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04 de Julho de 2014 - 06:00

Seth Rogen chega aos cinemas de Juiz de Fora com 'Vizinhos', comédia que passa longe do politicamente correto

Por JÚLIO BLACK

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"Vizinhos", comédia de Nichola Stoller que estreou ontem em Juiz de Fora, é mais um daqueles filmes do ator canadense Seth Rogen em que o politicamente correto é mandado para o canto da sala. A produção - que custou US$ 18 milhões e arrecadou mais de US$ 100 milhões apenas nos Estados Unidos - é centrada na vida do casal Mac (Rogen) e Kelly (Rose Byrne), que tenta ser os pais superdescolados da filha recém-nascida. Como absurdo pouco é bobagem, a tranquila vida entre fraldas e afins é abalada pela chegada de uma fraternidade na casa vizinha, comandada pelos universitários Teddy (Zac Efron) e Pete (Dave Franco).

Os novos vizinhos até tentam uma convivência pacífica, mas logo tudo dá errado. Atormentados pelo inferno que mora ao lado, resta à família feliz e universitários festeiros partirem para o confronto típico daqueles filmes de brigas entre vizinhos ("Duplex", "Estranhos vizinhos", "Dois velhos rabugentos"). Como Seth Rogen é um dos sujeitos com carta branca para ultrapassar os limites (ele mesmo preferiu produzir um filme "barato" para ter liberdade criativa), "Vizinhos" promete muitas piadas que remetem aos filmes citados, mas ao mesmo tempo se permite situações incomuns às comédias "maistream", como leite materno empedrado e depilação masculina. Apesar de não ser o elemento que norteia o filme, há espaço para piadas direcionadas ao presidente norte-americano Barack Obama e ao incansável J.J. Abrams ("Lost", "Star trek", "Star wars", "Fringe", "Felicity", "Alias" e 24 territórios a sua escolha), entre outras celebridades.

Mesmo com tantos elementos que fogem ao gosto do público-padrão das comédias hollywoodianas, "Vizinhos" conseguiu conquistar o povão - graças, principalmente, a Seth Rogen. Ex-roteirista do programa "Da Ali G Show" (estrelado por Sacha Baron Cohen, o Borat), ele começou a se destacar em "O virgem de 40 anos" (2005) e logo se tornou um dos ícones do subgênero "bromance" (em que a amizade masculina substitui o mais do mesmo das comédias românticas), trabalhando muitas vezes com o diretor Judd Apatow ou em filmes que muito ator preocupado com a imagem jamais toparia fazer. São dessa leva o semiautobiográfico "Superbad", de 2007, escrito por ele e Evan Goldberg, "Ligeiramente grávidos" (também de 2007) e "Pagando bem, que mal tem?", de Kevin Smith.

A prova de que Rogen acredita que os engravatados de Hollywood vão continuar a apostar em suas pirações a partir do lema "amigos podem tudo" (apesar do fracasso de "Besouro verde") são os tresloucados, enfumaçados e arruaceiros "Segurando as pontas" (2008, outro com roteiro dele e Evan Goldberg) e "É o fim" (2013): roteirizado e dirigido pela dupla, o filme mostra Rogen e outros atores da nova geração (Michael Cera, Jonah Hill, James Franco, Emma Watson e a cantora Rihanna, entre outros) em uma festa onde vale tudo: drogas, álcool, sexo inconsequente... Até que um megaterremoto em Los Angeles anuncia o fim de tudo, motivo para as mais insensatas situações hilariantes.

Com Seth Rogen, apenas a (má) baixaria é o limite.

"VIZINHOS"

Alameda 4: 19h10 (exceto sexta-feira) e 21h20. Santa Cruz 1: 21h10

Classificação: 16 anos

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