma forma de homenagear o movimento e os artistas e intelectuais que acabaram dando este presente tão importante para nossa prática cultural", diz o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. "O 'Mascarenhas meu amor' é uma prova que manifestações da população podem alterar os quadros da cultura local e do país. Este projeto musical o celebra de maneira muito oportuna, trazendo contribuições para o artista local, para o público e ajudando na formação de plateia, que já eram ideais do movimento dos anos 1980." Toninho destaca, ainda, que a iniciativa faz parte de um plano da Funalfa em contemplar as diversas linguagens artísticas existentes na cidade.

É o que também aponta o diretor do CCBM, Zezinho Mancini, para quem a música é a expressão artística mais avançada em Juiz de Fora. "A ideia é trazer os artistas para perto do CCBM, transformando o nosso teatro em um novo espaço para difusão da música, principalmente autoral. Temos dado prioridade para artistas que vêm desenvolvendo sua própria linguagem, mas os shows não serão totalmente autorais, para que possam ser mostradas também as referências de cada um deles.", destaca ele. As entradas podem ser adquiridas por R$ 5 na portaria do CCBM, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, e aos sábados e domingos, das 10h às 21h.


Neste mês de abertura da atração, os artistas foram convidados a compor a programação. São eles: Caetano Brasil e Dudu Lima Trio, Quinteto São do Mato, o pianista Márcio Hallack, o violeiro Fabrício Conde e o pianista Rafa Castro. Para os outros meses, será criado um regulamento que norteará a seleção de propostas de shows e será divulgado oportunamente.


"A escolha das atrações do primeiro mês é temática, compostas somente por música instrumental. Com a alegria da música do Caetano, o virtuosismo do Rafa, a excentricidade do som do Quinteto e a vigorosa pesquisa do Fabrício podemos dar um gostinho de toda essa pluralidade de sons que os artistas daqui produzem. A sequência do projeto vai trazer mais disso, abriremos espaço para qualquer estilo musical: o único pré-requisito é que seja bom, só isso", diz Zezinho Mancini.

A noite de hoje marca, além do início do projeto, outra estreia, a primeira vez que o clarinetista Caetano Brasil se apresenta oficialmente com o baixista Dudu Lima e os outros dois integrantes de seu trio, o pianista Ricardo Itaborahy e o baterista Leandro Scio. "Já havíamos tocado juntos em outras oportunidades, mas é a primeira vez que sentamos juntos para elaborar um repertório e os arranjos. Estamos preparando algo diversificado, baseado no último trabalho do Dudu, o CD "Clássicos", algumas composições minhas e outras peças comuns de música brasileira, jazz e música erudita", adianta o clarinetista.

Para Dudu, a noite é uma oportunidade para fortalecer o elo entre as diferentes gerações de músicos da cidade. "Quando era mais jovem, tive oportunidade de tocar com músicos de gerações anteriores à minha, e é muito bom estar do outro lado da moeda. Caetano é um grande talento de seu tempo, e acho essa renovação fundamental, representa a base para que a música de qualidade, a que nós acreditamos, continue sendo feita", opina o baixista. "Além disso, é mais um meio de ocupação dos espaços artísticos da cidade: o CCBM tem uma estrutura bacana de luz e som, e é muito importante que ele esteja aberto ao uso de artistas locais, com trabalho autoral e a preço popular", completa Caetano Brasil.


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