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29 de Maio de 2014 - 06:00

Projeto 'Violões na Casa' recebe o premiado francês Thibault Cauvin, um dos maiores violonistas da atualidade

Por JÚLIA PESSÔA

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Thibault já recebeu 13 prêmios internacionais e tocou em mais de 120 países
Thibault já recebeu 13 prêmios internacionais e tocou em mais de 120 países

Vinte e nove anos, seis discos, 13 prêmios internacionais, turnês por mais de 120 países, em mais de mil concertos por palcos que incluem como o New York Carnegie Hall e o Paris Théâtre des Champs Elysées. Não bastasse o currículo do violonista Francês Thibault Cauvin falar por si próprio, a modéstia com que o músico discorre sobre sua notável carreira desperta ainda mais o desejo de conhecê-la. "Tudo aconteceu com muita naturalidade. Comecei com uns 5 anos, tocando algumas coisas loucas com meu pai, também violonista, e na minha cabeça, todo mundo tocava violão, era parte da vida. Fui crescendo e entrando nos circuitos competitivos ainda adolescente, então aquilo era como um jogo para mim, que na época era jovem e imaturo (risos). Ganhei alguns destes torneios e depois vieram os concertos e grandes turnês, tudo foi simplesmente fluindo", diz Thibault, que tocará em Juiz de Fora hoje, como parte do projeto "Violões na Casa", da Casa de Cultura.

Considerado um dos maiores violonistas do mundo na atualidade, o músico falou, em entrevista por telefone à Tribuna, sobre sua formação, seu estilo musical e sua segunda visita ao Brasil. "Tive a chance de vir uns dez anos atrás e desta vez tive a oportunidade de ministrar algumas master classes, conhecer os violonistas clássicos e ouvir coisas diferentes, gostei muito do que pude conhecer. E fiquei impressionado com as diferenças entre as diversas cidades por onde passei, parecem outros países", comenta o instrumentista, que vivenciou bastante da diversidade brasileira ao conhecer São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Florianópolis, João Pessoa, Campina Grande, Natal, Goiânia, Brasília e Fortaleza. Depois de Juiz de Fora, Thibault se despede do Brasil com uma apresentação em Porto Alegre.

Para o professor da Faculdade de Música de UFJF e coordenador do "Violões na Casa" Luís Leite, também violonista, o concerto é um importante passo para a inserção de Juiz de Fora em um roteiro de apresentações de artistas internacionais. "A cidade ganha muito com isso. Ver um instrumentista deste porte em uma apresentação ao vivo é maravilhoso para o público em geral e para o especializado", opina ele, para quem Thibault Cauvin representa uma evolução da música clássica. "Ele trabalha o violão clássico de concerto e seu repertório com um enfoque jovem, moderno, um estilo muito autêntico. Ao mesmo tempo, tem uma técnica muito sofisticada e é muito refinado em suas interpretações", destaca o professor.

Segundo Thibault, este frescor em suas interpretações de repertórios clássicos vem de sua diversificada formação. "Tenho a educação clássica dos conservatórios franceses com os melhores professores desta vertente, mas grande parte da minha formação também vem do que aprendi com minha família, que tem músicos de jazz, rock, música cigana, gêneros contemporâneos. O fato de ter viajado por centenas de países com suas particularidades musicais também me influencia muito. Então, digo que ainda sou, sim, um instrumentista clássico, mas gosto de apresentar o clássico para grandes plateias, não apenas para os conhecedores dos clássicos, por isso incorporo todas estas referências. E o violão, por ser um instrumento muito conhecido, permite este diálogo", explica o músico.

Com o disco "Dancing with Scarlatti", que marca a parceria de Thibault com a Sony Music e traz composições do repertório clássico do italiano Domenico Scarlatti, que viveu entre os séculos XVII e XVIII, o violonista alcançou a marca de ser um dos dez discos clássicos mais vendidos no mundo, feito notável em tempos desafiadores para a música instrumental - sobretudo a clássica - e para a venda de discos. "Quis mostrar que esta música pode ser muito atual e que poderia ter sido escrita nos dias de hoje. O repertório de Scarlatti tem ago de muito dançante e moderno, que tentei transmitir com a minha técnica, e fico muito feliz que o trabalho tenha alcançado tantas pessoas", conta o músico francês.

Entre as peças executadas no concerto de hoje, haverá sonatas clássicas de Scarlatti, composições do consagrado violonista espanhol Paco de Lucía (falecido em fevereiro deste ano), "um pouco da música louca do meu pai" (nas palavras do próprio Thibault), algumas surpresas e três peças que integram um projeto independente do violonista francês, "Cities", que busca retratar musicalmente diferentes cidades por onde o músico passou. "' Cities' foi um disco em que gravei peças de compositores de diferentes cidades de alguns países, com vários estilos, e tentei captar a essência destas cidades, tentando transmitir, pela música, a cor de seu céu, o som das ruas, como se fosse um filme sem imagens. É algo que sempre quis fazer e diferente do meu trabalho tradicional", adianta ele sobre o projeto, que tem uma edição em vinil para colecionadores.

Paralelamente a mais uma de suas viagens pelo mundo, Thibault prepara, ainda para este ano, o lançamento de um novo álbum, provavelmente para outubro, mas sem perder o espírito 'cigano' de levar sua música a diferentes culturas. "Adoro viajar com meu trabalho, conhecer pessoas e lugares. Sou meio cigano mesmo, sem endereço fixo", brinca o instrumentista.

THIBAULT CAUVIN

Hoje, às 20h

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