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16 de Abril de 2014 - 06:00

Com intervenções eletrônicas e instrumentos, 4zero4 faz composições e experimentações sonoras ao vivo

Por JÚLIA PESSÔA

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Com diferentes formações, músicos aliam o uso da tecnologia à performance dos instrumentos tradicionais
Com diferentes formações, músicos aliam o uso da tecnologia à performance dos instrumentos tradicionais

"404 - Page not found". Qualquer usuário de internet, ao se deparar com uma janela com esta mensagem, já sentiu a pequeneza inerente ao homem frente aos inevitáveis e tão frequentes "paus" de um computador, como se as panes materializassem uma vontade oculta do aparelho.

Fazendo alusão a esta participação da máquina em tantos dos processos criativos da humanidade, o grupo 4zero4- Band not found faz sua primeira performance hoje em Juiz de Fora, mesclando música eletrônica, sonoridades essencialmente brasileiras e arquitetadas por seis integrantes: cinco de carne, osso e formações distintas, os músicos; e um de processadores, softwares e plugins: o computador.

"O computador é um elemento autônomo da banda, que toca sozinho, mas interage com os músicos, é um elemento do grupo. Não tem ninguém disparando os sons, nada gravado. Tudo que é executado é feito a partir do cálculo de algoritmos que, por sua vez, também altera o que nós estamos tocando ao vivo", explica Yago Franco, que programa tais algoritmos, além de tocar flauta nas intervenções ao vivo e lecionar na faculdade de música da UFJF.

Segundo Fred Fonseca, também integrante na proposta, a intenção é desmitificar a ideia de que a música feita com recursos tecnológicos diminui o trabalho criativo humano, bem como ressignificar os padrões tradicionais de consumo de sonoridades. "A população está muito acostumada ao padrão auditivo 'baixo, guitarra e vocal', queremos mostrar que estes paradigmas existem para ser quebrados, e é assim que a arte se renova. Estamos trazendo à tona, como parte da performance, todo o aparato eletrônico que altera frequências, sons, tudo que possibilita modular a música de determinada maneira, e normalmente fica de fora do acontecimento ao vivo", explica o músico.

De acordo com os integrantes, cada performance será única, já que não há repertório pré-definido, e o ambiente, o público e mesmo o estado de espírito dos músicos, junto ao trabalho do computador, determinam o que será ouvido. "É um desprendimento do rigor de apresentações, uma ideia de composição bem abstrata, que ganha força no momento em que a música é executada,. É mais ou menos como a liberdade de criação que o choro e o jazz permitem, mas com a intervenção dos recursos eletrônicos, que desconstroem a sonoridade tradicional dos instrumentos que tocamos ao vivo", explica Robert Anthony, violonista e cientista sonoro que também é professor da UFJF.

Além de materializar a presença da máquina e da tecnologia na criação musical, os rapazes do 4zero4 também priorizaram a inserção de elementos essencialmente brasileiros em sua sonoridade. "Já vinha ouvindo algumas coisas que o pessoal estava fazendo e quis brincar também. Acho que faltava uma batida, um balanço, algo que desse uma cara mais brasileira ao que estamos fazendo. Nas performances, faço tudo que um DJ faria, apertando o play, mas na bateria, tentando imprimir um pouco desse nosso suingue nacional a este trabalho", explica Marcelo Cameron, que mora em Juiz de Fora há seis anos, nasceu em Belém do Pará e usa seus 18 anos de estrada musical, passando por centros como Rio e São Paulo, para imprimir ao 4zero4 notas de carimbó, maracatu, samba, rock, reggae e, como o próprio diz, "tudo isso e outros sons ao mesmo tempo."


'Criando o que o corpo pede'

Para Yago Franco, as diferentes bagagens musicais que ele, Fred Fonseca, Marcelo Cameron, Robert Anthony e Stanley Pereira possuem é um dos grandes trunfos do 4zero4. "Eu e Roberto somos da universidade, temos uma formação acadêmica, que se completa junto ao expertise dos outros caras de aprender na prática, tocar na noite. Isso é muito importante, porque a paleta de cores sonoras de cada um contribui para a diversidade musical do projeto de forma geral", opina ele, acrescentando que tais experiências, nas performances, funcionam como ferramentas para as intervenções ao vivo. "São elas que permitem filtrar o som e compor espontaneamente, sem preocupação com convenções. Estamos criando o que o corpo pede, o que é ouvido ali, no momento da performance."

Sem se prender a formatos ou formações, os rapazes do 4zero4 pretendem também montar parcerias com outros músicos da cidade, tanto nas intervenções ao vivo quanto atuando a partir de trabalhos já gravados de outros artistas abertos à proposta. Outra intenção do grupo é fazer ensaios abertos em praças e outros espaços públicos, de modo a permitir a formação de público de forma contínua e contribuir para a cultura local em diversas outras frentes. "Temos todo o aparato necessário para que isso seja realizado. Precisamos levar o som que estamos fazendo ao público, para que eles conheçam um outro tipo de música feita ao vivo. E isso acaba trazendo outros benefícios que afetam todos: a ocupação dos espaços públicos, o convívio saudável das pessoas nestes espaços, a democratização da arte e a divulgação deste tipo de trabalho que amplia os universos sonoros", pondera Fred Fonseca.

4ZERO4- BAND NOT FOUND

Hoje, às 20h

Livraria Liberdade

Rua Benjamin Constant 801

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