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12 de Janeiro de 2014 - 07:00

Com promessa de abrigar o maior planetário do estado, prédio do Centro Didático de Astronomia da UFJF, orçado em R$ 10 milhões, deve ficar pronto em março

Por MARISA LOURES

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Com obra em fase de acabamento, espaço vai contar com teto retrátil e 12 telescópios computadorizados

Anunciado como o maior planetário do estado, com cúpula de 12 metros de diâmetro, visão em 360 graus, teto retrátil e 12 telescópios computadorizados, sendo um exclusivo para observação do sol, o Centro Didático de Astronomia Planetário e Observatório Astronômico, da Universidade Federal de Juiz de Fora, será inaugurado com a promessa de permitir a contemplação dos corpos celestes com detalhes em alta definição. Iniciados em janeiro de 2012, os trabalhos deveriam ser finalizadas este mês, mas foram prorrogados para março, dois meses após o previsto. "Desde o início, sabíamos que levaríamos mais tempo. É uma obra diferenciada para um cronograma de 12 meses", afirma o pró-reitor de Infraestrutura, Paschoal Tonelli.

A intenção é que o novo espaço seja mais uma opção de cultura e lazer. Nele, será possível ver os corpos celestes em um equipamento de sete mil fibras óticas, que pode representar isoladamente uma estrela. Não só a produção de imagens dos astros, mas atividades relacionadas a outras ciências, como o funcionamento celular e os animais pré-históricos, poderão ser conferidas. O local terá laboratórios, auditórios e áreas para experimentos de física. Ainda entre os equipamentos, estão binóculos e câmera para fazer registro dos astros.

"Os planetários mais modernos são digitais e englobam programas de diversas áreas. Aquela concepção ligada somente à astronomia não existe mais. Você tem ideia do que é ver um tubarão passar por cima da sua cabeça e os templos do Egito antigo? O céu de Belém, o mesmo que foi visto quando Jesus nasceu?", reflete Nelson Travnik, diretor do Observatório Municipal de Americana/SP e Observatório Astronômico de Piracicaba/SP. O astrônomo, que tem fortes ligações com Juiz de Fora, esteve na cidade em 2013 e aproveitou para conhecer, de perto, a realização de um projeto que faz parte de um sonho acalentado por ele há 30 anos.

Segundo ele, na época em que residiu aqui, chegou a apresentar a ideia de um planetário para o local onde funciona o Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental da instituição juiz-forana. Ele também fundou, em 1954, o Observatório Astronômico Flammarion, em Matias Barbosa. "Não estou mais aí, mas fico contente de saber que Juiz de Fora vai ganhar um planetário de ponta como este. Os equipamentos adquiridos estão entre os melhores do mundo", avalia o observador credenciado da Nasa-JPL e autor do livro "Os cometas" (Papirus), de 1985. Figura relevante dentro da ciência astronômica, seu nome consta no "Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica", de Ronaldo R.F.Mourão (Editora Nova Fronteira), de 1996.

Sediado há sete anos ao lado do Colégio João XXIII, o Centro de Ciências também passará a funcionar no novo endereço. "A gente terá a oportunidade de atender um número maior de pessoas. Para o meio do ano, estamos prevendo trazer, do Rio, uma grande exposição temporária e interativa, semelhante à 'Cadê a química', em cartaz", adianta o diretor do órgão, professor Eloi Teixeira, ressaltando que o local permitirá a realização de atrações que, hoje, não podem ser executadas. "Teremos condições de receber visitas simultâneas. Não podemos esquecer que, durante anos, o nosso planetário aqui do João XXIII foi um grande atrativo. Por aqui, passaram mais de cem mil visitantes."

Ainda está na programação o oferecimento de cursos de formação de professores. "A aposta é na divulgação científica. Vai beneficiar até o turismo da cidade." Com relação à visitação, o professor adianta que deve ser com horário agendado. O regimento do espaço ainda não foi elaborado.

