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29 de Junho de 2014 - 07:00

Sucesso na internet, a blogueira de Juiz de Fora Isabela Freitas publica livro e se torna best-seller antes mesmo do lançamento, nesta quinta

Por MAURO MORAIS

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Isabela deixou o curso de direito para se dedicar ao livro
Isabela deixou o curso de direito para se dedicar ao livro

Isabela terminou com Gustavo após dois anos de namoro, o que lhe rendeu inúmeras reflexões. Apesar de ter o mesmo nome da personagem e viver na mesma cidade que ela, Juiz de Fora, Isabela Freitas é incisiva ao afirmar que "Não se apega, não" (Editora Intrínseca, 254 páginas) não passa de ficção. "A Isabela do livro é o que eu queria ser. As histórias que ela vive eu roubei da vivência com amigos, experiências pelas quais já passei ou vi. O Gustavo foi inventado, é meu ex-namorado e o de muitas outras meninas. É aquele cara que já existiu na vida de todo mundo, aquela pessoa que te fez mal e deixou marcas", conta. Já a trajetória da garota loura de cabelos longos e olhos castanhos escuros, vaidosa nas unhas negras e no batom vermelho, tinha tudo para também não passar de ficção, mas é pura realidade. Com apenas 23 anos, ela possui mais de 150 mil seguidores no Twitter, mais de 270 mil curtidas no Facebook e cerca de 60 milhões de visualizações em seu blog (isabelafreitas.com.br). Seu livro de estreia, publicado esse mês, já se tornou um best-seller no país, ocupando a quinta posição na lista dos mais vendidos das revistas "Veja" e "Época". No portal PublishNews, especializado no mercado editorial, o livro de Isabela pulou, em uma semana, da décima posição para a quinta em número de exemplares comercializados.

"Tudo foi muito inesperado. A aceitação do livro foi muito grande. Devo ter lido apenas duas críticas negativas, e não ligo porque estou preparada para escutar", diz ela, desenvolta e doce. Escrita em linguagem bastante próxima da utilizada na internet, sem o artifício de reduzir termos, e apresentada como se simulasse caixas de diálogo em redes sociais, a obra se estabelece como uma conversa entre autor e leitor, à maneira juvenil de falar sobre as dores e as boas surpresas do amor. "No início, pensamos em fazer um livro de crônicas, que é o que faço no blog. Quando comecei a escrever, achei muito cansativo. Minha editora me falou: 'Isabela, seus melhores textos surgem quando você relata suas experiências pessoais em primeira pessoa, parece que você conta histórias para um amigo bem próximo. Pense em uma história contínua desse jeito'", comenta.

Considerando o público adolescente que acompanha virtualmente o cotidiano da juiz-forana, o livro reproduz tal universo. Primeiro título jovem nacional da editora que também conta em seu catálogo com a nova obra de Edney Silvestre (vencedor do Jabuti de 2010) e com a franquia inglesa "Cinquenta tons de cinza", "Não se apega, não" é uma das grandes apostas editoriais para 2014 e, inicialmente, tem superado as expectativas, já que a primeira edição, com 20 mil exemplares, se esgotou antes mesmo do lançamento (em média, um jovem autor em uma grande editora chega ao mercado com apenas 3 mil exemplares). Enquanto uma próxima tiragem, de 30 mil livros, já está prestes a sair do forno, a primeira noite de autógrafos está confirmada para esta quinta-feira, dia 3, às 19h, na Saraiva do Independência Shopping. Outros eventos já são aguardados em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza. Na internet, seguidoras de Isabela postam diariamente fotografias nas quais mostram um exemplar e clamam por uma assinatura da escritora.

 

 

Caiu na rede e no gosto

Ainda que não exiba grande surpresa com a repercussão de seu trabalho de estreia na literatura, Isabela Freitas está ansiosa com as novas perspectivas, já que seu contrato com a Intrínseca é de dez anos e inclui, além do lançamento atual, outro livro a ser escrito. "Minha expectativa é que eu continue sendo escritora para a vida inteira e que tudo isso se mantenha", sorri, no desejo de que seu amadurecimento se dê na medida do de suas leitoras. Como toda boa amizade, ela não quer perder laços, exercício cultivado diariamente, pelo computador ou pelo celular de capa rosa choque. Nem um dia passa incólume às postagens de Isabela, desde 2011, quando descobriu espaço para mais de 140 caracteres. "Sempre gostei muito de internet, tinha um twitter pessoal, e eu contava o meu dia a dia e desabafava, tudo em 140 caracteres, o que é muito pouco. Tinha muitos seguidores, cerca de 25 mil, e minhas amigas falavam para eu criar um blog. Eu era muito sonsa com essas coisas de internet, não sabia e não visitava nenhum. Pesquisei e vi que era uma página onde poderia escrever meus textos, achei legal e criei. Não tinha nem layout personalizado, mas no primeiro mês tive um milhão de acessos. Não sabia que isso era bom, e quando comentei com um amigo que entendia do assunto, ele me disse que era um número muito alto", recorda.

