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27 de Maio de 2014 - 06:00

Fase do Monstro do Pântano com Alan Moore volta a ser publicada no Brasil

Por JÚLIO BLACK

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O escritor e criador de polêmicas Alan Moore é conhecido como autor de algumas das obras mais importantes dos quadrinhos nas últimas três décadas. No currículo do genioso - e genial - inglês, estão "Watchmen", "Batman: a piada mortal", "V de vingança" e "A liga extraordinária", todas fáceis de encontrar nos pontos de venda especializados. Já um dos clássicos que faltava começou a ser publicado pela Panini este mês: "A saga do Monstro do Pântano", título que Moore escreveu para a DC Comics entre 1984 e 1987, volta às bancas mais de 20 anos depois (a Abril publicou as histórias entre 1987 e 1991, e as tentativas de republicações por outras editoras ficaram pelo caminho) em uma série de encadernados que, ao mesmo tempo que deixou muita gente feliz, foi motivo de críticas no site da editora pela qualidade do papel utilizado.

Polêmicas à parte, o período que o inglês passou cuidando do Monstro do Pântano é um exemplo de sua capacidade de reinventar um personagem e torná-lo ainda melhor do que antes. Ao tomar as rédeas da publicação - que corria risco de cancelamento - na edição número 20 (janeiro de 1984), Alan Moore tratou de reinventar a essência do personagem criado por Len Wein e Bernie Wrightson em 1971: logo na primeira das oito histórias do volume inicial, o Monstro do Pântano é perseguido e baleado, sendo levado para um laboratório. Na edição seguinte, a clássica "A lição de anatomia", um vilão secundário, o Homem Florônico, descobre que a criatura não é Alec Holland, ao contrário do que todos pensavam. Ela era, na verdade, um elemental (criatura que existiria na natureza), fruto das memórias e personalidade do cientista - morto em um atentado - e que apenas emulava a personalidade do falecido.

A partir de então, o "novo" Monstro do Pântano é visto como a representação de toda a vida vegetal do planeta, podendo se comunicar com outras plantas e se manifestar em qualquer parte do mundo, acrescentando a questão da ecologia às histórias. Mas o grande achado do inglês foi imprimir às aventuras o horror gótico do qual sempre foi entusiasta, incluindo personagens que poderiam ter saído de contos de HP Lovecraft, mais lobisomens e zumbis, e tirando de "A saga do Monstro do Pântano" a pecha de "história para adolescentes" que costuma ser atribuída aos quadrinhos. É dessa nova visão que surgem as participações especiais de personagens como o demônio Etrigan e o Espectro, incluindo aí a criação de John Constantine, tão popular que teve uma série para chamar de sua ("Hellblazer", que durou 300 edições). Para muitos, a fase de Moore com a criatura que andava pelos pântanos da Louisiana foi a pedra fundamental para a criação da Vertigo, selo da DC por onde foram publicados "Sandman", "Preacher" e "Y: o último homem". Até mesmo os desenhos de Stephen Bissette e John Tobleten ajudam a antecipar o estilo que marca a linha adulta da editora.

Com a guerra aberta que Moore declarou à DC Comics nos últimos anos, a possibilidade do inglês de Northampton voltar ao personagem é praticamente nula. Para os fãs, ao menos, resta a oportunidade de apreciar um dos momentos que redefiniram a chamada Nona Arte.

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