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11 de Julho de 2014 - 08:38

'Coleção histórica Marvel - X-Men' relembra algumas das principais aventuras dos Filhos do Átomo

Por JÚLIO BLACK

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X-Men estrearam em 1963 enfrentando Magneto, o mais famoso de seus inimigos
X-Men estrearam em 1963 enfrentando Magneto, o mais famoso de seus inimigos
Nova equipe foi criada em 1975, e os X-Men se tornaram sucesso da Marvel
Nova equipe foi criada em 1975, e os X-Men se tornaram sucesso da Marvel

A editora Panini volta a publicar histórias antigas e clássicas do X-Men, mas nada a ver com as tolices feitas nos anos 1990 que também têm chegado às bancas. Depois do pacotão de luxo "Biblioteca histórica Marvel", agora é a vez da versão menos cara e mais compacta: "Coleção histórica Marvel", quatro volumes que abarcam desde os primórdios da superequipe mutante, o reinício em meados dos anos 1970, a prévia do que seria a "Saga da Fênix Negra" e um confronto com os Vingadores. Os dois primeiros volumes já podem ser encontrados nas bancas, livrarias e lojas especializadas.

O ser humano que vê, em 2014, os X-Men rendendo mais de US$ 700 milhões no cinema com "Dias de um futuro esquecido" ou com quase uma dúzia de títulos derivados nas comic shops ianques, pode até não acreditar, mas a equipe já foi um dos patinhos feios da Marvel, lá na década de 60 - o que resultou, em poucos anos, no cancelamento da revista dos Filhos do Átomo. Analisando sob o olhar de hoje, deve ter sido complicado explicar para a molecada da época o conceito de pessoas nascidas com mutações genéticas que eram odiadas por aqueles que juraram defender. Mesmo mostrando jovens com angústias típicas dos adolescentes (o fato de ser "diferente", que fazia sucesso com o Homem-Aranha) ou remetendo à luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, "The X-Men" não ia para frente, apesar de diversos personagens clássicos (Magneto, o Fanático, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Blob, os Sentinelas) terem sido criados para enfrentar os pupilos de Charles Xavier quando Stan Lee estava à frente do título. A verdade é que o lendário roteirista parecia não saber exatamente o que fazer com o material que tinha às mãos, insistindo na narrativa excessivamente infanto-juvenil.

Esses problemas, porém, não tiram o valor histórico das primeiras aventuras dos mutantes. O ritmo das histórias e o desenvolvimento delas nada têm a ver com o que se lê atualmente, sendo de uma inocência gritante (sem contar o absurdo de os personagens contarem uma looooonga história no meio das batalhas), mas não deixa de ser emocionante ver o primeiro encontro dos X-Men com Magneto, assim como o surgimento da Irmandade de Mutantes e a "visita" do Fanático à Escola Xavier para Jovens Superdotados, não esquecendo jamais de que as primeiras edições foram desenhadas pelo imortal Jack Kirby. É possível notar, ainda, as mudanças ocorridas com os personagens em pouco mais de 50 anos. O Professor Xavier, por exemplo, era adepto de um fatalismo típico dos quadrinhos da época e até mesmo um belo de um canalha (fingir que perdeu os poderes e deixar os alunos se virarem sozinhos contra a Irmandade de Mutantes é ter um espírito de porco gigantesco). Apesar do nonsense e inocência típicos da década, "The X-Men" ainda é melhor que muita apelação feita atualmente.

 

 

O renascimento e a glória

Os esforços de Roy Thomas e Neal Adams - escolhidos para substituir Stan Lee e Jack Kirby - para salvar a revista foram em vão: ela foi cancelada em 1970 após 66 edições. Depois disso, apenas republicações e aparições esporádicas em outras revistas. A situação só mudou - para melhor - em 1975, quando Len Wein (roteiro) e Dave Cockrum (desenhos) colocaram o universo mutante de cabeça para baixo em "Giant-size X-Men 1", que abre o segundo volume da "Coleção histórica". Na trama, os membros originais do supergrupo foram aprisionados pela ilha mutante Krakoa, e o Professor Xavier precisa recrutar novos membros ao redor do mundo: o alemão Noturno, a queniana Tempestade, o irlandês Banshee, o apache norte-americano Pássaro Trovejante, o japonês Solaris, o russo Colossus e aquele que se tornaria o mais popular X-Man, o canadense Wolverine. Heróis devidamente salvos, a maioria dos primeiros X-Men seguem seus rumos, enquanto Ciclope continua na Mansão Xavier para treinar a nova equipe.

Um dos grandes baratos da nova fase da revista - que acabaria nas mãos de outro roteirista, Chris Claremont - foi o fato de que os X-Men deixaram de ser um bando de adolescentes lidando com poderes desconhecidos. Os novos personagens, em sua maioria, já eram adultos independentes e com fortes personalidades formadas, o que acarretava em sérias discussões e confrontos entre seus integrantes - algo raro nas histórias de super heróis de então, ainda mais as que reuniam superamigos. As mudanças eram tão drásticas que até mesmo um dos personagens morre logo na segunda missão.

As demais histórias do segundo volume ajudaram a transformar os X-Men num fenômeno dos quadrinhos dos Estados Unidos, principalmente com a longa e inicialmente discreta trama criada por Claremont desde a transformação de Jean Grey na Fênix, em 1976, até a trágica conclusão da "Saga da Fênix Negra", em 1980. O arco apresentado no encerramento do segundo volume mostra os X-Men precisando ir até o espaço profundo para enfrentar uma ameaça de escala universal, e quem salva o dia é justamente a Fênix, que começa a ter consciência da extensão de seus poderes - o que acaba levando-a à loucura. Como bônus, a última edição é a primeira desenhada pelo mestre John Byrne, que ficaria no título até o desfecho de "Dias de um futuro esquecido". Mais clássico, impossível.

 

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