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07 de Março de 2014 - 06:00

Inspirada por participação em romaria, artista plástica retrata fé em exposição que inaugura calendário do Pró-Música

Por JÚLIA PESSOA

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... partindo da experiência de sua própria participação em romaria
... partindo da experiência de sua própria participação em romaria

"Na longa caminhada que é uma romaria, os pés são a parte mais simbólica e também foram a parte do meu corpo que mais sofreu." Sem motivações religiosas, a artista plástica Ropre decidiu testar sua fé e acompanhar os peregrinos que se dirigem a Romaria, a 90 km de Uberlândia, onde vivem. De seus próprios passos no trajeto, que, segundo ela, "exige muito do corpo, mas eleva o espírito", nasceu a mostra "Peregrinos - os pés", em cartaz este mês na Galeria Renato de Almeida, no Pró-Música.

A exposição traz 14 telas inéditas, feitas em pintura acrílica sobre lona e monotipia, criadas pela artista em janeiro deste ano. "Foi um processo muito rápido entre a inspiração, a criação e a aprovação no edital. Em algumas obras, depois de aplicada a pintura acrílica, pisei em tintas e caminhei sobre as telas, marcando meus passos sobre elas, em referência à caminhada de fé, minha e dos outros peregrinos", conta a artista.

Na romaria, realizada anualmente em agosto, Ropre caminhou, no ano passado, por 12 horas e se comoveu tanto com a fé dos romeiros quanto com a solidariedade das pessoas para com eles durante o percurso. "Retirei meus tênis, que já estavam apertados devido às bolhas nos pés, e um rapaz se sentou em minha frente e disse: 'Não se preocupe, vou cuidar de seus pés'. Pode parecer simples, mas comoveram-me a preocupação e o carinho de um garoto disposto a massagear e furar as bolhas dos pés de uma pessoa que ele nunca viu antes."

Algumas das obras receberam um pedaço da memória afetiva da própria artista, com a incorporação de pequenos pedaços de um cobertor que acompanhou por toda a infância às pinturas. "Qualquer expressão sobre a fé é muito subjetiva. Algumas telas trazem figuras humanas, às que acrescentei os fragmentos do cobertor, que remete ao carinho da infância, ao conforto, algo que para mim, de alguma forma, se relaciona com a fé. E agora este sentimento foi multiplicado e estará comigo para sempre, nestas telas", observa Ropre, que, além do trabalho artístico, carrega da experiência uma renovação da própria fé. "Em mim mesma, na vontade de cumprir meus objetivos, ainda que difíceis, como esta caminhada."

"PEREGRINOS - OS PÉS", de Ropre

Pinturas acrílicas sobre tela.

Abertura no dia 10 de março, às 19h

Na Galeria Renato de Almeida do Pró-Música/UFJF

(Av. Rio Branco 2.329)

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