 

Arquitetura arrojada 

Orçado em mais de R$ 10 milhões e com quase cinco mil metros quadrados de área construída. Além de números vultuosos, o projeto chama atenção por seu design. "A intenção é fazer a integração entre os ambientes", comenta Tonelli, justificando que a necessidade de correções no projeto estrutural foi a responsável por alterações no andamento dos trabalhos. "Tinha uma viga passando no lugar onde será instalado o elevador panorâmico. Não justifica fazer o deslocamento sem poder ver o entorno. Qualquer obra pode sofrer alteração depois de iniciada", alega Tonelli. O pró-reitor também comenta que todo o equipamento foi adquirido antes do início da construção, pois a obra deve ser planejada, observando as especificidades do material.

Compondo o cenário do Centro de Vivência, com parquinhos, jardim e espaço para shows, o observatório ganhará fachadas nos dois blocos laterais envolvidas por Alucobond, revestimento em alumínio fácil de ser instalado e bastante utilizado pela arquitetura contemporânea, inclusive em alguns edifícios de Juiz de Fora. No centro, que terá elevador panorâmico, a frente será coberta por espelhos. Um corredor em cada andar ligará o conjunto. Já no térreo, colunas arredondadas darão sustentação ao espaço, também composto por amplas áreas de circulação.

O comando dos trabalhos está a cargo da empresa Zaquieu Arquitetura e Construção. Segundo o engenheiro Fábio Loureiro, a obra já está em fase de acabamento, sendo que o próximo passo é partir para a pintura e aplicação de azulejos. O chão será coberto por granito e piso monolítico. Já é possível ver a estrutura metálica de uma das cúpulas instalada. "É um projeto muito arrojado. Dependendo da luz, o Alucobond ficará verde ou marrom", explica Loureiro. 

 

Proximidade com a zona urbana


Nem mesmo a localização - o imóvel foi erguido ao lado da reitoria, em um dos pontos mais baixos da UFJF - parece impedir que o visitante tenha a sensação de estar bem mais perto dos corpos celestes. "Houve uma discussão sobre isso. Dizem que ele deveria ficar num local mais alto para não ter interferência da iluminação, mas não será problema. O prédio está alocado um metro acima da pista. Sem contar que o telescópio ficará bem no alto", comenta Tonelli, garantindo que, desde o início, houve preocupação com a qualidade da visibilidade.

"O planetário pode ser instalado lá sem problema algum. Ele é um teatro do céu, é como se fosse uma projeção de cinema", assegura o astrônomo Nelson Travnik. De acordo com ele, na implantação de um observatório, é preciso estudar a finalidade da iniciativa. Se o projeto tiver objetivos que vão além dos educacionais, é indicado que ele ocupe uma área mais elevada. "É lógico que o ideal é que o observatório esteja localizado em uma parte mais alta, pois ele mostra o céu ao vivo. As montanhas interferem na visualização de algum astro que esteja próximo ao horizonte. O tempo nublado também prejudica. Mas, pelo que levantei, o daí tem finalidades pedagógicas. Mesmo assim, vi uma aparelhagem que dará para fazer pesquisas tranquilamente. Os observatórios atuais possuem técnicas modernas de filtros que anulam, inclusive, a poluição luminosa", diz Travnik.

O astrônomo Julio Lobo, responsável pelo Observatório Municipal de Campinas, opina que a proximidade com a zona urbana, fator que pode ser negativo quando o assunto é pesquisa, vai favorecer a formação de público. "Mais perto da cidade, é ótimo como um centro de difusão para estimular a vocação. Imagina quantos milhares de alunos serão atendidos e quem sabe despertarão o desejo de ser cientistas? Se você quiser ver uma galáxia e uma via láctea já complica. Só é preciso se adequar segundo a finalidade. O nosso, por exemplo, quando foi inaugurado, era 80% voltado à pesquisa, o lugar era de difícil acesso. Mas isso se inverteu porque o município cresceu. Agora, nosso objetivo é 95% educacional e de divulgação para o público. As luzes de Campinas e de São Paulo interferem", finaliza Lobo.

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