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18 de Março de 2014 - 06:00

Editora UFJF comemora boa fase, com ampliação de publicações, mas enfrenta os mesmos problemas que os selos comerciais

Por MAURO MORAIS

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Editora funciona em um prédio anexo ao Mamm
Editora funciona em um prédio anexo ao Mamm

Em um país no qual 77% da população dizem preferir assistir televisão a ler, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil - encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, realizada em 2012 -, decidir publicar livros torna-se um ato de resistência. O que dizer, então, da literatura que se volta a um nicho? Enfrentando obstáculos comuns às grandes editoras, como distribuição e os altos custos que envolvem a edição de uma obra, a Editora UFJF encontra motivos para comemorar.

Um dos mais importantes instrumentos de divulgação acadêmica, a editora contabilizou, em 2013, um aumento no número de publicações de cerca de 80% em relação a 2012. Além disso, participou, no ano passado, de 72 eventos, entre locais, nacionais e até mesmo internacionais (foi à Colômbia e à Argentina). Considerada um dos maiores eventos literários do país, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu os livros da UFJF. Filiada à Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu), a editora pode participar, esse ano, da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, além da 11ª Feira do Livro de Joinville, da 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília, da Feira Pan-Amazônica do Livro de Belém, e de muitos outros eventos nos quais a Abeu já confirmou presença.

Com mais de 250 títulos em seu catálogo, considerando livros e periódicos, a editora, fundada em 1986, acaba de receber novos computadores, em consonância com o que existe de mais atual no campo da editoração eletrônica. Instalada em um espaço amplo, a casa continua a ocupar o espaço do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), mas, agora, está em um prédio anexo. "Temos recebido grandes investimentos na editora, tanto na estrutura física, de material de consumo, hardware e software, quanto na parte de pessoal, que é uma questão mais lenta pelo processo federal. Inclusive, estamos em um lugar novo, bem mais espaçoso", destaca o professor do curso de psicologia da UFJF e diretor da Editora UFJF, Antenor Salzer Rodrigues.

 

Inserção no mercado

Com tiragem inicial média de 500 exemplares, os títulos da Editora UFJF se distanciam do universo numeroso dos best-sellers. Enquanto escritores pouco conhecidos publicam, inicialmente, de três mil a cinco mil exemplares em grandes grupos editoriais, nomes mundialmente conhecidos conseguem atingir dois milhões de cópias apenas com a primeira impressão, como é o caso da escritora britânica J.K. Rowling, criadora do bruxinho Harry Potter. Porém, ainda que não frequentem as listas dos mais vendidos país afora, os livros editados na UFJF são respeitados nos círculos em que estão presentes. As parcerias feitas com a Cambridge University Press, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos; as Editions Gallimard e Editions La Découverte, da França; e a Imprensa da Universidade de Coimbra, de Portugal, têm voltado as atenções para Juiz de Fora.

Em sua segunda reimpressão, "Os condenados da Terra", do psiquiatra e ensaísta francês Frantz Fanon, é uma das obras mais vendidas atualmente. "Esse livro é muito importante. Foi traduzido pelas professoras Enilce Albergaria Rocha e Lucy Magalhães e é um cartão de visitas da editora. Ele está na USP e na UERJ, e em todo o Brasil há interesse nele. Isso para nós é muito bom, porque valoriza todo o catálogo", aponta Antenor Salzer Rodrigues. "Introdução a uma poética da diversidade", do ensaísta francês Édouard Glissant, também é uma das mais valorizadas traduções na lista da editora, que espera para esse ano lançar "O pensamento do tremor", de Glissant.

A produção universitária também tem ganhado destaque em prateleiras de dentro e de fora da cidade, como o livro "História e filosofia da psicologia: perspectivas contemporâneas", do professor do curso de psicologia Saulo de Freitas Araujo, e "A dimensão técnico-operativa no serviço social: desafios contemporâneos", da docente da Faculdade de Serviço Social Cláudia Mônica dos Santos, em parceria com as professoras da UFRJ Sheila Backx e Yolanda Guerra. "São livros didáticos, pedagógicos, com um perfil acadêmico. A editora tem a função de divulgar a pesquisa, os trabalhos científicos", explica o diretor. De acordo com ele, o catálogo abrange todas as áreas de conhecimento, com destaque para serviço social e educação, cuja produção é volumosa e constante.

De acordo com o diretor Antenor Salzer Rodrigues, a Editora UFJF tem desenvolvido, nos últimos anos, projetos sociais que também servem como divulgação científica. Em 2012, foi lançada a cartilha "Os direitos educacionais das crianças e dos adolescentes adoentados", resultante do projeto "Hora de aprender", em funcionamento no Hospital Universitário (HU). Ano passado, foi publicada a cartilha "Eu controlo meu diabetes", organizada pela professora da Faculdade de Medicina Mônica Barros Costa, em formatos adulto e infantil. Ilustrada pelas crianças da ala pediátrica do HU, a cartilha tem ampla distribuição, causando impacto diferente do vivenciado pela literatura publicada pela editora. Esse ano será lançada uma cartilha sobre álcool e drogas. "A universidade não está distante da comunidade", defende o diretor.

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