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15 de Maio de 2014 - 06:00

Contadores de Estórias Miguilim, conterrâneos do escritor, se apresentam nesta sexta no parque do Museu Mariano Procópio

Por RENATA DELAGE

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Grupo pertence ao Museu Casa Guimarães Rosa
Grupo pertence ao Museu Casa Guimarães Rosa

Na pureza da infância, o menino Miguilim tenta entender o mundo das pessoas grandes e o sentido das perdas, sem deixar de sonhar. A vida do personagem - que refletia a vida de seu criador, João Guimarães Rosa - será contada nesta sexta, no parque do Museu Mariano Procópio. A vinda à cidade do grupo conterrâneo do escritor, os Contadores de Estórias Miguilim, do Museu Casa Guimarães Rosa, de Cordisburgo, é uma iniciativa do projeto "Noite no museu", que integra a 12ª Semana de Museus, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O evento nacional realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) acontece de 12 a 18 de maio e apresenta, nesta edição, o tema "Museus: coleções criam conexões". As vagas são limitadas e destinadas a adultos e jovens a partir de 12 anos. As inscrições deverão ser realizadas pelo telefone 3690-2027.

O Museu Casa Guimarães Rosa existe desde 1974 e passou por um processo de restauração em 1994. Conta com cerca de 300 objetos e dois mil documentos. No acervo, estão anotações, originais de livros e pertences pessoais do escritor, como uma coleção de gravatas borboleta, correspondências e máquinas de escrever.

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes", disse o escritor. A escolha do nome do grupo, criado em 1996, se deu, justamente, em função do personagem autobiográfico, segundo o coordenador Fábio Barbosa. "Em Juiz de Fora, o grupo vai contar trechos de "Campo geral", história na qual aparece o Miguilim", completa o coordenador, que integrou a primeira turma de "Miguilins". Narrativa profundamente lírica, pertencente à obra "Manuelzão e Miguilim", "Campo geral" traduz a habilidade de Guimarães Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança. A história é filtrada unicamente pelo ponto de vista de Miguilim, menino que mora com sua família no Mutum, um remoto lugarejo no sertão. O mundo infantil é organizado a partir das vivências do garoto sensível, delicado, inteligente, empenhado em compreender as pessoas e as coisas, tendo como temas fundamentais a infância, o amor e a amizade, a violência e a fé.

"Quando a prima de Guimarães Rosa, Calina Guimarães, criou o grupo, tinha o intuito de, ao mesmo tempo, divulgar a obra do escritor e proporcionar aos jovens da cidade, que é bem pequena, uma atividade saudável, inseri-los em um ambiente cultural", conta. Em sua oitava geração, o grupo conta com jovens com idade entre 12 e 18 anos.

Para vestir a camisa dos contadores, os adolescentes são recrutados ainda crianças e passam por um longo período de estudos e preparação, feita pela equipe, composta ainda por Lúcia Goulart, Dôra Guimarães e Elisa Almeida. "A cada dois anos, os alunos das escolas locais podem se inscrever para participar da seleção, que avalia, em um primeiro momento, a leitura", diz Fábio. Os aprovados começam, então, uma oficina que dura dois anos, na qual são iniciados na arte de contar histórias, por meio de fábulas e textos mais simples, antes de se dedicarem ao estudo da obra do escritor. "Só aos 12 anos acontece a cerimônia de entrega das camisetas, bastante representativa para o grupo", explica.

Mais que contadores, os jovens passam a ser verdadeiros guardiões do Museu Casa Guimarães Rosa, revezando-se para receber os visitantes e guiá-los pela instituição, explicando sobre a vida e a obra do escritor, para, por fim, narrar algum trecho de suas histórias no jardim. Além de atuar na casa, os jovens viajam por todas as regiões do país para manter viva a memória do autor. "Onde ele é lembrado, o grupo é convidado para se apresentar. Acreditamos que o trabalho dos 'Miguilins' seja um multiplicador. Muitas vezes, ouvir Guimarães Rosa pode ser mais fácil que ler, pela singularidade da sua escrita. Já ouvimos relatos, por exemplo, de pessoas que começaram a lê-lo depois de ouvir os contadores."

Pouco mais de nove mil habitantes vivem na cidade mineira de Cordisburgo, que tem o autor de "Grande sertão: Veredas" como filho ilustre. "A cidade respira Guimarães Rosa", define Fábio. O comércio cita seus títulos e personagens em seus nomes, as escolas o lembram em seus trabalhos, assim como o artesanato e o turismo, que tem a Semana Roseana, em julho, como principal homenagem. Por toda parte, marcos lembram trechos do autor. Quarenta placas formam um roteiro aos visitantes, colocadas estrategicamente em locais mencionados nas linhas de um dos maiores nomes da literatura brasileira, como a igreja matriz e a estação ferroviária.

 

NOITE NO MUSEU

Com o Grupo de Contadores de Estórias Miguilim

 

Amanhã, às 18h30

 

Parque do Museu Mariano Procópio

(Rua Mariano Procópio 1.100)

 

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