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06 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Doutoranda da UFJF é premiada na França com trabalho sobre 'pirataria do corpo'

Por JÚLIA PESSOA

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Dispositivos eletrônicos acoplados ao corpo são característicos do "body hacking"
Dispositivos eletrônicos acoplados ao corpo são característicos do "body hacking"

Placas de titânio substituindo a pele, chips eletrônicos ou de computadores acoplados ao corpo, implantes de ímãs ou vibradores genitais. Representantes do "body hacking" ou "pirataria do corpo", tais técnicas de modificação dos corpos por meio de acréscimo de componentes artificiais vêm sendo estudadas por Bárbara Nascimento, estudante do doutorado duplo em ciências sociais, na UFJF e na Universidade de Strasbourg (França). Em Juiz de Fora, ela é orientada pelo professor João Dal Poz, e na universidade francesa, por David Le Breton. A pesquisa foi contemplada no início deste ano com o prêmio Observatoire Nivea/Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS - agência de pesquisa francesa). Em sua sétima edição, o concurso abordou a construção da aparência na sociedade por meio de alterações no corpo e na pele.

Segundo Bárbara, tais práticas têm como objetivo aumentar as possibilidades do corpo humano, transformando seu comportamento "natural". "Elas são operacionalizadas por meio de abordagens voluntárias e experimentais realizadas em lojas de tatuagem e piercing ou mesmo em casa, com uma ideia de 'faça você mesmo'", explica a pesquisadora. Ela acrescenta que os adeptos destas mudanças são como "artesãos do corpo", que adotam uma postura lúdica e exploratória em prol de construir uma corporalidade inédita. "Eles têm prazer pelo risco e se recusam a aceitar o corpo como uma entidade sagrada e vetada a qualquer modificação."

Bárbara ressalta que a fusão entre corpo e técnica não é novidade, citando exemplos como a biomedicina e a utilização de próteses para substituir partes danificadas ou amputadas. "O que essa investigação aponta é o surgimento de uma tendência: homens e mulheres sem nenhuma deficiência corporal que decidiram se aventurar em terras desconhecidas para tentar experiências novas, desenvolver novos sentidos, ampliar funções físicas ou vivenciar sensações inéditas", esclarece a doutoranda, destacando que a abordagem da "pirataria corporal" faz uso de componentes tecnológicos ou materiais específicos.

Sob um viés sociológico, a pesquisadora afirma que tais transformações corporais questionam crenças normativas sobre a utilização do corpo, sua aparência e sua interação com o ambiente. "Mas se a princípio a piratagem do corpo pode parecer chocante, é importante sublinhar que a vontade de modificar o próprio corpo para efetuar uma transformação de ordem funcional se inscreve na continuidade lógica de outras modificações físicas radicais e socialmente mais admissíveis", pondera a acadêmica. "O corpo é um lugar privilegiado para práticas, discursos e imaginários sociais. Este estudo o toma como fio condutor para uma abordagem sociológica e antropológica das transformações do mundo moderno", completa Bárbara, que comemora a repercussão de sua pesquisa e o prêmio, que serviu como estímulo para a redação final do trabalho. "É o reconhecimento da importância e da originalidade dele por parte de um júri internacional de referência e de excelência. Além disso, o prêmio coloca em destaque, em âmbito internacional, a pesquisa desenvolvida na UFJF."

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