O público cresceu, a blogueira, também, e o caminho tornou-se um só: levar a coisa a sério. "Arrumei um contato, pela internet, de um profissional que agencia pessoas famosas na web. Ele ganha porcentagem e arranja propaganda para a página. Assim o blog cresceu ainda mais. Hoje tem marcas legais patrocinando, e ele faz parte do portal da MTV." No final de 2012, de maneira inesperada, a jovem recebeu um e-mail da editora Intrínseca e acreditou tratar-se de um trote, mas na verdade trazia mais uma realização no curto espaço de tempo em que se viu do pleno anonimato à fama virtual. "Minhas amigas sempre falaram para eu escrever um livro, e esse sempre foi meu sonho, porque sou uma leitora alucinada. Era aquele sonho que a gente acha que nunca vai realizar, tipo dar a volta ao mundo. Pensava que se um dia pintasse a oportunidade, eu encararia, mas nunca pensei em correr atrás de editora", diz. Sob os olhares emocionados de uma mãe professora de educação física casada com um dentista, a garota tornou-se profissional em um espaço cheio de lugares para amadorismos. A dedicação se tornou tamanha - e o retorno também - que Isabela abandonou o curso de direito no Vianna Jr. "O blog me consome bastante tempo. Quando comecei a escrever o livro, estava no final da faculdade e precisava me focar. Depois, quando abaixar a poeira, termino, apesar de não querer mais exercer o Direito", explica.

Requisitada por jovens desiludidas - ela recebe mais de 100 e-mails diários -, a autora da coluna "Conte sua história" (hospedada no próprio blog) permanentemente tem um ombro e uma palavra de consolo a oferecer. "Sempre fui aquela amiga conselheira. Não vivi muitas experiências, mas namorei minha vida toda e vivi situações muito engraçadas e tirei o melhor de cada decepção. As lições que estão no livro foi o que aprendi com tudo isso", resume, sem se importar em ver sua ficção - registrada na Biblioteca Nacional como ficção infantojuvenil - ser encarada como autoajuda. "Existem vários escritores de autoajuda que acho maravilhosos. Admiro o Paulo Coelho, já li e o acho ótimo. Autoajuda talvez atraia um público que não é o meu. Já recebi e-mails de mulheres mais velhas, que estão se identificando. Não há idade para falar de relacionamentos", dispara, reafirmando o tom imperativo presente logo no início do livro, quando a autora enumera as "20 regras do desapego" - entre elas: "A saudade é a urgência de amar".

Visivelmente influenciada pela literatura estrangeira voltada para os adolescentes, Isabela não esconde o desejo de trafegar por histórias surreais, mas por enquanto prefere transitar pelas quase revelações. "Gosto muito de histórias fantásticas, como 'Harry Potter', 'Divergente', 'Convergente', 'Jogos vorazes', enfim, livros que nos levam para outra realidade. Sou fã da Meg Cabot, li todos os livros dela, também gosto de Agatha Christie, John Green e Sidney Sheldon. O estilo da Meg, o jeito divertido e irônico, coloquei no meu livro. Gosto da linguagem leve, fácil de entender", defende. Além de configurar como registro de um tempo de arrobas e wwws, "Não se apega, não" é o retrato de uma geração. "Gosto de mostrar tudo que acontece, claro que tem coisa que reservo, mas o básico do dia a dia eu acho legal expor. Não precisa colocar quando está triste ou postar indiretas", diz a blogueira e escritora, sem se apegar aos desafetos: "No início eu era muito boba. Quando comecei não sabia lidar com o público, rebatia todas as críticas. Hoje ignoro ou, se houver fundamento, respondo com educação. Quando é gratuito, não me importo, nem me chateio, os elogios são tantos que nem tempo tenho para os 'hatters'".

 

"NÃO SE APEGA, NÃO"

Lançamento de livro nesta quinta, dia 3, às 19h

Saraiva

(Independência Shopping)

 

 

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